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ESPECIAL: Os 60 anos da Copa do Mundo de 1958 (Parte VII – O melhor ataque contra a melhor defesa)

Tá certo que o Mundial da Rússia já acabou faz tempo, mas a gente ainda tem muita coisa pra contar aqui no TORCEDORES.COM na nossa série de reportagens especiais sobre a conquista da primeira Copa do Mundo da história da Seleção Brasileira. Há 60 anos atrás, lendas como Pelé, Garrincha, Zagallo, Nilton Santos, Didi e Bellini esbanjavam categoria pelos gramados suecos e encantavam todo o planeta com um futebol simplesmente espetacular. Mas a caminhada até o título não foi fácil. Os comandados de Vicente Feola passaram em primeiro lugar num grupo que tinha Áustria, Inglaterra e União Soviética. superaram a retranca do time de País de Gales nas quartas de final e agora tinham a poderosa França de Raymond Kopa, Roger Piantoni e do artilheiro Just Fontaine pela frente nas semifinais. Faltavam dois jogos para a tão sonhada conquista. E a partida do dia 24 de junho de 1958 reunia a melhor defesa e o melhor ataque do Mundial no Estádio Rasunda. É essa a história que vamos contar hoje na sétima e penúltima parte do nosso especial da Copa do Mundo de 1958.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Site oficial da CBF

Se o Brasil não teve vida fácil no Mundial da Suécia, o mesmo pode ser dito sobre o rival das semifinais da competição. A França se classificou em primeiro lugar no Grupo 2 da competição (com vitórias sobre Paraguai e Escócia e derrota para a Iugoslávia) e mostrava uma grande vocação para balançar as redes. Foram onze gols marcados nas três partidas da primeira fase. Por outro lado, a defesa francesa não inspirava muita confiança. O escrete comandado por Albert Batteaux levou sete gols em toda a Copa. A vitória por quatro a zero sobre a surpreendente Irlanda do Norte nas quartas de final pode até ter camuflado um pouco essa deficiência da França, mas o técnico Vicente Feola estava atento e armou a Seleção Brasileira com o que tinha de melhor à sua disposição. Já recuperado, Vavá voltou ao time titular no lugar de Mazzola e (junto com todo o sistema ofensivo brasileiro) recebeu a orientação de forçar o erro na defesa adversária e pressionar desde o início e não deixar Kopa e Piantoni terem espaço para criar as jogadas de ataque e buscar o artilheiro Fontaine no comando de ataque.

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O técnico francês Albert Batteaux trouxe Jean-Jacques Marcel mais para junto da linha de três defensores para igualar a marcação e fazer a variação do WM para uma especie de 4-3-3. Só que a Seleção Brasileira começou a partida ligada no 220 com Vavá, Didi e Pelé infernizando a defesa francesa.

A tática de Feola deu certo logo aos dois minutos de partida. Robert Jonquet (o responsável por qualificar a saída de bola francesa) saiu jogando errado, dividiu com Garrincha e a bola sobrou para Vavá fuzilar o goleiro Claude Abbes. Só que a França tinha Kopa. E este viu Fontaine se deslocando às costas de Bellini e fez o lançamento preciso para o camisa 17 empatar o jogo seis minutos depois. O primeiro gol sofrido pelo Brasil na Copa do Mundo de 1958 desarrumou um pouco o time que só não levou a virada porque Gilmar estava atento debaixo das traves. A Seleção Brasileira ainda teria um gol legítimo ignorado pela arbitragem do galês Benjamin Griffiths que não viu o chute de Zagallo ultrapassar a linha depois de explodir no travessão. Era a senha para os comandados de Feola acordarem na partida. Só que aos 34 minutos acontece o lance que é lamentado por muitos franceses até hoje. Jonquet domina mal no meio-campo e acaba sofrendo uma fratura na perna após dividir com Vavá. Lance de pura falta de sorte do camisa 10 francês e sem nenhuma maldade do jogador brasileiro. Tanto que ninguém reclama junto ao árbitro.

Sem poder ser substituído depois de levar a pior em dividida com Vavá, Jonquet foi fazer número no lado esquerdo. Jean Vicent e Kopa jogaram mais recuados, Marcel virou zagueiro, mas ninguém conseguiu frear o ímpeto ofensivo brasileiro. E isso sem falar no show à parte de Pelé, autor de três gols na segunda etapa.

Como não haviam substituições naquele tempo, Jonquet permanece no jogo, mas apenas fazendo número pelo lado esquerdo. Jean-Jacques Marcel vira zagueiro e Armand Penverne recua para fechar a defesa. Só que Didi aparece no meio-campo e acerta um chutaço no ângulo de Abbes aos trinta e nove minutos da primeira etapa. Justo no espaço que deveria ser ocupado por Jonquet. O que se viu no segundo tempo foi um show á parte dos comandados de Feola e principalmente de Pelé. Aos sete minutos, o Rei aproveita falha de Abbes em cruzamento de Zagallo da esquerda. Aos dezenove, Garrincha parte pela direita, passa para Vavá e a bola sobra para Pelé aproveitar o rebote. E aos vinte e nove, o camisa 10 recebe de Didi, mata no peito e manda para as redes. Goleada mais do que justa da Seleção Brasileira que ainda veria Roger Piantoni colocar a bola no meio das pernas de Zito (não era qualquer um que fazia isso), deixar Bellini na saudade e soltar a bomba no canto esquerdo de Gilmar a seis minutos do fim. Abaixo você pode conferir os gols e alguns momentos da partida no vídeo do canal Voo do Canário.

A Seleção Brasileira estava na grande final da Copa do Mundo de 1958 com uma campanha de fazer inveja a muita gente: quatro vitórias e um empate em cinco partidas, com onze gols marcados e apenas dois sofridos. Pelé era o artilheiro do Brasil no Mundial com quatro gols e já chamava a responsabilidade em alguns momentos. Logo depois que Fontaine empatou o jogo, o então jovem camisa 10 pegou a bola do fundo das redes e colocou no meio-campo mostrando que ainda havia muita coisa pela frente. O adversário dos comandados de Vicente Feola na final da Copa seria a anfitriã Suécia, que havia despachado ninguém mais, ninguém menos do que a então campeã mundial, a Alemanha Ocidental, com uma vitória por três a um de virada. E o jogo que decidiu o campeão da Copa do Mundo de 1958 é um dos mais falados, comentados e relembrados da história dos mundiais por uma série de fatores. A lendária camisa azul, a virada incrível do Brasil ainda no primeiro tempo, a consagração de Pelé e muito mais. Só que isso é assunto para a nossa oitava e última parte da série de reportagens. Fiquem ligados aqui no TORCEDORES.COM e não percam!

FONTES DE PESQUISA:

=> Invertendo a Pirâmide, de Jonathan Wilson

=> As melhores Seleções Brasileiras de todos os tempos, de Milton Leite

=> Escola Brasileira de Futebol, de Paulo Vinícius Coelho

=> Site oficial da FIFA

=> Site oficial da CBF

=> RSSSF Brasil

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