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ESPECIAL: Os 60 anos da Copa do Mundo de 1958 (Parte I – As feridas abertas da Seleção Brasileira)

Todos aqueles que amam o velho e rude esporte bretão sabem que o dia 29 de junho é uma data muito especial para o futebol brasileiro. Foi nesse dia, em 1958, que a Seleção Brasileira levantava a Jules Rimet pela primeira vez e conquistava a primeira Copa do Mundo da sua gloriosa história. E é claro que o TORCEDORES.COM não ia deixar passar a oportunidade de relembrar alguns dos grandes nomes da nossa Seleção. Iniciamos aqui uma série de reportagens sobre o mágico ano de 1958 com algumas histórias pitorescas e todo o trabalho feito por jogadores e comissão técnica que culminou na famosa cena do zagueiro e capitão Bellini levantando a taça de campeão depois da vitória sobre a Suécia na decisão. E como toda grande história tem um início, vamos tratar aqui de todo o contexto que permeava a preparação para a Copa do Mundo de 1958.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

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Antes de mais nada é preciso dizer que o torcedor brasileiro vinha de um período grande de decepções com a nossa seleção. Muito antes do famigerado 7 a 1, a grande dor vinha da derrota na final da Copa do Mundo de 1950, realizada aqui em nosso país. O time era comandado por Flávio Costa (treinador que trouxe as suas “diagonais” para o futebol brasileiro, uma espécie de releitura do WM) e contava com vários jogadores do Vasco da Gama, melhor equipe do Brasil naquele tempo. Goleadas como os seis a um em cima da Espanha (com direito a “Touradas em Madrid” entoadas pela torcida dentro do Maracanã) e os sete a um em cima da Suécia colocaram o time brasileiro (que ainda jogava de branco naquela época) como franco favorito ao título dentro de casa. Num tempo em que a Copa do Mundo não tinha uma “decisão” propriamente dita, o Brasil precisava de apenas um empate contra o Uruguai para se sagrar campeão.

Juan López Fontana Armou o Uruguai com um jogador atrás da linha de três zagueiros do WM semelhante ao sistema “verrou” da Suíça. O time comandado por Flávio Costa viu a Celeste conquistar a Copa de 1950 explorando o lado esquerdo da defesa brasileira com as descidas de Ghiggia nas costas de danilo Alvim e Bigode.

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No entanto, a categoria de Ademir Menezes, Danilo Alvim, Bigode, Zizinho, Jair Rosa Pinto e outros grandes craques não foi suficiente para derrotar a boa equipe do Uruguai de Obdulo Varela e Alcides Ghiggia. É bom lembrar que a Celeste Olímpica não utilizou o WM na partida decisiva. O técnico Juan López Fontana utilizou um zagueiro atrás da linha de três defensores repetindo o “verrou” (o popular FERROLHO) utilizado pela Suíça no empate com a Seleção Brasileira em dois a dois na segunda rodada do Mundial. Friaça abriu o placar aos dois minutos da segunda etapa. Juan Schiaffino empatou aos vinte e um e Ghiggia marcou o gol do título uruguaio a onze minutos do final da partida, para espanto e tristeza dos mais de 200 mil torcedores que estavam no Maracanã naquele dia 16 de julho de 1950. Jogadores como o goleiro Barbosa e o lateral-esquerdo Bigode foram os que mais sofreram com a ira de torcida e imprensa.

Para a Copa do Mundo seguinte, na Suíça, a cúpula da antiga Confederação Brasileira de Desportos (a CBD) apostou em Zezé Moreira, técnico mais pragmático do que Flávio Costa. O trauma de 1950 era tão grande que até mesmo o uniforme da Seleção Brasileira foi modificado. O branco foi embora e a tradicional camisa amarelinha apareceu para ficar. Sobre o time, nomes como Castilho, Baltazar, Julinho Botelho, Didi, Djalma Santos e Pinheiro formavam um time que aliava força na marcação e bom volume de jogo ofensivo. Mas os nervos ainda estavam em frangalhos. Após a vitória sobre o México na estreia (por cinco a zero), a Seleção Brasileira jogou a vida num empate contra a Iugoslávia quando os próprios adversários tentavam dizer que o resultado classificava as duas seleções para as quartas de final. A situação só foi esclarecida após o final da partida quando vários jogadores choravam uma eliminação no Mundial.

O técnico Zezé Moreira modificou meio time da Seleção Brasileira para o jogo contra a poderosa Hungria na famosa “Batalha de Berna”, na Copa de 1954. O escrete canarinho acabou não resistindo à intensidade e movimentação dos “Mágicos Magiares” que já jogavam no 4-2-4 com o retorno de HIdegkuti para o meio-campo.

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O adversário da Seleção Brasileira nas quartas de final da Copa do Mundo de 1954 era a poderosa Hungria de József Bozsik, Sándor Kocsis e Nándor Hidegkuti. E nem foi preciso que a lenda Puskás entrasse em campo. Preocupado com o que viu dos húngaros num treinamento, o técnico Zezé Moreira fez muitas modificações no time que entrou em campo. E os “Mágicos Magiares” foram completamente dominados dentro de campo. A derrota por quatro a dois ficou marcada pela chamada “Batalha de Berna” pelas faltas ríspidas durante os noventa minutos (Humberto Tozzi, Nilton Santos e Bozsik foram expulsos) e jogadores e dirigentes brasileiros e húngaros se envolveram numa briga generalizada após o apito final. Apesar do vexame dentro e fora de campo, os húngaros teriam boa parcela de responsabilidade no que estaria por vir quatro anos depois nos âmbitos técnicos e táticos aqui no futebol brasileiro.

De 1954 a 1958, a nossa seleção foi comandada por Osvaldo Brandão, Flávio Costa e Sylvio Pirillo (Teté e Pedrinho comandaram combinados gaúchos e baianos no Campeonato Pan-Americano de 1956 e na Taça Bernardo O’Higgins de 1957 respectivamente). Havia a expectativa de que algum deles fosse escolhido para começar a preparação para o Mundial da Suécia. Por isso que muitos se surpreenderam quando Vicente Feola, treinador bicampeão paulista com o São Paulo em 1948 e 1949, foi escolhido para ser o novo treinador do escrete canarinho. Mas isso é assunto para uma outra oportunidade. Confira aqui no TORCEDORES.COM toda a história da Copa do Mundo de 1958 e de todos aqueles que ajudaram a Seleção Brasileira a conquistar o primeiro mundial da sua história e acabar de vez com o trauma do início dos anos 1950.

FONTES DE PESQUISA:

=> Invertendo a Pirâmide, de Jonathan Wilson

=> As melhores Seleções Estrangeiras de todos os tempos, de Mauro Beting

=> As melhores Seleções Brasileiras de todos os tempos, de Milton Leite

=> Site oficial da FIFA

=> Site oficial da CBF