PAPO TÁTICO: Real Madrid conquista sua décima-terceira Liga dos Campeões com golaço, falhas de Karius e drama de Salah

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que é MUITO DIFÍCIL bater o Real Madrid numa Liga dos Campeões 2017/18. Quase impossível. E digo isso sem cair em qualquer teoria da conspiração levantada por este ou aquele nas redes sociais. Fazendo um paralelo com a América do Sul, é como se o time merengue soubesse todos os atalhos da competição continental do mesmo modo que Grêmio, Boca Juniors, Peñarol e outras equipes tradicionais conhecem os caminhos da Libertadores da América. Mas a décima-terceira conquista da equipe madrilenha foi marcada por lances de rara beleza como o golaço de bicicleta de Gareth Bale, as falhas do goleiro Karius e o drama do egípcio Mohamed Salah, que deixou o jogo ainda na primeira etapa após lance desleal de Sergio Ramos. No final das contas, o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Marcelo, Modric e Casemiro foi vencedor com sobras e o Liverpool de Jürgen Klopp, Sadio Mané e Roberto Firmino foi valente, mas não conseguiu se recuperar após a saída de seu principal jogador. Mais uma conquista para o escrete merengue.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

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Quando a bola rolou no Estadio Olímpico de Kiev, o que se viu foi um Liverpool partindo pra cima do Real Madrid e abafando a saída de bola com muita intensidade e movimentação do trio ofensivo formado por Sadio Mané, Roberto Firmino e Mohamed Salah. O 4-3-3 de Jürgen Klopp amassava o Real Madrid no seu campo e dificultava muito a vida de Casemiro, Modric e Toni Kroos na saída de bola. Já o Real Madrid seguia jogando no seu esquema tradicional, com Isco percorrendo todo o campo, mas fazendo boa dupla com Marcelo no lado esquerdo e explorando as subidas do bom lateral Alexander-Arnold ao ataque. Aos poucos, o time de Zinedine Zidane foi igualando as ações no meio-campo, mas seguia sofrendo com a marcação do rival inglês. Foi assim até os trinta minutos da primeira etapa, quando Sergio Ramos derrubou Salah e este lesionou o ombro. A saída do seu melhor jogador simplesmente murchou o Liverpool que se via com muitas dificuldades para segurar o ímpeto merengue em Kiev. Nesse momento, o técnico Jürgen Klopp rezava para que o intervalo chegasse o mais rápido possível.

O Liverpool era melhor na partida até a saída de Salah por conta de uma lesão no ombro. Jürgen Klopp mandou Lallana para o jogo, mas todo o time sentiu a ausência do seu principal jogador diante de um Real Madrid acostumado a decisões e forçando pela esquerda com Marcelo e Isco e acelerando pela direita com Nacho e Cristiano Ronaldo.

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É muito complicado falar da atuação do Real Madrid (que, repito, mereceu sim conquistar a Liga dos Campeões) sem falar da saída de Mohamed Salah. As primeiras informações que surgiram após a saída do craque egípcio de campo foi que ele lesionou o ombro e precisa de cirurgia, fato que também o deixa de fora da Copa do Mundo da Rússia. Difícil ver o lance de Sergio Ramos como algo “do jogo” e algo “natural” como alguns comentaristas mais famosos insistiram durante as transmissões. Este que vos escreve viu má fé do zagueiro espanhol. O ato de entrelaçar os braços e jogar o peso do corpo sobre o adversário para que ele caísse sem proteção alguma parece coisa de quem já conhece os “atalhos” da vitória. Mesmo que sejam os mais sujos. E se você acha que há exagero nessas palavras, reveja o jogo da decisão da Copa das Confederações de 2013 e confira quantas vezes Sergio Ramos foi desleal nessa partida. O Real Madrid poderia ter vencido com Salah em campo sem muitos problemas. Mas, como dissemos, é muito difícil fechar os olhos para mais uma deslealdade do zagueiro espanhol.

Salah deixou o jogo e pode perder a Copa do Mundo por causa do jogo sujo de Sergio Ramos. Foto: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League.

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O Liverpool até voltou um pouco melhor distribuído em campo, mas seguia sofrendo com a falta de mobilidade dos seus jogadores (sobretudo Firmino) após a saída de Salah. Depois de uma bola na trave de Isco, Benzema aproveitou cochilo de Karius (o primeiro) e abriu o placar. Sadio Mané (o melhor do time inglês disparado) chamou a responsabilidade e carimbou a trave antes de empatar a partida depois de cobrança de escanteio da esquerda. Zidane sentiu que o adversário crescia na partida e mandou Gareth Bale a campo no lugar de um Isco sumido demais para quem disputava uma final de Liga dos Campeões. E quiseram os deuses do velho e rude esporte bretão que o galês se transformasse no nome do jogo com um belo gol de bicicleta e um chute de longe que Karius (no seu segundo cochilo) aceitou. Com o jogo controlado, Zidane (que já tinha perdido Carvajal no primeiro tempo) sacou Benzema para a entrada de Asensio e só administrou a vantagem até o apito final adotando o mesmo 4-3-3 do Liverpool.

Gareth Bale entrou com o Real Madrid na frente e marcou mais duas vezes. O primeiro, uma pintura. E o segundo numa infelicidade total do goleio Karius. Zidane só pediu para o time administrar o resultado até o apito final diante de um Liverpool que não conseguiu superar todas as adversidades de uma decisão da Liga dos Campeões da UEFA.

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A cena de Karius (visivelmente emocionado e chateado por suas falhas na partida) pedindo desculpas para a torcida do Liverpool em Kiev foi de fazer até mesmo o mais sanguinário dos ogros se emocionar. Assim como o reconhecimento de toda a torcida dos Reds pela vontade que o time teve em campo diante de um adversário muito mais qualificado e muito mais preparado para conquistar uma Liga dos Campeões. Principalmente por conta do carisma e da maneira como Jürgen Klopp conseguiu motivar seus jogadores para uma partida com a importância de uma final de Champions. O alemão chegou ao seu segundo vice-campeonato, mas foi aplaudidos por todos no estádio. Assim como Sadio Mané, o grande nome do Liverpool no jogo. O senegalês chamou a responsabilidade após a saída de Salah e quase levou a defesa do Real Madrid à loucura com as suas descidas pela direita. Pena que no final, a qualidade do elenco merengue tenha feito a diferença na decisão.

Zinedine Zidane se iguala a Bob Paisley e a Carlos Ancelotti como os treinadores que conseguiram mais títulos de Liga dos Campeões da UEFA na história (três no total). O feito do francês ainda é mais significativo: desde o Bayern de Munique (em 1974, 1975 e 1976), nenhum time conseguia três títulos consecutivos no torneio mais importante do Velho Continente. A geração de Cristiano Ronaldo, Marcelo, Casemiro, Modric, Benzema, Sergio Ramos, Carvajal, Gareth Bale e Isco é coroada com mais uma conquista importantíssima e todos eles entram de vez para a história. Qual será o limite desse Real Madrid? Ainda existe alguma coisa para se tirar desse grupo? Teremos renovação em alguns nomes? CR7 vai permanecer no escrete merengue ou vai deixar o clube? Só o tempo pode responder essas perguntas. Mas certo é que o Real Madrid segue como o clube a ser batido no mundo e todo esse elenco segue sendo um dos mais qualificados de toda a história da competição.