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ESPECIAL: Os 60 anos da Copa do Mundo de 1958 (Parte IV – O jogo duro dos ingleses)

Apenas oito seleções seguem na luta pelo título mundial na Rússia. E enquanto as quartas de final não começam, vamos seguir aqui no TORCEDORES.COM com a quarta parte da nossa série de reportagens sobre os sessenta anos da conquista da Copa do Mundo de 1958. Falamos do momento da Seleção Brasileira até o início do Mundial da Suécia, da escolha de Vicente Feola para comandar o time e da estreia do escrete canarinho diante da Áustria. Dessa vez vamos contar um pouco da história do segundo jogo do escrete canarinho na competição. A Seleção Brasileira liderava o Grupo 4 da Copa do Mundo de 1958 com dois pontos, seguido por Inglaterra e União Soviética (com um ponto cada) e pela Áustria, que não tinha nenhum ponto. Uma vitória na segunda rodada (contra os britânicos) praticamente colocaria os comandados de Vicente Feola nas quartas de final do Mundial da Suécia. Mas a missão não seria nada fácil.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Site oficial da CBF

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Vicente Feola não poderia contar com o meia Dida. Titular na estreia, o camisa 20 mal conseguia chutar a bola durante os treinamentos por conta de dores no pé. Vavá, atacante do Vasco, seria o titular ao lado de Mazzola. Além disso, não seria dessa vez que Garrincha faria a sua estreia em Copas do Mundo. O preparador Ernesto Santos chamou a atenção de Feola para o meio-campo inglês conhecido pelas entradas mais duras. Com isso, Joel foi mantido na ponta-direita para auxiliar De Sordi na marcação no meio-campo. Do outro lado, o técnico Walter Winterbottom havia sido alertado por Bill Nicholson (treinador do Tottenham) com relação a Didi, o grande organizador de jogadas da Seleção Brasileira. Dessa forma, Winterbottom fez uma série de alterações táticas no WM básico do English Team com o objetivo de anular o camisa seis. A principal delas foi deixar o polivalente Bill Slater (meio-campo do Wolverhampton) que vigiasse Didi por onde quer que ele fosse durante os noventa minutos.

Vicente Feola manteve o seu 4-2-4 básico com Vavá no lugar de Dida e Zagallo voltando pela esquerda para ajudar na marcação no meio-campo. Já no lado inglês, o técnico Walter Winterbottom deixava Slater no encalço de Didi e Howe e Wright de olho nos atacantes brasileiros.

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Além disso, Don Howe (zagueiro do West Bromwich Albion) foi orientado a jogar como um segundo centromédio ao lado do capitão Bill Wright. Pelos lados, os zagueiros Thomas Banks e Eddie Clamp teriam liberdade para avançar e preencher ainda mais o meio-campo. O resultado dessa série de modificações táticas foi um jogo extremamente complicado para a Seleção Brasileira. Vavá acertou a trave, Clamp salvou um chute de Joel em cima da linha e o bom goleiro Colin McDonald ainda fez duas grandes defesas em chute de Mazzola (jogador que ficaria mais conhecido pelo sobrenome Altafini no futebol italiano). O sistema de Walter Winterbottom cumpria sua missão e travava o Brasil. E se não fosse o goleiro Gilmar (que fez bela defesa em chute de John Haynes), as coisas poderiam ter ficado ainda piores para os comandados de Vicente Feola. Logo abaixo você pode conferir os melhores momentos da partida direto do YouTube no canal joefa’s World Cup History.

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O empate sem gols entre Brasil e Inglaterra seria o primeiro da história das Copas do Mundo e obrigava o escrete canarinho a vencer a temida União Soviética para avançar para as quartas de final. E Feola tinha problemas para resolver. Mazzola deixou o jogo sentindo lesão (o vídeo mostra o jogador do Palmeiras sendo carregado pelo massagista Mário Américo), Dida ainda não tinha se recuperado e Joel sentia dores depois da extenuante partida contra a Inglaterra. E para piorar a situação, a União Soviética havia vencido a Áustria por dois a zero no outro jogo do Grupo 4, em Boras, e empatava com o Brasil na liderança da chave com três pontos (uma vitória e um empate). Vale lembrar que o regulamento da Copa do Mundo não tinha critérios de desempate como saldo de gols, número de vitórias e gols marcados naquela época. Em caso de igualdade de pontos na última rodada, um jogo extra seria disputado antes das quartas de final.

A partida contra os Soviéticos, apesar das dificuldades já colocadas anteriormente, seria muito especial para a Seleção Brasileira por trazer a estreia de dois grandes nomes da história da equipe. Mas esse é um papo para a nossa quinta parte da série de reportagens sobre a Copa do Mundo de 1958. Fique ligado aqui no TORCEDORES.COM e viaje com a gente nessa conquista memorável.

FONTES DE PESQUISA:

=> Invertendo a Pirâmide, de Jonathan Wilson

=> As melhores Seleções Estrangeiras de todos os tempos, de Mauro Beting

=> As melhores Seleções Brasileiras de todos os tempos, de Milton Leite

=> Escola Brasileira de Futebol, de Paulo Vinícius Coelho

=> Site oficial da FIFA

=> Site oficial da CBF

=> RSSSF Brasil