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De ‘traidor’ a titular da Rússia; Conheça o perfil de Mário Fernandes

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/Site Oficial da Federação Russa de Futebol

Na vitória da Rússia sobre a Arábia Saudita, pela partida de abertura da Copa do Mundo, dentre típicos sobrenomes russos, um nome em especial pode ter atraído a atenção dos brasileiros. Mário Fernandes, defensor da seleção russa e brasileiro de nascimento, foi titular do selecionado da casa na partida. Um jogo que reflete a ‘reviravolta’ na carreira do jogador.

O lateral saiu de ‘traidor’ por ter recusado uma convocação para a Seleção Brasileira para se tornar titular de outra seleção em uma Copa. O Torcedores.com faz um pequeno perfil de uma das figuras que podem virar motivo de discussão dos brasileiros durante o certame.

Começo e sucesso no Grêmio

Mário Fernandes nasceu em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Depois de um início no futsal, foi trazido para o time de campo do São Caetano, onde pela altura, passou a jogar como zagueiro. Jô, seu irmão, atuou também no futebol, como centroavante.

“Ele atuava na defesa, mas conseguia driblar meio time adversário e marcar gols. Tem uma técnica fora de série para um zagueiro”, afirmou ao jornal El País Dino Camargo, ex-técnico do jogador.

Em 2009, trocou o Azulão pelo Grêmio, que pagou R$ 1 milhão pelo jogador. Foi no Tricolor gaúcho que o zagueiro apareceu para o futebol mundial, deslocado da zaga para a lateral-direita. Com o sucesso com a camisa gremista, veio o CSKA Moscou, que o comprou em 2011 e time pelo qual atua.

Talento e confusões

O talento do jogador é elogiado por muitos que falam do atleta, mas com todo o bom desempenho em campo do lateral, vieram as confusões. Desde o São Caetano, sumiços de treinamentos se tornaram notórios. Na chegada ao Grêmio, chegou a sumir por cinco dias, sendo encontrado em Jundiaí (SP).

“Craques são assim, meio dispersos. Para o Mário, jogar uma pelada ou uma Copa do Mundo é a mesma coisa, ele trata a bola com a mesma facilidade”, disse Dino.

Mário Fernandes, traidor

No entanto, a confusão que tornaria o hoje jogador russo notório aconteceria com a Seleção Brasileira. Convocado para o Superclássico das Américas contra a Argentina, Mário Fernandes simplesmente recusou a chance de jogar com a camisa brasileira. O jogador não quis se apresentar ao time então comandado por Mano Menezes.

O fato de ter ficado na reserva em outra partida do Superclássico contra os argentinos teria sido o motivo que levou o jogador a ter recusado se apresentar à Seleção. À Revista Placar, o pai do jogador, Mário Pérsio Fernandes, afirmou que seu filho não quis ‘vender a alma’ para jogar com a camisa brasileira.

Entretanto, o nome de Mário Fernandes voltaria a ser ligado ao Brasil. Na segunda passagem de Dunga pelo Brasil, o lateral foi chamado e atuou em um amistoso contra o Japão. A presença do nome do defensor foi bombardeada por críticas dos que não esqueceram a ‘traição’ do jogador do CSKA. Dunga alegou que ‘todos precisavam de uma segunda chance’.

Brasil não, Rússia sim

Mas aquela seria a única partida do jogador pelo Brasil. O destino do jogador, no entanto, passaria a ser o time do país que sedia a Copa. O lateral conseguiu a nacionalidade russa (com ajuda do presidente Vladimir Putin, que torce para o CSKA) e, desde então, defende o selecionado da ex-União Soviética.

Até a titularidade na Copa, o ex-zagueiro tem enfrentado broncas do técnico Stanislav Cherchesov, principalmente por falar pouco o idioma. Até mesmo foi comparado com um cachorro, por ‘entender tudo, mas não falar nada’ de russo.

“Fui recebido com muito carinho aqui. Estou feliz e não penso mais na seleção brasileira, que está bem servida de jogadores. Sempre quis ter o passaporte russo. Não me arrependo de nada”, disse o agora lateral titular da Rússia.

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(Crédito da foto: Divulgação/Site Oficial da Federação Russa de Futebol)