Minha visão do jogo da Lusa: Futebol fraco, Canindé aos pedaços e agressão a narrador

Hoje, 18 de março de 2018. Mais uma partida no Canindé foi disputada, Portuguesa 0x0 Juventus, mais um empate para as equipes que suspiram na 2° divisão do Campeonato Paulista.

Joao Rafael Pinheiro
Jornalista em formação pela FAPCOM. Repórter esportivo na Web Rádio Futgol Esportes. Setorista da Chapecoense no Torcedores.com. Fã de automobilismo

Crédito: Foto: João Rafael Pinheiro. A Portuguesa está a um degrau do fundo do poço

Isso poderia ser um relato de uma partida, um clássico da capital, mas alguns fatos não valem a pena serem escondidos mais uma vez. A Portuguesa que só se afunda, a equipe que é apenas a 11° colocada, não só no futebol mas na sua estrutura, torcida e tratamento com a imprensa.

Pela Web Rádio Futgol Esportes estive como repórter, diretamente do campo. Mas no início na montagem dos equipamentos na cabine de jogo já tivemos problemas. A fiação das cabines totalmente exposta, o teto parece que qualquer momento pode desabar. A Portuguesa simplesmente esqueceu de quem mais divulga e mostra ela, a imprensa pois seu futebol já faleceu há um bom tempo.

Chegamos ao Canindé, às 8h30. Cabines apertadas, o que não é uma novidade. Na nossa, tivemos um problema com as tomadas, em precária utilização. Mas que mesmo assim funcionava, dentro da pequena cabine. Observei o teto, que nem era branco, mas sim preto e com goteiras. O medo de ficar ali, e a qualquer hora, ele cair.

Fui para o campo, o calor era de 32° graus às 09h30 da manhã. Sim, isso mesmo! No mínimo, como mandante a Lusa deveria oferecer pelo menos um copo d’água. Todavia não apareceu.

47 minutos de primeiro tempo, um jogo fraco tecnicamente. A torcida tanto da Lusa quanto do Moleque Travesso foram ao jogo. As torcidas estavam mais animadas, do que os próprios atletas dentro de campo.

Quem atendeu e ofereceu uma água foi a equipe do Juventus. Bom, pelo menos alguém. Mais 50 minutos, uma arbitragem duvidosa de Vinícius Gonçalves Dias Araújo, sem marcações de pênaltis óbvios tanto a Portuguesa quanto o Juventus. Fim de jogo, hora das entrevistas. Fiquei esperando alguns jogadores do Juventus, enquanto falava com Bonfim, meia. Amigos da Web rádio Mooca eram ameaçados por alguns torcedores da Lusa. Tudo normal, para a nossa torcida brasileira, que é esquentadinha.

Fim de transmissão, subo as cabines para arrumar os equipamentos. Arrumamos, tomei um ar. Pois senti mal no fim do jogo, pelo forte calor que estava na Zona Norte de São Paulo. Quando estamos saindo em direção ao estacionamento. Nos deparamos com uma imagem negativa.

O narrador Paulo Sodate, prêmio Aceesp de 2016. Paulo Sodate é narrador da Rádio Líder e da Tropical FM. O narrador, que não possui uma das pernas foi agredido por “torcedores” da Portuguesa quando se dirigia à saída do Canindé. Fiquei a meia distância. Muitos dos torcedores chegaram a agredir Paulo, com chutes. Não só torcedores, mas torcedoras. Paulo Sodate e sua mulher foram cercados por aquele bando de pessoas que se diziam torcedores da Portuguesa. Aos poucos, eles saíram e o narrador, sem reação alguma se retirou do estádio.

Contudo, só penso algo: Esse foi meu primeiro jogo no Oswaldo Teixeira Duarte. Mas foi um jogo onde percebi que um time tão tradicional no estado de São Paulo caminha para sua falência. A queda para a A-3 é merecida, mas parece que vai se safar. A comunidade Associação Portuguesa de Desportos está se acabando.

Foi solicitada uma nota da torcida da Portuguesa sobre o ocorrido. O Torcedores.com sempre preza pela imparcialidade.

O Torcedores.com conversou com Paulo Sodate por telefone, nesta segunda-feira. Ele falou que “Fui agredido, o pessoal diz que falo mal da Portuguesa na narração e que tenho que criticar o presidente”. Sodate é narrador na Rádio Líder, que é de posse do Presidente Alexandre de Barros. “Como eu vou xingar o presidente, sou funcionário dele. Não há noção para fazer isso”. Paulo Sodate explicou que o fato de torcedores o xingarem já virou rotina, mas que se aproveitaram da situação. “Eu não levei meus seguranças. Costumo levar três, e pagar 100 reais a cada um. Com isso me sinto seguro. Mas na partida diante do Juventus, a Portuguesa com a vitória contra a Penapolense e o Juventus em situação delicada. Pensei que seria uma vitória fácil e não foi”. Paulo Sodate conta como foi a ação dos torcedores ao sair das cabines. “Eu sai tranquilamente com minha esposa, quando fui cercado por um grupo de torcedores. Eles começaram a me xingar. Um deles se exaltou e de um chute em minha coxa. Foi a primeira vez que fui agredido. Estou ali trabalhando e torcendo pela Lusa como todos”, afirma Paulo Sodate.

A Portuguesa volta a campo nesta quarta diante do Guarani, no Brinco de Ouro.

LEIA MAIS
FIFA confirma árbitro de vídeo para Copa do Mundo na Rússia
Após ação do Fluminense, contrato de Palmeiras com Scarpa é rescindido no BID
Após ‘fracasso’ por Zeca, Corinthians é zoado pelo Santos no Twitter; veja