PAPO TÁTICO: Croácia se impõe nos pênaltis e acaba com sonho russo na Copa do Mundo

Os extenuantes 120 minutos de futebol somados à decisão por pênaltis cobraram muito de Croácia e Rússia na partida em Sochi. Primeiro pela disputa da vaga nas semifinais da Copa do Mundo e pela oportunidade de uma das duas seleções se juntar a França, Bélgica e Inglaterra. E depois pela forte carga emocional do jogo e da atmosfera no Estádio Olímpico de Fisht, em Sochi. Acabou que os comandados de Zlatko Dalic (em que pese a segunda atuação ruim nas fases de mata-mata do Mundial) tiveram mais força mental para suportar a pressão e conquistar a vaga nas semifinais da Copa do Mundo, igualando a campanha do time de 1998. Um prêmio para uma geração talentosa formada por nomes como Modric, Perisic, Mandzukic, Rakitic, Subasic e Lovren. E um castigo para os comandados de Stanislav Crerchesov e toda a torcida russa, que mostrou uma face do país até então não conhecida de todos.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Getty Images

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Tanto a Croácia como a Rússia entraram em campo armadas em esquemas táticos semelhantes. Zlatko Dalic retornava ao 4-4-2 da estréia na Copa do Mundo com Modric e Rakitic por dentro e Perisic e Rebic pelos lados. Mais à frente, Kramaric encostava em Mandzukic para abrir espaços e aproveitar a força do atacante da Juventus. Havia mais posse de bola, mas a Croácia esbarrava na falta de intensidade da equipe dentro de campo e com a postura até certo ponto surpreendente da Rússia. A equipe anfitriã marcava em cima, dificultava a saída de bola croata e ainda se impunha na base da força física com Mário Fernandes, Samedov e Cheryshev pelos lados e as bolas lançadas e retidas por Dzyuba na frente no 4-2-3-1 proposto por Stanislav Cherchesov. O primeiro gol da partida foi fruto de uma dessas ligações diretas. Sem ser incomodado pela defesa croata, o único atacante russo reteve a bola e viu Creryshev chegando para marcar mais um belo gol nessa Copa.

Zlatko Dalic armou a Croácia num 4-4-2 que tinha Modric e Rakitic à frente da zaga, Perisic e Rebic pelos lados e Madzukic e Kramaric jogando no ataque, A equipe estava organizada, mas faltava intensidade e velocidade nos momentos cruciais do jogo em Sochi. Foto: Reprodução / TV Globo.

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Interessante notar que o único gol da Croácia no tempo normal saiu de uma das pouquíssimas falhas de marcação do time da Rússia. A imagem abaixo mostra o lateral-direito abandonando a última linha defensiva para tentar a interceptação do passe na intermediária adversária. O espaço deixado às suas costas foi utilizado por Mandzukic para armar o contra-ataque e deixar Kramaric em condições de empatar o jogo em Sochi. Aliás, vale aqui destacar a grande atuação do camisa 17 na partida. Se movimentou por todo o campo, venceu o cansaço dos 120 minutos de futebol e foi uma das principais armas ofensivas do time comandado por Zlatko Dalic. Mas nem mesmo Mandzukic conseguiu evitar que a Croácia repetisse sua pior versão dentro de campo: lentidão para fazer a saída de bola, quase nenhuma agressividade no ataque e ausência total de infiltrações. Melhor para a Rússia, que mantinha sua estratégia e a intensidade para acelerar e forçar o erro dos croatas.

Mário Fernandes deixa a linha defensiva e abre o espaço que Madzukic e Kramaric vão explorar no gol de empate da Croácia. O time de Stanislav Cherchesov se armou num 4-2-3-1 de muita força na marcação, intensidade nas tramas ofensivas e muita imposição física. Foto: Reprodução / TV Globo.

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O tempo normal chegou ao fim com ares de drama épico com a lesão do goleiro Subasic. No primeiro tempo da prorrogação, o zagueiro Vida aproveitou cochilo da zaga russa para marcar o segundo gol da Croácia na partida. E quando todos já davam a partida como liquidada, Mário Fernandes sobe mais alto que todo mundo, empata o jogo e leva a decisão para a marca de cal. Só que o sonho da classificação russa para as semifinais da Copa do Mundo acabou terminando com Smolov e o então herói Mário Fernandes e com a maior eficiência (e porque não dizer uma certa dose de sorte) da geração formada por Modric, Rakitic e companhia. Enquanto a Croácia comemorava a sua classificação, a torcida russa aplaudia a sua seleção como se tivesse sido ela a conquistar a vaga nas semifinais. Uma das mais belas cenas da Copa do Mundo. As câmeras da TV mostravam alguns torcedores com lágrimas nos olhos por ter compartilhado do sonho russo.

A partida contra a Inglaterra de Gareth Southgate deve colocar a Croácia de Zlatko dalic à prova. Primeiro pela força que os ingleses têm na marcação e na bola aérea. Para se classificar para a final, a equipe enxadrezada terá que mostrar uma intensidade e velocidade ainda não apresentadas nessa Copa do Mundo. Além disso, a qualidade do futebol apresentado nos jogos contra Dinamarca e Rússia é, no mínimo, questionável. Mesmo com Modric e Rakitic se desdobrando na marcação e na criação das jogadas. Essa Croácia pode jogar muito mais do que vem jogando. Ainda mais com tantos jogadores talentosos à disposição do seu treinador.