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ESPECIAL: Os 60 anos da Copa do Mundo de 1958 (Parte V – Os três minutos mais incríveis da história do futebol mundial)

É, amigos… A Copa do Mundo da Rússia ficou reduzida a apenas quatro seleções. E nesse período sem jogos pelo Mundial, vamos trazer a quinta parte da nossa série de reportagens especiais sobre os sessenta anos da fantástica e histórica conquista da Copa de 1958. Chegamos num momento crucial para a Seleção Brasileira. Depois de vencer a Áustria na estreia e de empatar com a Inglaterra na segunda rodada da fase de grupos (no primeiro zero a zero da história das Copas), o escrete canarinho se preparava para encarar a temida União Soviética de Lev Yashin e Igor Netto necessitando de uma vitória para se classificar para as quartas de final da Copa do Mundo de 1958. E para esse jogo, o técnico Vicente Feola faria algumas mudanças no time titular que fariam com que os três primeiros minutos daquela partida em Gotemburgo entrassem para a história do futebol mundial. Além disso, essa seria a primeira vez em que Garrincha e Pelé iniciariam um jogo de Copa do Mundo.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Site oficial da CBF

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O empate sem gols com a Inglaterra fez alguns estragos na Seleção Brasileira. O atacante Mazzola saiu do jogo lesionado, Dino Sani se queixava de dores musculares e o ponta-direita Joel sentia dores no pé. Qualquer outra seleção do mundo poderia sentir a ausência de três jogadores. Menos a brasileira. De acordo com o jornalista Ruy Castro, o técnico Vicente Feola já tinha a intenção de colocar Garrincha no time titular desde o início da Copa do Mundo de 1958. Zito, volante do Santos, foi o escolhido para substituir Dino Sani no meio-campo. E para o lugar de Mazzola, um certo garoto de 17 anos faria a sua estreia em Mundiais. Edson Arantes do Nascimento, ninguém menos do que Pelé. Cabe lembrar que tanto o camisa dez como Garrincha ainda não gozavam de toda a fama que possuem hoje. Tanto que havia pressão dentro da própria comissão técnica pela não escalação dos dois. Graças aos deuses do futebol, a partida contra a União Soviética seria a consolidação de uma bela parceria iniciada no dia 18 de março de 1958, numa vitória por três a um sobre a Bulgária, no Pacaembu.

Dino Sani, Joel e Mazzola deixaram o time titular para as entradas de Zito, Garrincha e Pelé. O objetivo de Feola era intimidar os soviéticos com o talento brasileiro e conseguiu fazer a Seleção Brasileira jogar “os três minutos mais incríveis da história do futebol”. Garrincha e Pelé desequilibravam e Vavá marcou duas vezes.

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Feola andava preocupado com as informações que recebeu dos soviéticos (todos eles em ótimo condicionamento físico) e deu a Didi a orientação de dar o primeiro passe para Garrincha. O objetivo, de acordo com o treinador brasileiro intimidar o forte adversário com a habilidade brasileira desde o início da partida. E a estratégia deu certo. A bola chegou nos pés do camisa 11 com menos de vinte segundos. Boris Kuznetsov, experiente lateral soviético foi driblado três vezes pelo “Gênio das Pernas Tortas” e ficou no chão. Três vezes. Garrincha avançou, passou por Yuri Voinov, invadiu a área e carimbou a trave direita da lenda Lev Yashin. Menos de um minuto depois, foi a vez de Pelé mostrar a sua genialidade. E passado mais um minuto, Didi deu passe em profundidade para Vavá que não desperdiçou e tocou na saída de Yashin. Era o primeiro gol brasileiro. O francês Gabriel Hanot (ex-jogador, ex-treinador, jornalista e editor do famoso jornal L’Équipe) classificou aquele início de jogo avassalador como os “três minutos mais incríveis da história do futebol”.

O domínio brasileiro era claro para todos. A Copa do Mundo de 1958 começava a conhecer grandes nomes do futebol mundial naquela partida em Gotemburgo. Mané Garrincha levava a defesa soviética à loucura com seus dribles e arrancadas pela direita. Pelé já dava claros sinais da realeza que viria dali a alguns anos. Bellini e Orlando Peçanha seguravam o bom ataque adversário. Gilmar mostrava a segurança de sempre debaixo das traves. Zito marcava por ele e por todos e ainda chegava no ataque. E Didi era o grande maestro do meio-campo brasileiro. A Seleção Brasileira venceu por “apenas” dois a zero (Vavá marcou o segundo dele e o segundo da Seleção após belíssima tabela com Pelé na entrada da área), mas a atuação diante dos soviéticos fez com que muitos se lembrassem dos massacres em cima de suecos e espanhóis na Copa do Mundo de 1950. Logo abaixo você confere mais um vídeo do excelente canal joefa’s World Cup History direto do Youtube com os grandes lances da segunda vitória brasileira em terras suecas.

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Com a vitória em cima dos soviéticos, o Brasil garantia a primeira posição do Grupo 4 da Copa do Mundo de 1958 com cinco pontos ganhos. No outro jogo da chave, Inglaterra ficou no empate em dois a dois com a Áustria e igualava a pontuação da União Soviética (três pontos). As regras da época ainda não contavam com os critérios que conhecemos hoje como número de vitórias e saldo de gols. As duas seleções fizeram um jogo-desempate dois dias depois da última rodada com vitória dos soviéticos por um a zero, garantindo o segundo lugar do Grupo 4 e a vaga nas quartas de final do Mundial. A Seleção Brasileira teria o surpreendente País de Gales pela frente na fase de mata-mata da competição. O técnico Vicente Feola teria mais um problema para resolver: Vavá se lesionou no lance que originou o segundo gol brasileiro da União Soviética e não teria condições de se recuperar até a partida contra os galeses. Mas isso é assunto para a sexta reportagem da nossa série sobre a conquista da Copa do Mundo de 1958. Fique ligado aqui no TORCEDORES.COM e viaje no tempo conosco.

FONTES DE PESQUISA:

=> Invertendo a Pirâmide, de Jonathan Wilson

=> As melhores Seleções Brasileiras de todos os tempos, de Milton Leite

=> Escola Brasileira de Futebol, de Paulo Vinícius Coelho

=> Site oficial da FIFA

=> Site oficial da CBF

=> RSSSF Brasil