Opinião: As expectativas no futebol

Após a derrota do Santos para o Real Garcilaso, pelo placar de 2 a 0, começaram a surgir, nas redes sociais, críticas ao clube e ao futebol nacional. Para muitos, o futebol brasileiro está em queda livre. Mas, na verdade, isso tudo decorre de meras (por vezes, falsas) expectativas no futebol.

Aurelio Mendes
Colaborador do Torcedores

O torcedor, por “menos fanático que seja”, ainda mais se for o considerado “torcedor de time grande”, sempre imagina que o seu clube irá vencer, mormente se o rival for alguma equipe com menor tradição. A conhecida frase “desse time, havia obrigação de ganhar de goleada” justifica esse pensamento.

Por outro lado, muitos torcedores ainda esperam encontrar, durante uma partida, o denominado “futebol arte”, aquele com belíssimas jogadas e, por que não, com o placar mais elástico.

Mas, ocorre que o futebol “arte” praticamente deixou de existir, hoje, o esporte se apega muito mais à tática e ao preparo físico do que puramente à habilidade. Ademais, em uma análise fria, não é difícil perceber que esse cenário (do futebol arte e da vitória como obrigação), nada mais é do que a “criação” mental feita pelo torcedor, fruto de um otimismo próprio e de expectativas que são criadas. Não que isso seja errado, tampouco reprovável, mas isso nem sempre irá encontrar apoio no futebol “real”.

Historicamente, tivemos grandes times sucumbindo para times menores, verdadeiros esquadrões do esporte, se “ajoelhando” em campo para uma equipe de menor expressão, etc.

Veja-se, belas seleções do mundo, como a Holanda, a atual Bélgica, entre outras, nunca venceram, talvez, nem vencerão uma Copa do Mundo. Ademais, a  Espanha demorou para sagrar-se campeã mundial, O Brasil da era Telê (Copas de 82 e 86) jogou um futebol de classe, vivo, único, bonito. Mas, mesmo assim, não conseguiu levantar a taça.

Em se tratando de clubes, o futebol também já aprontou das suas: o Corinthians formou um “Dream Team” com Tevez, Mascherano, e não conseguiu o sucesso total. O SPFC de Telê sucumbiu para o Criciúma na primeira partida da Libertadores de 1992, por 3 a 0. O Corinthians perdeu para o Tolima na pré-Libertadores de 2011, o Internacional, um ano antes, perdeu para o Mazembe, etc.

Todas as situações acima, demonstram que, nem sempre o melhor vence, eis que, em uma partida de futebol, há várias variáveis que influenciam, como por exemplo: uma arbitragem equivocada, problemas extra-campo, um craque com desempenho aquém, falta de sorte, etc. Sendo assim, não há que se afirmar que o futebol atual está ruim, ainda mais se pautando em derrotas, como a do Peixe na data de ontem.

O futebol sempre foi assim, como diria a conhecida e “batida” frase: “o futebol é uma caixinha de surpresas”. É exatamente isso que deixa o esporte tão fascinante.  Imaginem se sempre a melhor equipe vencesse, bastaria um clube fazer contratações de peso no início do ano para receber a taça. Esse sim, seria o fim do futebol.

Aurelio Mendes – @amon78

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