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PAPO TÁTICO: Apatia, renascimento no intervalo e “hat-trick” de Romero, os capítulos da goleada do Corinthians sobre o Vasco

Muita coisa pode acontecer em noventa minutos de futebol. E isso sem contar os acréscimos. São tantos os detalhes que nós poderíamos ficar aqui escrevendo até o final do Campeonato Brasileiro. Só que a gente tem que falar do que aconteceu neste domingo na Arena Mané Garrincha, em Brasília. O Corinthians fez um primeiro tempo muito abaixo daquilo que poderia render, viu o Vasco sair na frente antes do intervalo e virou o jogo na melhor atuação coletiva do time sob o comando de Osmar Loss. E mais: o paraguaio Ángel Romero se transformou no grande nome da partida ao chamar a responsabilidade pra si e ultrapassar a marca de Ronaldo no Corinthians. Com os três gols marcados, o paraguaio chegou a 37 gols com a camisa do Timão contra 35 do Fenômeno. Tudo isso em apenas quarenta e cinco minutos. A terceira vitória em quatro partidas dá ao técnico Osmar Loss um pouco mais de paz para trabalhar e a certeza de que está no caminho certo para recolocar o Corinthians nos eixos.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

É bom que se diga que, mesmo jogando muito abaixo daquilo que pode jogar, o Corinthians conseguiu criar boas chances de gol no primeiro tempo da partida na Arena Mané Garrincha. Jorginho apostava num Vasco armado no usual 4-2-3-1 com Evander, Yago PIkachu e Kelvin logo atrás de Andrés Ríos e via sua equipe levar vantagem justamente no ponto fraco do Timão nessa primeira etapa: a marcação frouxa no meio-campo. Douglas e Gabriel jogavam muito atrás e davam espaços generosos para o meio-campo cruzmaltino subir ao ataque. Fossem os jogadores vascaínos mais felizes no último passe e nas conclusões a gol, o time de São Januário poderia ter ido para o intervalo com uma vantagem maior do que o gol marcado por Yago Pikachu em pênalti sofrido por ele mesmo. Somente Pedrinho (que jogava aberto pela direita) se movimentava e buscava opções no 4-4-2 de Osmar Loss na primeira etapa. O Corinthians precisava de mais intensidade em todos os setores.

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O Corinthians era organizado no 4-4-2 sem referência de Osmar Loss e levava perigo ao gol de Martín Silva, mas faltava mais intensidade na marcação no meio-campo e mais concentração de todo o time. O Vasco equilibrou as ações e foi para o intervalo com a vantagem no placar atuando no 4-2-3-1 usual de Jorginho.

E é nesse ponto que entra o paraguaio Romero. O camisa 11 chamou a responsabilidade e começou a se movimentar constantemente na frente da defesa vasacaína, seja para abrir espaços para os companheiros ou para se lançar como uma flecha em direção ao gol. O empate logo aos dois minutos da segunda etapa (em completo apagão da defesa do Vasco) era o combustível que faltava para o Timão encaixar no resgate do 4-4-2 sem referência de Fábio Carille. Romero e Jadson se movimentavam com Pedrinho e Clayson (depois Mateus Vital) abrindo o campo e esgarçando a linha de zagueiros do time de Jorginho. Este ainda tentaria uma reação ao desfazer seu 4-2-3-1 e apostar num 4-3-3 extremamente ofensivo, mas sem organização com os garotos Lucas Santos, Paulo Vítor pelos lados e Wagner e Yago Pikachu vindo por dentro. Só que Osmar Loss substituiu peças importantes, espelhou o desenho tático do adversário e ainda viu Romero decretar a goleada já nos acréscimos.

Romero foi o grande nome da virada e da goleada corintiana no segundo tempo. O paraguaio se saiu muito bem atuando mais solto no ataque e voltando pela direita para recompor as linhas defensivas. Já o Vasco tentou um milagre na base do abafa e nada mais. No final do jogo, as duas equipes jogavam num 4-3-3 mais definido.

Difícil explicar e compreender o que aconteceu com o Vasco em Brasília. O time vinha fazendo uma boa partida no primeiro tempo e levava perigo ao gol defendido por Cássio. Mas a grande verdade é que faltam opções para Jorginho montar sua equipe. Evander começou bem e depois sumiu. Kelvin parecia perdido no lado esquerdo e buscava o meio a todo instante (talvez pelo costume de jogar na direita e cortar para dentro). E a dupla de zaga segue sujeita a chuvas e trovoadas. Nem tanto por Breno, um dos poucos lúcidos do setor, mas por Ricardo Graça. O jogador já mostrou ter qualidade, mas é impressionante como o camisa 14 oscila durante as partidas. Foi assim contra o Jorge Wilstermann, foi assim contra a LDU e agora ele repete a dose contra o Corinthians. Ao mesmo tempo, nomes mais experientes como Desábato e Wagner seguem muito abaixo daquilo que já jogaram em 2018. A atuação do time na Arena Mané Garrincha deve servir de lição para a sequência da temporada.

O Corinthians teve a sua melhor atuação coletiva sob o comando de Osmar Loss no segundo tempo da goleada sobre o Vasco. E isso repetindo o estilo de jogo de Fábio Carille no ano passado: pouca posse de bola e muita eficiência nas finalizações. E ainda existe o fator Romero. O paraguaio foi muito bem jogando mais solto no ataque e voltando para fechar o lado direito para compensar o físico mais franzino do ótimo Pedrinho. Loss pode ter encontrado a melhor formação para o Corinthians no resgate do estilo de jogo do seu antecessor no comando técnico e a chave para aproveitar o bom posicionamento defensivo da sua equipe durante as partidas. O que se viu em Brasília foi o início da consolidação desse processo tendo em Romero o ponto de desequilíbrio de um time que já teve Rodriguinho e Jô em outros tempos.

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