Hooligans preocupam organizadores da Copa do Mundo

Crescente desde a última Eurocopa, o número de hooligans dentro da Rússia é grande e já preocupa os organizadores e fãs que estão a caminho da festa.

Thiago D Amaral
Colaborador do Torcedores

Crédito: YouTube

Se você pensa que os conflitos de torcedores é algo que só existe em nosso país, está redondamente equivocado. Seja por rivalidades históricas ou rixas políticas, as brigas envolvendo os chamados hooligans também são algo usual no continente europeu e, por conta de casos recentes, preocupa bastante os organizadores da Copa do Mundo. Envolvendo os donos da casa, esses casos parecem ser somente um “esquenta” para o que ainda está por vir.

Em 2016, durante a Eurocopa na França, a cidade de Marselha se tornou uma verdadeira praça de guerra entre hooligans ingleses e russos, nas vésperas do confronto entre as duas seleções. Dentro do estádio, novas ocorrências, que assustaram a todos no mesmo ambiente. Os motivadores vão muito além da partida que ocorreria dentro de campo. Com a anexação da Crimeia por parte dos russos, a Grã-Bretanha foi uma das federações a pedir sanções ao governo de Vladimir Putin, algo que acirrou o clima entre os governos. Nos últimos meses, novas farpas foram trocadas entre os governantes por conta da morte do ex-espião russo Sergei Skripal em territórios britânicos. Tal fato só ampliou o clima de tensão que já existia entre os dois países.

Além das questões políticas, existe ainda uma questão de orgulho para os russos. O hooliganismo foi, praticamente, criado e institucionalizado na Inglaterra durante os anos 80 e 90, tendo episódios históricos como a Tragédia de Heysel na final da Champions League de 1985, em que torcedores do Liverpool entraram em confronto com os da Juventus, agredindo-os de forma brutal e sangrenta. Os hooligans russos reconhecem a história dos ingleses, mas ressaltam que querem mostrar que estão mais preparados do que eles jamais estiveram. “Os ingleses eram nossa escola. Agora que perdemos nossos pais, nós os alcançamos”, disse Yevgeny Malinkin, hooligan russo, ao New York Times.

Tais frases, mesmo parecendo absurdas, possuem certa adesão por parte dos líderes locais. Alguns políticos importantes no país já se mostraram favoráveis a esse tipo de movimento, pois mostra a força do povo russo perante o mundo. A ideia de um “torneio” que coloca frente a frente esses torcedores já foi colocada pelo parlamentar Igor Lebedev.

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Outro fato que é preocupante foi a reunião entre líderes russos com lideranças Barra Brava (nomenclatura dada às organizadas argentinas), em Buenos Aires no último mês de fevereiro. A ideia da conversa era de unir forças desses dois movimentos contra os ingleses, uma vez que ainda existem fortes resquícios de rivalidade entre argentinos e britânicos por conta da Guerra das Malvinas.

Além da Inglaterra, outro país que pode ter torcedores envolvidos em conflitos com os anfitriões é a Polônia. A rivalidade entre os dois povos existe desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a antiga União Soviética fez do território polonês uma de suas áreas de influência, implementando o socialismo na região. Uma mostra de que essa rixa ainda existe são as imagens de conflitos na Euro de 2012, ocorrida na Polônia e na Ucrânia, em que torcedores da Rússia e da Polônia se degladiaram no dia do confronto entre as duas seleções.

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