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ESPECIAL: Os 60 anos da Copa do Mundo de 1958 (Parte VI – O primeiro gol de Pelé em Mundiais)

A Copa do Mundo da Rússia já chegou ao fim. Mas nós, aqui no TORCEDORES.COM seguimos com a nossa viagem no tempo até o mágico ano de 1958. Já falamos da preparação, e das três partidas da fase de grupos da competição (vitórias contra Áustria e União Soviética e empate sem gols com a Inglaterra). Na sexta reportagem da nossa série especial, nós vamos relembrar a vitória suada da Seleção Brasileira de Vicente Feola sobre o bom time de País de Gales, pelas quartas de final da Copa da Suécia. Além da classificação para a fase seguinte da Copa do Mundo, essa partida teria um ingrediente especialíssimo para os amantes do futebol. Foi nesse dia 19 de junho de 1958 que Pelé, o Rei do Futebol, marcaria seu primeiro gol em Mundiais. Começava aí uma história belíssima que terminaria doze anos mais tarde com o tricampeonato em terras mexicanas. Bom para o Brasil. E melhor ainda para aquele jovem desconhecido de apenas 17 anos.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Site oficial da CBF

Tanto Vicente Feola como o galês James Murphy tinham problemas. O técnico brasileiro não poderia contar com o atacante Vavá, que havia se lesionado no lance que originou o segundo gol da vitória sobre a União Soviética. Mazzola, atacante do Palmeiras e autor de dois gols na vitória sobre a Áustria, seria o substituto do camisa 20. Do outro lado, País de Gales tinha um desfalque de peso. O atacante John Charles, jogador que fazia muito sucesso na Juventus de Turim, não poderia entrar em campo por causa de uma lesão sofrida no jogo-desempate da sua seleção contra a Hungria (no Grupo 3). Colin Webster (atleta com passagem pelo Manchester United) seria o substituto do camisa 9 galês. Mas o mundo inteiro queria saber quem era aquele menino negro que vestia a camisa 10 e que levava as defesas adversárias à loucura com toques de categoria, dribles,excelente visão de jogo e grandes jogadas no meio-campo brasileiro. Mas não era fácil furar a defesa do time de País de Gales e nem passar pelo bom goleiro Jack kesley, ídolo do Arsenal.

O País de Gales bem que tentou, mas nem mesmo o bom sistema defensivo comandado por Mel Charles pôde resistir à Seleção Brasileira. Garrincha fez o que quis pela direita, Mazzola foi preocupação constante, mas o grande nome do jogo foi mesmo Pelé, autor do único (e belíssimo) gol da partida.

Tirando um chute cruzado do ponta-esquerda Ivor Allchurch logo no começo da partida no Estádio Ullevi, em Gotermbugo, a Seleção Brasileira fez o que quis em campo. Mas o gol não saía. Garrincha, Pelé e Didi criaram boas chances, mas ou o chute saía errado ou a defesa galesa bloqueava o lance. Mais atrás, Zito marcava por ele e por todos e Gilmar garantia tudo debaixo das traves. Minutos depois do goleiro Jack Kesley defender uma pancada violentíssima de Garrincha de dentro da área (depois do “Gênio das Pernas Tortas” deixar o lateral Mel Hopkins sem pai e sem mãe com seus dribles desconcertantes), o bendito gol finalmente saiu. Didi aproveitou uma bola rebatida pela defesa galesa e passou para Pelé. O camisa 10 deu um lençol em Melvyn Charles (irmão de John Charles) e acertou o canto direito de Jack Kesley. Era o primeiro gol de Pelé em Copas do Mundo. O primeiro de inesquecíveis doze gols em Mundiais. Confira os melhores momentos da partida no vídeo abaixo tirado do canal 1986soccerman direto do Youtube.

https://www.youtube.com/watch?v=TNCuqRPBSmg

Ainda houve tempo para Pelé acertar o travessão após cruzamento de Garrincha e de Mazzola ter um belíssimo gol de bicicleta anulado pelo árbitro austríaco Fritz Seipelt. Depois do apito final, os jogadores da Seleção Brasileira deram uma volta do estádio Estádio Ullevi com uma bandeira da Suécia para agradecer o apoio dos torcedores locais na dura partida contra os galeses. Faltavam duas! O adversário do escrete canarinho nas semifinais da Copa do Mundo de 1958 seria a poderosa França de Raymond Kopa (já grande ídolo do lendário Real Madrid daqueles tempos), Roger Piantoni (jogador que brilhou no Stade de Reims vice-campeão europeu em 1956 e 1959) e do grande nome do Mundial até o momento, o artilheiro (nascido em Marrocos) Just Fontaine. Seria um teste interessante para a defesa brasileira que até então não havia sido vazada na Copa do Mundo. Mas isso vai ficar para a nossa sétima e penúltima reportagem da série especial sobre o primeiro título mundial da Seleção Brasileira. Fique esperto e não perca!

FONTES DE PESQUISA:

=> Invertendo a Pirâmide, de Jonathan Wilson

=> As melhores Seleções Brasileiras de todos os tempos, de Milton Leite

=> Escola Brasileira de Futebol, de Paulo Vinícius Coelho

=> Site oficial da FIFA

=> Site oficial da CBF

=> RSSSF Brasil

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