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Di Maria revela que carta do Real Madrid tentou impedi-lo de jogar final da Copa de 2014: ”Rasguei antes mesmo de abrir”

Em depoimento no site ThePlayersTribune, Di Maria revelou que o clube espanhol não queria que ele disputasse a final da Copa do Mundo, temendo que sua lesão atrapalhasse uma possível venda.

Bruno Romão
24 anos, jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba, amante da escrita, natural de Campina Grande e um completo apaixonado por futebol. Contato: bruno.romao.nascimento@gmail.com

Crédito: Foto: Instagram Oficial Di Maria

Disputar uma final de Copa e ter a chance de dar o título ao seu país é o sonho de quase todo jogador profissional. Mas e quando uma lesão, além de questões extra-campo, tentam atrapalhar esse objetivo? Foi esta situação que Angél Di María enfrentou em 2014. Após se machucar nas quartas de final, o argentino recebeu uma carta do Real Madrid, o impedindo que atuasse na final.

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Confira abaixo um trecho do depoimento.

Eu lembro de receber a carta do Real Madrid e rasguei antes mesmo de abrir.

Era a manhã da final da Copa do Mundo de 2014, exatamente às 11h, e eu estava sentado na mesa do treinador prestes a receber uma injeção na perna. Eu tinha estirado meu músculo da coxa nas quartas de final, mas com analgésicos, eu podia correr sem sentir nada. Disse aos nossos treinadores estas palavras exatas: ‘Se eu me quebrar, então me deixe continuar quebrado. Eu não me importo. Eu só quero poder jogar.’

Então eu estava colocando gelo na minha perna quando o nosso médico da equipe, Daniel Martínez, entrou na sala segurando este envelope, e ele disse: “Olhe, Ángel, esta carta veio do Real Madrid.”

Eu disse: “Do que você está falando?”

Ele disse: “Bem, eles estão dizendo que você não está em condições de jogar. Então eles estão nos forçando a não deixar você jogar hoje ”.

Eu imediatamente soube o que estava acontecendo. Todos ouviram os rumores de que Real queria contratar James Rodríguez depois da Copa do Mundo, e eu sabia que eles iam me vender para dar espaço a ele. Então eles não queriam que sua garantia fosse danificada. Foi assim tão simples. Esse é o negócio do futebol que as pessoas nem sempre veem.

Eu disse a Daniel para me dar a carta. Eu nem abri. Eu apenas rasguei em pedaços e disse: “Jogue fora. Quem decide aqui sou eu.”

Apesar de todo esforço, Di María não esconde a frustração de não ter atuado na partida decisiva.

Eu sinceramente queria jogar naquele dia mesmo que isso pudesse terminar com minha carreira. Mas eu também não queria complicar as coisas para o nosso time. Então acordei cedo naquela manhã e fui ver nosso treinador, o Sr. Sabella. Nós tínhamos um relacionamento muito próximo, então se eu dissesse a ele que queria começar, eu sabia que ele sentiria a pressão para me colocar dentro. Eu disse a ele sinceramente, com a mão no meu coração, que ele deveria colocar o jogador que ele sentisse que devesse estar lá dentro.

Eu disse: “Se sou eu, sou eu. Se é outro, então é outro. Eu só quero ganhar a Copa do Mundo. Se você me chamar, eu jogarei até me quebrar.”

E então comecei a chorar. Eu não pude evitar. O momento me dominou.

Di María tem a uma nova chance na carreira de conquistar a Copa do Mundo, já que a Argentina segue viva na competição, enfrentando a França nas oitavas de final no próximo sábado (30).