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OPINIÃO: Apesar da eliminação na Copa, Brasil vive a futebolização da política

Guerra de torcidas, parcialidade, xingamentos… #TimeDoTas analisa e compara o nosso momento político com o esporte mais amado pelos brasileiros.

Bruno Seidel
Publicitário e profissional de Criação na Assessoria de Comunicação da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Um dos 11 selecionados para cobrir a Copa do Mundo pelo #TimeDoTas.

Crédito: Arte: Time do Tas

 

Bandeiras tremulando nos arredores do local em que a grande decisão acontecia. O Brasil inteiro parou para ver esse aguardado momento. As torcidas estavam divididas, fardadas e cantarolando seus gritos de guerra. O clima era de tensão e as chances de a porrada comer solta nas ruas preocupava demais. No fim, deu a lógica: placar de 3 a 0, alegria de um lado, revolta de outro. O juiz, claro, teve participação fundamental no resultado, o que aumentou ainda mais a indignação daqueles que tinham esperança em ver uma histórica virada.

 

Foto: br.fotolia.com

 

O parágrafo acima parece estar falando de futebol, né? Mas não é! É sobre política! O episódio em questão é o julgamento que condenou o ex-presidente Lula em 2ª instância no dia 24 de janeiro desse ano. Você deve lembrar bem como foi! Setenta e três dias depois desse histórico julgamento, o ex-presidente acabou se entregando à justiça e foi levado a Curitiba, onde permanece como preso. Essa novela toda dividiu o país entre aqueles que torciam para ver Lula ser preso e os simpatizantes que acreditam na sua inocência. Uma divisão que se assemelha demais às guerras de torcidas de futebol que cansamos de ver espalhadas pelo Brasil (Grêmio e Inter; Palmeiras e Corinthians; Atlético e Cruzeiro; Bahia e Vitória…).

 

Foto: br.fotolia.com

 

A semelhança é tanta que as oposições políticas utilizam-se de alegorias, gritos de guerra, camisetas estampadas, cores berrantes e tudo aquilo que estamos acostumados a ver em clássicos futebolísticos. Uma rixa de oposições tão forte que nos passa uma clara sensação de que o país realmente está dividido entre dois extremos: a direita que ganha força com os discursos de personagens como Jair Bolsonaro e a esquerda que abraçou o ex-presidente Lula como o “mártir da política”. Esses dois nomes, por sinal, lideram as pesquisas de intenção de votos, o que só comprova como o país está dividido entre esses extremos.

Claro que a política não apresenta só essas duas opções. Existem vários outros candidatos ali no meio dessa disputa, assim como o futebol gaúcho, por exemplo, não é formado apenas por Grêmio e Inter (tem Juventude, Brasil de Pelotas, Novo Hamburgo, Avenida, Caxias…). Mas, no imaginário popular, é como se só os extremos existissem.

 

Foto: br.fotolia.com

 

O que se viu nesse último domingo (dia 8), foi um perfeito exemplo dessa guerra de torcidas e de chacotas. Com a indecisão e o clima de suspense sobre a permanência de Lula na cadeia ou uma possível soltura, a internet foi à loucura e os “fazedores de memes”, que até então estavam somente de olho na Copa, destilaram sua criatividade para tirar sarro da situação política. A indecisão sobre Lula estar livre ou solto parecia um daqueles jogos de futebol cheio de viradas e reviravoltas, no qual as torcidas podem se dar mal por comemorarem antes do apito final.

 

A Copa já acabou para o Brasil, mas a zoeira segue implacável! (Arte: Time do Tas)

 

A futebolização da política não se limita a fazer as militâncias mais parecerem torcidas organizadas de clubes, ela emula também os debates, da discussão de boteco aos embates televisionados. Os militantes da oposição torcem para que os governantes fracassem em seus mandatos, mesmo que isso custe caro para a população. E vice versa! É como os palmeirenses torcendo para o Corinthians se dar mal em qualquer campeonato que seja, contra qualquer adversário. Os interesses políticos e a torcida dos militantes pela “sua verdade” parecem falar mais alto do que a vontade de ver um futuro melhor.

 

Foto: br.fotolia.com

 

Acontece que a política tem uma influência brutal e direta em nossas vidas, diferente do futebol (com as exceções de atletas, dirigentes e profissionais do esporte que vivem disso). E, apesar dessa diferença de valores, é a mentalidade de torcedor fanático e clubista que está moldando o estilo de eleitor brasileiro. E se durante a Copa já está assim, imagina nas Eleições!

 

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