Mídia Esportiva

A Copa Nos Olhos dos Jornalistas

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Colaborador do Torcedores

Jornalistas na zona mista na CBF (Foto: Thiago D'Amaral)

Foto: Jornalistas na zona mista na CBF (Foto: Thiago D'Amaral)

Crédito: Jornalistas na zona mista na CBF (Foto: Thiago D'Amaral)

Jornalistas esportivos contaram ao Time do Tas sobre como é cobrir o maior torneio de seleções do mundo

A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do planeta. Na competição, tão importante quanto os jogadores e torcedores, são os jornalistas que se destinam a contar as grandes histórias. Durante o anuncio dos 23 convocados pelo técnico Tite, conversamos com alguns profissionais sobre como é cobrir o Mundial.

A cada quatro anos, a Copa mobiliza dezenas de milhares de jornalistas de diversas parte do mundo para cobrir o Mundial sob diferentes angulações. São estes profissionais os responsáveis por transmitir a seus respectivos países todo o clima do Mundial.

“Para um jornalista que se dedica ao futebol, a Copa do Mundo é o grande fórum, o grande evento do ambiente do futebol. Então eu acho que é uma grande recompensa. Até imagino que várias pessoas, cada uma tenha suas inspirações diferentes. Mas penso que na grande maioria, para o jornalismo esportivo, o grande sonho é estar em uma Copa do Mundo”, disse o jornalista do O Globo, Carlos Eduardo Mansur, que vai cobrir seu quarto Mundial.

A Copa do Mundo para o Jornalista

Para muitos jornalistas, o sentimento de cobrir de perto um Mundial é comparado ao de um jogador quando convocado para a seleção de seu país. O prazer e a responsabilidade são imensos.

O repórter da Rede Globo, Tino Marcos, está indo para sua oitava Copa do Mundo e mesmo assim ainda resplandecia em seus olhos a alegria de cobrir mais uma edição do Torneio.

“Acho que a Copa tem sempre uma transcendência única. Ela é sempre como se fosse a primeira vez. Eu estou aqui ansioso com a convocação e já tenho tantos anos de seleção brasileira. Eu espero uma Copa com a grandiosa que é sempre um Mundial de futebol. Que é para mim o maior evento que existe. E é uma alegria imensa, um orgulho enorme poder estar perto, cobrindo uma Copa do Mundo que é algo que mobiliza todo Brasil”, afirmou Tino.

Tino Marcos é veterano em coberturas de Copa do Mundo (Foto: Reprodução/Rede Globo)
Tino Marcos é veterano em coberturas de Copa do Mundo (Foto: Reprodução/Rede Globo)

O comentarista dos canais ESPN, Gustavo Hofman, que vai para sua segunda Copa in loco falou sobre a paixão envolvida na cobertura de um evento como este. Para Hofman, cobrir o Mundial é o grande objetivo profissional na carreira de qualquer jornalista que se dedica ao futebol.

“Eu fiz Jornalismo para fazer isso, eu fiz Jornalismo para cobrir uma Copa do Mundo. Eu joguei basquete, mas o futebol sempre foi minha paixão como torcedor. E eu transportei isso para minha profissão. Sou apaixonado pela minha profissão, sou apaixonado pelo trabalho que essa minha profissão rende”, disse Hofman.

A apresentadora da Rede Globo, Glenda Kozlowski, ressaltou a seriedade de se cobrir um evento destas proporções. Segundo a apresentadora, a responsabilidade de fazer um bom trabalho se torna ainda maior pelo fato do futebol ser “o nosso esporte número 1”.

“Eu acho que a gente trata o esporte às vezes como entretenimento e não é só entretenimento. Ali são vidas dedicadas aquilo, pessoas que abriram mão de tantas coisas pra poder treinar, para poder acompanhar seus filhos, enfim. São histórias muito reais ali dentro de cada camisa, de cada seleção. Então tem que ser tratado com muita responsabilidade.”, explicou Glenda.

Contudo, alguns profissionais, como o jornalista do Portal Terra, Silvio Barsetti, não enxergam apenas os aspectos positivos do Torneio. O repórter faz severas críticas principalmente à Entidade que organiza a competição.

“Eu sei que, a história do futebol mostra isso, sempre há arranjos, outros interesses que a gente não consegue descobrir e que muitas vezes conduzem a competição. Evidente que quando você tem um time como de 1970 da seleção brasileira não tem como ser derrotado. Então, quer dizer, fora de campo, a FIFA continua sendo sinônimo de corrupção para mim. A arbitragem não é confiável. Os interesses comerciais em cima, cada vez mais pesados. Então isso tudo cria uma outra Copa, uma Copa paralela”, disse Barsetti.

Preparação

Participar de um evento da magnitude de um Mundial exige uma grande preparação por parte do profissional da imprensa. Ainda mais por ser em um país com uma cultura e uma língua tão diferentes das nossas. O comentarista do Fox Sports, Paulo Vinicius Coelho, falou que está tendo aulas de russo antes de embarcar para a Copa.

“Por ser uma Copa em um país que é enorme, tem uma língua que pouca gente fala. Eu estou estudando russo, para tentar falar um pouco de russo quando chegar lá. Não é como quando a gente fazia a Copa do Mundo da Alemanha porque você conseguia falar inglês.”, comentou PVC.

O comediante e jornalista da MIX FM, Marcelo Smigol, também comentou, de forma bem-humorada como está sendo sua preparação para o Mundial da Rússia.

“O preparo é “Stravinsky”, “stravusk”. E eu acho que a preparação que a gente tem que fazer são exercícios que a imprensa toda tem que fazer. O que eu acho é que a Copa do Mundo é mais da coisa do entretenimento, da alegria e não ficar só focando no resultado”, contou Smigol.

Outro elemento importante da preparação é a forma com que o jornalista vai se comunicar com o público. O repórter da Rede Globo, Eric Faria, lembrou da importância de se ter dimensão do tamanho de uma Copa do Mundo. Para o repórter, o trabalho jornalístico se torna ainda mais desafiador por conta da competição, geralmente, atrair telespectadores diferentes dos habituais.

“Não é mentira que, aqui no Brasil, muitas pessoas se ligam em futebol na época da Copa do Mundo e isso independente de sexo e de idade. Então, passa tudo a ser relevante e é importante que a gente tenha sempre em mente que nós estamos falando para muita gente que não acompanha o futebol no dia-a-dia”, explicou Eric.

Dicas aos iniciantes

Os jornalistas supracitados não são marinheiros de primeira viagem. Pelo contrário, todos possuem, ao menos, uma Copa do Mundo acompanha in loco no currículo. Por conta disto, pedimos para que transmitissem conselhos para os jornalistas que estarão em sua primeira cobertura. Como o caso do Time do Tas.

Para o jornalista do O Globo, Carlos Eduardo Mansur, é importante se aprofundar nas questões ligadas ao jogo de futebol como a parte tática. Porém, sem esquecer dos conceitos básicos do jornalismo como “apuração, contar histórias, conversar com as pessoas, ouvir os dois lados e checar as notícias”.

“A gente faz jornalismo esportivo, mas a gente também é jornalista. Então é nunca perder a paixão pela busca da informação correta, da precisão. Hoje em dia, como a gente tem um crescimento muito bom da análise, o que é algo muito louvável para o nosso entendimento do jogo e até para o trabalho jornalístico. Mas temos visto gente calcando demais o trabalho exclusivamente na análise. O sujeito acha que só porque pode fazer um relatório sobre como joga um time, ele se torna jornalista esportivo. Não, não é isso”, apontou Mansur.

O apresentador do SporTV, Bruno Cortes  deu sugestões de como cobrir a Copa à distância. Responsável por cobrir duas Copas do Mundo, desta vez o profissional não está na equipe que viaja para a Rússia. De acordo com o profissional, o importante é tentar buscar pautas interessantes pelo Brasil.

“Acho que é tentar ficar ligado em histórias legais. São tantas, não só no futebol, mas acho que cada jogador tem uma historinha legal pra contar, cada seleção tem uma história bacana. Então é tentar, pelo menos, sair um pouco do óbvio, que todo mundo está vendo. Se a gente conseguir, de algum jeito, tentar mostrar uma história que nem todos conheçam, pelo menos aqui no Brasil, já é bacana. É uma dica”, contou Bruno.

O comentarista Gustavo Hofman sugeriu ficar atento a repercussão da imprensa brasileira e internacional durante o período do Mundial.

“Acho interessante, legal ficar atento ao que a imprensa alemã publica, ao que a inglesa publica, a francesa. Para passar para o torcedor que vai acessar o site o que se fala e se noticia nos outros países, além do Brasil”, afirmou Hofman.

– Com a colaboração de Thiago D’Amaral