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O que aprendi ao dividir o tatame com uma lenda das artes marciais

No último dia 28 de fevereiro, Royce Gracie, primeiro campeão do UFC e um dos integrantes mais notáveis da família que ajudou a difundir o jiu-jitsu pelo mundo, ministrou um seminário em São Paulo. Ao ver o e-mail sobre o evento na minha caixa postal, pensei, de cara, em comparecer ao evento. Não apenas pela possibilidade de entrevistar Royce. Mas em aprender alguma coisa. Afinal, sou praticante da arte suave há dois anos.

Matheus Adami
Jornalista, editor do Torcedores. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.

Crédito: Participantes da turma das 20h do seminário - Foto: Reprodução/Instagram GraciePro

Conversei com a organização e consegui uma vaga no seminário. Então, no dia marcado, me dirigi até ao local do evento, uma filial da academia Ryan Gracie (primo de Royce, falecido em 2007) no bairro paulistano do Butantã com meu kimono e minha faixa azul. Na minha mochila de jornalista do Torcedores.com, muita expectativa por aprender. E, claro, de entrevistar o campeão do UFC 1, 2 e 4 e atual embaixador do Bellator.

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De cara, me surpreendo com o número de pessoas no seminário: mais de 100, muitas delas com faixas pretas. Entre elas, uma se destaca: Kyra Gracie, comentarista do canal Combate (canal fechado Grupo Globo especializado em lutas) e multicampeã no jiu-jitsu.

‘Tenho medo de levar soco na cara’

Pouco depois das 20h, horário marcado para o início do seminário, Royce entra no tatame. Era quem faltava para a atividade começar. E, de cara, mostra uma defesa quando um eventual agressor tenta lhe aplicar um soco. Foi ali a primeira lição da noite: ênfase na defesa pessoal e em golpes eficazes.

Royce repetiu diversas vezes ao longo da noite que tem medo de levar socos no rosto. E isso foi a tônica das diversas posições ensinadas no seminário. A partir de um soco desferido por um agressor, a defesa consistia em um pisão para afastar o adversário, seguido de um “agarrão”, para neutralizar novas agressões. A partir daí, o adversário tentaria novas formas de atacar. E outras defesas, sempre protegendo o rosto e evitando sofrer golpes, eram ensinadas.

Os participantes foram divididos em duplas para praticar os golpes mostrados com Royce. E faixas pretas já conhecidos pelo Gracie “passeavam” pelo tatame para corrigir os movimentos.

Foi assim que tive contato com Kyra Gracie. Ela foi a responsável pelo “setor” em que ficamos. Ganhei até um elogio quando fiz a entrada de uma queda ensinada por Royce. Depois, o próprio Royce veio corrigir e mostrar detalhes de como aplicar uma queda de quadril com mais eficiência.

Ao longo de duas horas, eu e os demais participantes praticamos as técnicas ensinadas por Royce à exaustão. Após o tempo, o Gracie respondeu a perguntas. E depois, claro, entramos na fila para tirar uma fotografia com o Gracie. Alguns pediram autógrafos fotografias, livros, faixas e até mesmo no próprio kimono.

Ver de perto detalhes de pessoas que fizeram história no esporte em que você pratica é algo que não tem preço.

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* O repórter Matheus Adami participou do seminário a convite da organização