Mídia Esportiva

Pérolas dos bastidores de uma Copa do Mundo

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Lucas Meireles

Time do Tas conseguiu ‘arrancar’ de alguns jornalistas histórias curiosas vividas nos bastidores da Copa do Mundo

Ponto alto na carreira de todo jornalista esportivo, a Copa do Mundo não é palco apenas das grandes reportagens. O período da competição também é recheado de momentos peculiares e causos engraçados em seus bastidores. Aproveitamos o anúncio dos 23 convocados pelo técnico Tite para ouvir histórias marcantes vivenciadas por alguns profissionais da imprensa brasileira.

O trabalho em uma Copa não se restringe às reportagens publicadas nos portais e jornais impressos, aos boletins radiofônicos ou as matérias veiculadas pelas emissoras de televisão. O fato de estarem em um país estrangeiro, longe de casa, entrando em contato com diferentes culturas faz com que os jornalistas passem por acontecimentos que sequer chegam ao conhecimento do público. Pelo menos até agora.

Silvio Barsetti ‘perdido’ na Itália

Silvio Barsetti (Frame: Reprodução)
Silvio Barsetti (Frame: Reprodução/SporTV)

O repórter do Portal Terra, Silvio Barsetti, contou sobre a Copa do Mundo de 1990 quando se perdeu à procura do credenciamento no desembarque em Roma, na Itália.

“Eu não durmo em avião, então você imagina. Cheguei um zumbi. Meu inglês sempre foi ruim. Arranho no italiano, mas muito mal. Me garanto mesmo no português e mesmo assim, se for para fazer uma prova assim e tal, não devo levar 10 não. Ai, o que acontece. Cheguei lá no aeroporto, em Roma, e encontrei um jornalista chileno que também queria se credenciar logo. Começamos a conversar, nós viemos no mesmo voo que ia cobrir a Copa, e ficamos interessados em nos credenciar logo, mas a gente não sabia aonde. Então a gente pegou um folder, que era da FIFA, e loucamente começou a achar que era naquele endereço. E para ir naquele endereço, eu com duas malas pesadas, ele com duas malas pesadas, a gente começou a pegar ônibus, pegamos um táxi, pegamos outro ônibus. Sei que levamos uma viagem de três horas para chegar no endereço tal. (Quer dizer) chegamos próximos do endereço tal, porque tinha que subir uma ladeira. Imagina, uma ladeira a pé, cada um arrastando duas malas pesadas. Chegamos finalmente na sede da FIFA local. E ma verdade não era sede da FIFA local, era o Centro de Segurança da Copa do Mundo da Itália. Era só o Centro de Segurança! O credenciamento era no Aeroporto mesmo. Isso virou folclórico, essa idiotice. Hoje é engraçado, mas na época eu me xinguei muito”, contou Barsetti.

 Tino Marcos e o ‘disfarce’

Tino Marcos (Frame: Reprodução)
Tino Marcos (Frame: Reprodução/Rede Globo)

O experiente repórter da Rede Globo, Tino Marcos, que já cobriu 7 Copas do Mundo, relembrou uma história vivida na final entre Brasil e Itália, no Mundial de 1994, realizado nos Estados Unidos.

“Na época o repórter não podia ir para dentro de campo e eu fui como um auxiliar de câmera, meio disfarçado e tal, com o microfone desmontado. Ai montei tudo isso durante os pênaltis. Estava atrás do gol do Taffarel. Ai deu tudo certo, o Brasil foi campeão, eu consegui entrevistar uns cinco jogadores. Então foi um momento inesquecível para mim. A grande pérola da minha carreira foi aquele momento, aquele 17 de Julho lá nos Estados Unidos.”, contou Tino.

Gustavo Hofman e os jogadores alemães na praia

Gustavo Hofman (Foto: Divulgação)
Gustavo Hofman (Foto: Divulgação/ESPN)

O comentarista dos canais ESPN, Gustavo Hofman, falou sobre sua experiência durante a Copa do Mundo de 2014, enquanto cobria a seleção da Alemanha.

“Aquilo ali foi espetacular. Foram quarenta dias viajando, acompanhando a rotina da seleção alemã, que rendeu até um livro. Mas escolher uma história do que eu vivi lá. A entrevista com o Neuer e o Schweinsteinger que eu fiz nas areias da praia da Vila de Santo André, em Santa Cruz de Cabrália. Aquilo ali foi muito legal, chegar lá, poder bater um papo com Schweinsteinger e o Neuer, os dois lá de sunga, tranquilos, tomando Sol, falando sobre futebol. Eles dois me perguntando muito sobre o Brasil, sobre a cobertura da imprensa. Se for para pegar algo dessa história gigantesca e sensacional que eu tive com a Alemanha, essa historinha foi bem legal”, lembrou Hofman

Carlos Eduardo Mansur e a reunião da comissão técnica

Carlos Eduardo Mansur (Frame: Reprodução/SporTV)

O jornalista do O Globo, Carlos Eduardo Mansur, também relembrou um acontecimento da última Copa do Mundo. A emblemática reunião entre o técnico Luis Felipe Scolari, o diretor de seleções Carlos Alberto Parreira e um grupo de jornalistas.

“Para mim um dos acontecimentos que mais me marcou foi na Copa do Brasil quando eu acabei presenciando a famosa conversa do Felipão e do Parreira com um grupo de jornalistas com a Copa do Mundo em andamento, o que foi uma situação um tanto inusitada. Ali para mim foi uma conversa que, primeiro fugia a rotina – um grupo de jornalistas ter acesso a cúpula da comissão técnica – e que revelou, pelo menos para mim, uma comissão um tanto insegura com o trabalho. Porque um dos objetivos daquela conversa foi que se propagasse uma versão de que havia uma situação de um trabalho de bastidores, de arbitragem, contra a seleção brasileira. Tentando convencer parte da imprensa que propagasse para que o Brasil pudesse fazer uma pressão de bastidores favorável a seleção brasileira. Aquilo me deixou mal impressionado. Mostrou uma comissão insegura naquele momento. Você se mobilizar no meio da Copa para tentar propagar uma versão como essa. Ali se originava de outros fatores, o Brasil tinha tido um pênalti duvidoso a favor no início e muitos países começaram a reclamar e a seleção tentou empregar um contra veneno, algo absolutamente dispensável”, contou Mansur.

Smigol e a ‘invasão’ ao Itaquerão

Marcelo Smigol (Foto: Divulgação)
Marcelo Smigol (Foto: Divulgação/Smigol)

O comediante e jornalista da Mix FM, Marcelo Smigol contou uma história sobre o Mundial de 2014, quando estava trabalhando para o SBT.

“A gente não tinha credenciamento que o SBT não tinha direitos para fazer imagem, jogo, nada. E a gente pegou uma equipe gigante do SBT com Lívia Andrade, Porpetone, segurança, maquiagem, estagiário, produtor de externa. Pagou uma van… Uma não, duas. E fomos entrando e gravando. E a gente entrou dentro do Itaquerão, no primeiro jogo do Brasil na Copa, sem credencial, sem nada. E assistimos o jogo, sem gravar, porque a gente não podia, não tinha os direitos, mas foi um tremendo furo. Porque Copa do Mundo, você imagina? Uma segurança absurda, mas fomos entrando e gravando. Os caras nem olharam credencial, nem nada. Acontece. Mas na Rússia eu não quero problema, que lá é máfia…”, confidenciou Smigol.

Glenda Kozlowski e a ‘Copa sem glamour’

Glenda Kozlowski (Foto: Reprodução)
Glenda Kozlowski (Foto: Divulgação/Rede Globo)

Enquanto praticamente todos os jornalistas exaltaram a honra que é estar em uma Copa do Mundo, a apresentadora da Rede Globo, Glenda Kozlowski, resolveu falar do lado, digamos, menos charmoso da cobertura do Torneio.

“Copa do Mundo é aquela história: não dorme direito, não come direito, viaja-se muito, sem glamour. Você passa sua própria roupa, lavando sua roupa. Tem que fazer a própria maquiagem, tem que ver se o cabelo está bom. Se tiver saudade da família, dá uma disfarçadinha e chora um pouquinho ali de noite, levanta e vai embora trabalhar. Acho engraçado que as pessoas olham para gente com muito ‘Oh! Vai pra Copa do Mundo!’. Mas é duro, é muito duro trabalhar num grande evento. São horas e horas de muito trabalho, não tem folga, não tem passeio turístico. Tem muitos lugares que a gente passa e não consegue nem conhecer direito. Então, é muito trabalho. Acho que esse bastidor de grande evento, não só de Copa do Mundo, não aparece muito e toda vez que a gente vai viajar pra um, a gente lembra: ‘Ai, meu Deus do céu! Lá vou eu fazer tudo sozinha! Dormir pouco, comer pouco, emagrecer…’ Mas é muito divertido”, revelou Glenda.

– Com a colaboração de Thiago D’Amaral