PAPO TÁTICO: Real Madrid passa o carro (e a bicicleta) em cima da Juventus pela Liga dos Campeões da UEFA

O que mais se pode dizer de um time que literalmente passa por cima de um adversário como a Juventus na casa do adversário? O que mais se pode falar de uma equipe que alia dinâmica, toque de bola e velocidade numa medida quase perfeita? E pelo amor de Deus, Cristiano Ronaldo é desse planeta? O Real Madrid não teve piedade nenhuma da Vecchia Signora em Turim. Venceu o jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA por três a zero com direito a golaço de bicicleta de CR7. Nem digo que o português só não fez chover no Juventus Stadium porque caía um tremendo toró lá pelos lados de Turim. Mas fato é que ele foi o grande nome de mais uma vitória do Real Madrid. A vaga nas semifinais está encaminhada e com mais uma grande atuação de Marcelo, Luka Modric, Toni Kroos, Isco, Sergio Ramos e o goleiro Keylor Navas. E isso sem falar em mais uma aula de Zinedine Zidane na organização tática do escrete merengue.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

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A reedição da final da Liga dos Campeões da UEFA de 2016/17 trouxe tudo o que Real Madrid e Juventus tinham de melhor para esse jogo. Enquanto Massimiliano Allegri armava a Vecchia Signora num 4-2-3-1 com Alex Sandro no meio-campo alinhado a Dybala e Douglas Costa, Zidane apostava no seu 4-3-1-2 com Isco flutuando por todo o campo. Essa movimentação do camisa 22 foi fundamental no primeiro gol dos merengues na partida. Sem marcação (onde estava De Sciglio?), o espanhol aproveitou belo passe de Marcelo e cruzou rasteiro para Cristiano Ronaldo abrir o placar logo aos dois minutos. O gol fez com que a Juventus saísse mais para o jogo e levasse perigo em finalizações de Higuaín, Betancur e o já citado De Sciglio. O Real Madrid ainda colocou uma bola na trave em belo chute de Toni Kroos, mas o que se viu no final das contas foi a equipe espanhola controlando as ações no campo com marcação alta e passes curtos. Bem do jeito do clássico e conhecido estilo merengue.

A movimentação de Isco por entre as linhas do 4-2-3-1 da Juventus foi fundamental para o Real Madrid no jogo desta quarta-feira. O 4-3-1-2 de Zidane tinha dinâmica, marcação alta, intensidade e compactação. Destaque para a força do lado esquerdo com as ótimas subidas de Marcelo, um dos melhores em campo junto com o ET Cristiano Ronaldo.

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A segunda etapa começou com a Juventus tentando o empate a todo o custo, fato que obrigou Zidane a sacar Benzema para a entrada de Lucas Vázquez e rearrumar sua equipe num 4-1-4-1 com CR7 na referência. Falando no português, além do golaço de bicicleta, ele atingiu a marca de quatorze gols em nove partidas na edição atual da Liga dos Campeões. Números impressionantes para um jogador que não se cansa de quebrar recordes e encantar os admiradores do velho e rude esporte bretão. A tarefa do Real Madrid ficaria ainda mais fácil com a expulsão de Dybala e o gol de Marcelo (outro que jogou demais) em tabela com CR7. Ainda houve tempo para Kovacic acertar a trave de Buffon em belo chute de fora da área e para Cristiano Ronaldo perder uma chance incrível quase na linha da pequena área. Mas a festa do Real Madrid estava completa com uma atuação de gala de toda a equipe. Tanto nos âmbitos técnicos como nos quesitos táticos. Enfim, vitória incontestável dos comandados de Zidane.

A expulsão de Dybala depois do golaço de CR7 praticamente acabou com qualquer possibilidade de reação da Juventus de Massilimiliano Allegri. Zidane mexeu no time e descansou alguns dos seus jogadores, mas manteve o 4-1-4-1 do início da segunda etapa diante de um adversário que se defendia como podia num 4-4-1. Vitória incontestável.

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Difícil dizer se a Juventus terá força para reverter essa vantagem dentro do Santiago Bernabéu no jogo de volta das quartas de final. Massimiliano Allegri apostou no posicionamento de Alex Sandro pela esquerda com o objetivo de fechar as descidas de Modric pelo setor, mas acabou se esquecendo de Isco e Marcelo pelo outro lado. Falta à Vecchia Signora a mesma mobilidade da temporada passada. Assim como também faltou Dybala, acanhado demais (foi praticamente colocado no bolso por Casemiro) numa partida em que seu talento era muito necessário para a equipe italiana. Também não há como negar que a Juventus sentiu e muito a falta do bósnio Pjanic nas bolas paradas e na organização da saída de bola. Mais uma vez os comandados de Massimiliano Allegri param no meio do caminho quando poderiam ter feito mais e melhor.

A tendência é que bater o Real Madrid na Liga dos Campeões da UEFA se torne uma tarefa cada vez mais complicada. Quando muitos davam a equipe merengue como “acabada” e outros apontavam um “fim de ciclo), ela ressurge das cinzas jogando o fino da bola e com seus principais nomes fazendo a diferença. E o que mais se pode falar de Cristiano Ronaldo? Maior artilheiro da Champions League, melhor jogador do mundo e ainda fazendo a diferença aos 33 anos de idade. Só sei que eu e você vamos poder dizer aos nossos netos que tivemos o prazer de vê-lo em campo assim como nossos avós tiveram o prazer de ver Pelé jogar. Abençoado seja o velho e rudo esporte bretão.