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ESPECIAL: Os 60 anos da Copa do Mundo de 1958 (Parte II – A escolha de Vicente Feola)

A Copa do Mundo da Rússia segue firme e forte. Mas nós aqui do TORCEDORES.COM continuamos com a nossa viagem até o ano de 1958 para contar a trajetória da Seleção Brasileira até a conquista do seu primeiro título mundial. Na primeira parte do nosso especial falamos de como estava o clima no país com relação ao escrete canarinho após o vice-campeonato mundial em 1950 e o fracasso na Suíça quatro anos mais tarde. Agora é a vez de falarmos de Vicente Feola, o responsável por convocar e armar o time que brilhou intensamente na Europa e entrou para a história como uma das melhores seleções de todos os tempos. O folclore diz que o treinador costumava tirar alguns cochilos no banco de reservas, mas a grande verdade é que Feola foi responsável por grandes inovações táticas em nosso futebol. Vamos nessa?

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: SVENSKT PRESSFOTO / SCANPIX / Domínio Público

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De 1954 a 1958, a nossa seleção foi comandada por Osvaldo Brandão, Flávio Costa e Sylvio Pirillo (Teté e Pedrinho comandaram combinados gaúchos e baianos no Campeonato Pan-Americano de 1956 e na Taça Bernardo O’Higgins de 1957 respectivamente). Havia a expectativa de que algum deles fosse escolhido para começar a preparação para o Mundial da Suécia. Por isso que muitos se surpreenderam quando Vicente Feola foi escolhido para ser o novo treinador do escrete canarinho. Inicialmente escolhido para ser o assistente-técnico, Feola implementou algumas mudanças na Seleção Brasileira. A primeira delas foi trazer aquilo que aprendeu com o húngaro Béla Guttmann na conquista do Campeonato Paulista de 1957. Difícil dizer se Guttmann se inspirou diretamente no 4-2-4 de Gusztáv Sebes no time vice-campeão de 1954. Certo é que o treinador húngaro trouxe inovações que foram apreendidas e implementadas por Feola na Seleção Brasileira.

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Num tempo em que quase todos os times do Brasil jogavam no WM, o São Paulo de Bélla Guttmann já jogava num 4-2-4 bem próximo ao utilizado pela Hungria em 1954. A diferença estava no homem que recuava para o meio-campo. No caso do time campeão paulista em 1957, Guttmann optou pelo já veterano Zizinho para organizar as jogadas.

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O técnico húngaro pediu a contratação do já veterano Zizinho (então com 35 anos) do Bangu e encontrou no jogador o seu meia criativo para implementar o 4-2-4 que já tomava conta do futebol brasileiro graças às diagonais de Flávio Costa e às inovações de outros treinadores como Martim Francisco (no Vila Nova de Minas Gerais) e Fleitas Solich (no Flamengo tricampeão carioca em 1953/54/55). A vitória sobre o Corinthians no jogo decisivo do Paulistão contou com jogadores que marcariam seu nome na história do futebol brasileiro como o lateral De Sordi, o zagueiro Mauro Ramos, o goleiro argentino Poy, o centroavante Gino Orlando e o ponta Canhoteiro. Foram vinte e três vitórias, nove empates e cinco derrotas, com 99 gols marcados e 43 sofridos no Paulistão de 1957, já pavimentando o terreno para as modificações que Vicente Feola realizou na Seleção. É impossível dizer se o técnico campeão em 1958 se inspirou em Béla Guttmann. Certo é que ele já acompanhava as mudanças que aconteciam no futebol.

Vicente Feola assumiu o comando da Seleção Brasileira no mês de março de 1958 e seu primeiro jogo na preparação para a Copa do Mundo da Suécia aconteceu no dia quatro de maio daquele ano, com uma goleada de cinco a um sobre o Paraguai, pela Taça Oswaldo Cruz. O time que entrou em campo já mostrava a organização tática daquele que brilharia na Suécia: Gylmar; De Sordi, Bellini, Zózimo e Oreco; Dino Sani e Didi; Joel, Vavá, Dida e Zagallo. E já no início dessa preparação ficava claro que Feola pretendia contar com uma equipe equilibrada e experiente e com uma certa inspiração no São Paulo de Guttmann. Didi ficava mais atrás armando o jogo e o capitão Bellini ficava mais na sobra com Zózimo saindo no encalço do atacante adversário. Mais à frente, Zagallo largava na frente de Pepe e Canhoteiro por fazer o trabalho de “formiguinha” percorrendo toda a faixa esquerda do campo. Tudo com marcação por zona ao invés das perseguições individuais.

Vicente Feola escalou o time acima na vitória por cinco a um sobre o Paraguai na Taça Oswaldo Cruz. Alguns nomes do time titular da Copa do Mundo mudariam, mas a essência já estava presente. Destaque para o trabalho de Didi no meio-campo e para a “formiguinha” Zagallo indo e voltando pela ponta-esquerda.

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Junto com Vicente Feola estavam Paulo Machado de Carvalho (empresário do ramo da comunicação e chefe da delegação), Paulo Amaral (preparador físico), Hilton Gosling (médico) e Carlos Nascimento (supervisor). A preparação para a Copa do Mundo de 1958 contou também com um levantamento completo da saúde e das condições físicas de cada jogador, incluindo visitas ao dentista, operações de amígdalas e combate à infecções. O grupo de trinta e três atletas passou  por um período de 40 dias de treinamento nas cidades de Poços de Calda e Araxá (ambas em Minas Gerais). Um nome de cada posição seria cortado, fato que acirrou a disputa por uma vaga no grupo final. A briga mais forte estava na ponta-esquerda, onde Pepe, Canhoteiro e Zagallo brigavam por duas vagas. No outro lado, ainda havia quem sentisse falta de Julinho Botelho (que jogava na Fiorentina naqueles tempos), mas o próprio descartou a possibilidade de ser convocado por julgar não ser justo ocupar a vaga de um atleta que atuava no futebol brasileiro.

A conquista da Taça Oswaldo Cruz sobre o Paraguai, duas vitórias sobre a Bulgária e uma goleada sobre o Corinthians definiram os cortes finais e a lista definitiva de vinte e dois jogadores. Os convocados foram os seguintes:

GOLEIROS => Gilmar (Corinthians) e Castilho (Fluminense)

LATERAIS => De Sordi (São Paulo), Djalma Santos (Portuguesa de Desportos), Nilton Santos (Botafogo) e Oreco (Corinthians)

ZAGUEIROS => Bellini (Vasco da Gama), Orlando Peçanha (Vasco da Gama), Mauro Ramos (São Paulo) e Zózimo (Bangu)

MEIO-CAMPISTAS => Zito (Santos), Didi (Botafogo), Dino Sani (São Paulo) e Moacir (Flamengo)

ATACANTES => Mané Garrincha (Botafogo), Vavá (Vasco da Gama), Pelé (Santos), Zagallo (Flamengo), Joel (Flamengo), Mazzola (Palmeiras), Dida (Flamengo) e Pepe (Santos)

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Ainda havia dúvidas com relação às condições físicas de Pelé (que havia se lesionado depois de uma entrada dura de Ari Clemente no amistoso contra o Corinthians) e se Garrincha deveria mesmo ser o titular. Como veremos mais tarde, a razão estaria com Feola, que apostou nos dois apesar das ressalvas feitas por membros da comissão técnica. A Seleção Brasileira estreou no Mundial da Suécia no dia oito de junho de 1958, contra a seleção da Áustria, terceira colocada na Copa do Mundo da Suíça, quatro anos antes. Mas isso é um assunto para a próxima edição da nossa série de reportagens especiais sobre o primeiro título mundial do escrete canarinho. Fique ligado aqui no TORCEDORES.COM e não perca nenhum capítulo dessa história.

FONTES DE PESQUISA:

=> Invertendo a Pirâmide, de Jonathan Wilson

=> As melhores Seleções Estrangeiras de todos os tempos, de Mauro Beting

=> As melhores Seleções Brasileiras de todos os tempos, de Milton Leite

=> Escola Brasileira de Futebol, de Paulo Vinícius Coelho

=> Site oficial da FIFA

=> Site oficial da CBF

=> RSSSF Brasil