Futebol

Na Eslováquia, brasileiro revela que largou faculdade para jogar futebol: ‘sonho de infância’

Publicado às

Colaborador do Torcedores

Crédito: Arquivo Pessoal

Muitos garotos sonham em jogar futebol. No entanto, a carreira tem caminhos tortuosos e, às vezes, é preciso abrir mão de algumas coisas para seguir em frente. Foi o caso de André Vasconcellos, 22 anos, que largou a faculdade e hoje atua na segunda divisão da Eslováquia.

Natural de João Monlevade, interior de Minas Gerais, o rapaz estava no quarto semestre do curso de Administração e havia feito intercâmbio para aprimorar o inglês, sem ter mais pretensões no futebol. Foi então que a oportunidade apareceu.

“Acertei as coisas com meu empresário para ir à Eslováquia. Só depois comuniquei para a família que iria largar os estudos e me arriscar novamente. Meu pai, que sempre sonhou comigo, me apoiou, mas fui chamado de ‘louco’ por alguns”, disse ao Torcedores.com.

Fã de Cristiano Ronaldo, André contou que a adaptação foi muito difícil por se tratar de uma cultura diferente, principalmente em relação ao clima. As temperaturas costumam chegar a -10ºC no inverno e, nos intervalos dos jogos, é preciso colocar o pé em secador para aquecer os dedos.

Além disso, outra adaptação que se fez necessária ao jovem de 22 anos está dentro das quatro linhas, no que diz respeito à maneira como o futebol é praticado na Eslováquia, definindo por ele como de ‘intensidade alta’.

“É tudo bastante técnico. Sou atacante, mas preciso também ajudar na defesa. Eles gostam e priorizam muito o passe e a posse de bola. O futebol não é tão valorizado quanto no Brasil, mas tenho estrutura, segurança e conforto”, completou.

Xenofobia

Casos de discriminação, em um mundo cada vez mais globalizado, no qual as fronteiras ficam cada vez menores, ainda acontecem e na Eslováquia não é diferente, e eles são ‘frequentes’, conforme conta André.

“É preciso ter um bom psicológico para lidar com isso. Te insultam, chamam de ‘Cigano’. Um amigo veio jogar aqui e a torcida imitou um macaco. Isso nunca aconteceu comigo, mas diariamente na rua as pessoas olham estranho, não gostam de dar informação porque acham que somos imigrantes”, revelou.

A fala de André vai de encontro à realidade encontrada por países europeus que têm recebido refugiados de diversas partes do mundo. Segundo estudo do instituto norte-americano Pew Research Center, foram 168 mil pedidos de asilo no continente europeu somente ao longo do ano passado.

Voltar ao Brasil

Mesmo atuando em uma liga alternativa na Europa, o atacante afirma que, em um primeiro momento, não pretende retornar para seu país de origem, pois quer se firmar no futebol do Velho Continente.

“As melhores ligas estão aqui (na Europa) e também tenho segurança. Quero evoluir e disputar os principais campeonatos para depois, quem sabe, defender algum time brasileiro. Se acontecer, gostaria do Atlético-MG, porque seria um sonho do meu pai”, disse.

LEIA MAIS
POGBA E MEIA DO WEST HAM ‘SAEM NA MÃO’ DURANTE JOGO, MAS RIEM AO APITO AFINAL
ZAGUEIRO DA ALEMANHA REVELA CONVERSA NO VESTIÁRIO DURANTE INTERVALO DO 7×1
8 JOGADORES QUE VÃO DESFALCAR SUAS SELEÇÕES NA COPA DO MUNDO