Guia PAPO TÁTICO da Copa do Mundo 2018 – Grupo B

A coluna PAPO TÁTICO segue aqui no TORCEDORES.COM com a sua série de análises das seleções participantes da Copa do Mundo 2018. Rússia e Arábia Saudita já estrearam. E a sexta-feira (15) nos reserva a estreia das equipes que compõem o Grupo B da competição. Vamos conferir os pontos fortes e pontos fracos do surpreendente Marrocos comandado por Hervé Renard, o aplicado e pragmático Irã de Carlos Queiroz, a sempre favorita Espanha (apesar da impressionante polêmica envolvendo o técnico Julen Lopetegui às vésperas do início da Copa) e o envolvente Portugal de Fernando Santos e Cristiano Ronaldo. Pode não parecer à primeira vista, mas o Grupo B é um dos mais equilibrados e conta com seleções emergentes (Marrocos e Irã) com plena capacidade de surpreender e arrancar pontos dos favoritos portugueses e espanhóis. 

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: RFS / RU / Fotos Públicas

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Já que falamos nas surpresas, nada mais justo que comecemos por elas. Vinte anos depois da sua última participações em Mundiais, a Seleção de MARROCOS chega à Rússia chancelada pela bela campanha nas Eliminatórias Africanas da Copa do Mundo. São três vitórias e três empates, com oito gols marcados e nenhum sofrido. O time comandado pelo francês Hervé Renard tem qualidade e conta com alguns jogadores rodados como o zagueiro Benatia (da Juventus de Turim), o lateral Achraf (do Real Madrid) e o meia-atacante Ziyech (do Ajax). O desenho tático básico é o conhecido 4-2-3-1 de muita movimentação na linha ofensiva, grande velocidade nas laterais e boa qualidade no sistema defensivo (ao menos para os padrões africanos). A esperança de que os “Leões de Atlas” tenham uma boa participação passa inicialmente por uma vitória na estreia diante do adversário (teoricamente) mais fraco do Grupo B. E olho em Ziyech. O rapaz é bom de bola e vai dar trabalho nessa Copa.

A Seleção de Marrocos volta á Copa do Mundo depois de vinte anos com um time renovado e jogadores de boa qualidade com a bola nos pés. O técnico Hervé Renard tenta unir o talento de nomes como Benatia, El Ahmadi, Boutaib, Ziyach e Achraf num 4-2-3-1 organizado e móvel.

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Não pensem vocês que o IRÃ será a “baba” do grupo. Muito pelo contrário. Todos se lembram do jogo contra a Argentina em 2014 e do sufoco que a Albiceleste passou pra vencer o “Time do Povo”. E a Seleção Iraniana volta à Copa do Mundo com a mesma qualidade do seu sistema defensivo. Foram apenas cinco gols sofridos em dezoito partidas nas Eliminatórias Asiáticas. O português Carlos Queiroz é o comandante da equipe e aposta num 4-1-4-1 de forte marcação para superar os adversários do Grupo B e conquistar a classificação que seria inédita para o país. O grande desafio do Irã é balançar as redes. Por isso é que a ordem é acelerar sempre que o time recupera a bola. O meia Jahanbakhsh (do AZ Alkmaar da Holanda), o atacante Reza Groochannejhad (do Charlton Athletic da Inglaterra) e o bom goleiro Beiranvand (jogador do Persépolis) são os nomes de destaque do aplicado time de Carlos Queiroz. Será que o “Time do Povo” consegue superar esse desafio?

O técnico Carlos Queiroz aposta num 4-1-4-1 bem fechado e compactado para segurar os adversários e abrir espaços para os contra-ataques. Mas o grande desafio do Irã na Copa do Mundo 2018 é balançar as redes. Por isso a ordem é acelerar sempre que a equipe recuperar a bola.

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E chegamos às seleções favoritas no Grupo B da Copa do Mundo. E é impossível analisar o time de PORTUGAL sem falar de Cristiano Ronaldo. O técnico Fernando Santos arma a atual campeã da Eurocopa em função do ídolo da camisa sete. Mas a Seleção das Quinas é muito mais do que isso. O 4-4-2 proposto pelo treinador é móvel, dinâmico e potencializa o talento dos valores da boa geração de atletas portugueses como Bernardo Silva, João Mário, André Silva e Cedric. Não é exagero dizer que o time de 2018 é tão talentoso do que o comandado por Luiz Felipe Scolari em 2006. Comparações à parte, Portugal deve brigar pelo primeiro lugar do grupo com a Espanha. CR7 é a grande arma e joga com liberdade para chegar no ataque e conta com o apoio de toda a equipe para brilhar dentro de campo. A principal jogada é manjada, mas ainda funciona: André Silva prende os zagueiros no ataque, João Mário e Bernardo Silva aparecem pelos lados para Cristiano Ronaldo receber a bola com liberdade.

O time de Portugal gira em torno do craque Cristiano Ronaldo. Mas o 4-4-2 de Fernando Santos não é um “fado de uma nota só”. Nomes como Raphael Guerreiro, Cedric, João Mário e Bernardo Silva tem muita qualidade e podem decidir partidas quando CR7 não estiver num dia inspirado.

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E chegamos na ESPANHA. Se Julen Lopetegui não tivesse sido demitido do comando técnico da “Fúria” depois de assinar com o Real Madrid, este que vos escreve colocaria a equipe como uma das favoritas ao título da Copa do Mundo. Mesmo com os problemas graves na transição defensiva do time (abraços para Jordi Alba). Mas Lopetegui saiu e o cargo caiu no colo do ex-zagueiro Fernando Hierro, jogador de muito sucesso mas treinador de pouquíssima experiência. A Espanha saiu do patamar de favorita para incógnita em questão de horas. Dentro de campo, no entanto, Hierro não deve mudar quase nada daquilo que vinha sendo feito. E nem teria como. O 4-3-3 de movimentação ofensiva constante e intensa deve ser mantido assim como o tripé de meio-campo formado por Busquets, Iniesta e Koke logo atrás de Rodrigo (brasileiro naturalizado espanhol), Isco e David Silva. O problema está na defesa. Mesmo com jogadores muito criativos, o time não tem muita força lá atrás e costuma deixar espaços.

Fernando Hierro não terá tempo para nada e terá que adminstrar os egos de um grupo experiente e rodado após a conturbada saída de Julen Lopetegui. O 4-3-3 de movimentação intensa e constante deve ser o desenho tático básico da “Fúria” na Copa do Mundo 2018.

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Este que vos escreve aponta Espanha e Portugal como as seleções favoritas às duas vagas do Grupo B nas oitavas de final da Copa do Mundo 2018. Mas não sem alertar o leitor para o fato de que tanto Marrocos como Irã podem surpreender e vão dar muito trabalho a portugueses e espanhóis nessa primeira fase. Ao mesmo tempo, fica aqui registrada a expectativa para ver como a “Fúria” vai se comportar após toda a confusão nos bastidores com o acerto de Julen Lopetegui com o Real Madrid e os rumores de que Sergio Ramos (aquele mesmo que quase tirou Mohamed Salah da Copa do Mundo) sabia de toda a negociação. Some-se a isso as velhas rixas de Real Madrid X Barcelona, o clima político do país e você terá uma bela tese de antropologia baseada no velho e rude esporte bretão. A Espanha ainda tem plenas condições de vencer a Copa do Mundo. O problema é como (e se) ela vai sentir essa questão de bastidor às vésperas da sua estreia na competição.

Fique ligado aqui no TORCEDORES.COM para conferir mais análises das seleções que disputam o Mundial da Rússia. Neste sábado tem dose dupla: falaremos do Grupo C (França, Austrália, Peru e Dinamarca) e do Grupo D (Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria).