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Fanático, colorado vai infiltrado à Arena da Baixada, vibra e é retirado por seguranças no final

A recente decisão do Atlético-PR em retirar a torcida adversária dos jogos da Arena da Baixada, vigente desde antes da parada para a Copa do Mundo, representou um enorme desafio para o colorado Vinícius Rocha, 20 anos, morador de Porto Alegre. Animado com o bom momento do time, o torcedor quis acompanhar ir loco a volta do Inter ao Brasileirão na última quinta-feira, mas teve que driblar, literalmente, a segurança e as rígidas normas do estádio rival – que visa dar maior segurança em dias de jogos.

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Reprodução/Twitter

Em relato obtido com exclusividade pela reportagem do Torcedores.com, Vinícius conta que saiu de ônibus de Porto Alegre em direção ao Paraná sem ter a certeza de onde deveria comprar ingresso, muito menos em que posição ficaria no estádio. Mas, motivado pelo amor ao Inter, ele superou as barreiras e não apenas assistiu, como torceu os 90 minutos durante o empate em 2×2 na Arena da Baixada.

“Na última quinta, estive presente em mais um jogo do Inter, porém dessa vez com a peculiaridade que não haveria um espaço para eu poder torcer para o meu clube. Mesmo com isso, na quarta-feira comecei meu deslocamento de Porto Alegre para Curitiba de ônibus. Fui com a grande dúvida em qual espaço compraria o ingresso, pois já haviam relatos que torcidas adversárias na Arena da Baixada, como a do Cruzeiro e São Paulo, haviam se reunido no mesmo local que antigamente era destinado a eles. Com essa dedução, chegando na cidade, me dirigi ao estádio e comprei o ingresso naquele setor. Detalhe que para realizar a compra, era necessário o cadastramento biométrico, informando dados pessoais e afins. Eles já sabiam que eu era de fora, mas ainda possuía meu direito de entrar no estádio, porém sem poder me identificar com o Inter”, explicou inicialmente o torcedor.

Entenda todo o caso da proibição da torcida visitante na Arena da Baixada nessa matéria aqui.

Na hora da compra do ingresso, a primeira grande decepção: Rocha se deu conta que os demais colorados estavam comprando em setor separado, o que, na prática, impediria que pudesse estar com eles durante a partida.

“Chegando o horário da partida, recebo a informação que a torcida do Inter estaria toda ela comprando ingressos no setor “Superior Buenos Aires”, o que era exatamente do outro lado do estádio, se comparado ao que eu havia comprado. Minha chance de se reunir com os colorados no estádio, acabava. Mesmo com isso, entrei no estádio e com a camisa do Inter por debaixo da jaqueta. A partida começou e em seguida já abrimos o placar, obviamente foi impossível não esboçar o mínimo de reação. A partir daí, a segurança e a polícia, viriam a se tornar o meu maior incômodo no estádio. Alguns minutos depois do gol do Pottker, um segurança do estádio já veio me informar que haviam identificado minha camisa do Inter pelo sistema de câmeras e que era para tirá-la ou escondê-la. Nessa altura do campeonato, quem estava próximo a mim no setor, já sabia que não era um torcedor do Atlético, e isso se provava a diante no gol de empate, com torcedores deles virando na minha direção e “cornetando”. Normal, nada que realmente me colocava em risco”, continuou.

Com a bola rolando, torcedor não escondeu para qual lado torcia

Com o desenrolar do jogo, Vinícius já havia sido “desmascarado” por seguranças e torcedores do Atlético-PR. Ainda assim, não deixou de torcer e vibrar pelo Inter. E, claro, ficou eufórico após o empate de Wellington Silva já na reta final do jogo.

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Pottker fez o 1° do Inter no empate em 2×2 – Foto: Site Inter

“Em meio ao intervalo, identifiquei um grupo de quatro pessoas sem camisa e nenhuma identificação do Atlético, já era um pouco óbvio: torcedores do Inter. Dali em diante comecei a acompanhar a partida com eles. No segundo tempo, com a pressão e virada do Atlético, já não importava mais tanto assim em disfarçar algo. Com o Inter melhorando em campo e pressionando, o gol de empate veio e agora sim, vibrei mesmo. O sentimento é bizarro, ao mesmo tempo que de alegria, saberia que iria provavelmente ser retirado do estádio. E novamente, seguranças do estádio vinham me abordar. Era mais um ultimato do que qualquer outra coisa, mas o fim do jogo estava próximo, então não interessava muito o que eles estavam falando. Ainda consegui me manter na arquibancada”.

Já com o jogo terminado, o colorado quis registrar o momento através de uma foto demonstrando a camisa do Inter. Para os seguranças, foi a “gota d’água”. Vinícius foi retirado do estádio, mas com o sentimento de dever cumprido e o mais importante: mesmo diante das dificuldades, esteve ao lado do clube do coração.

“Tudo seguiu igual e a partida acabou. Então decidi fazer uma foto com a camisa do clube. Para eles, foi a gota d’água. O policiamento foi chamado e fui retirado do estádio. Ali já pouco importava para mim, e com a notícia que cerca de dez colorados tinham sido retirados durante a partida, aquele registro ganhava mais representatividade. A conclusão que fica é que a torcida única num estádio, não gera mais segurança, torcedores não vão deixar de acompanhar seu clube jogando de visitante por uma determinação dessa. As coisas poderiam apenas terem sido piores se fosse um grande número reunido por exemplo, ou se houvesse uma rivalidade entre torcidas. Tudo fica mais exposto a haver problemas sem uma destinação de setor pra torcida adversária”.

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