PAPO TÁTICO: Croácia, a seleção que se recusa a desistir, está na final da Copa do Mundo!

Valentia. Determinação. Coragem. Perseverança. Vibração. Ainda estamos procurando as palavras certas para descrever a classificação heroica da Croácia para a grande final da Copa do Mundo. E o melhor: a vitória de virada sobre a Inglaterra nesta quarta-feira (11), em Moscou, mostrou que os comandados de Zlatko Dalic formam uma daquelas equipes que simplesmente se recusam a desistir. Modric, Rakitic, Madzukic, Vida, Lovren, todos os atletas croatas se desdobraram em campo e conseguiram vencer uma equipe que vinha sendo apontada como uma das favoritas ao título da Copa do Mundo após a eliminação do Brasil nas quartas de final. E isso disputando a sua terceira prorrogação seguida e tirando forças sabe Deus de onde para manter o jogo intenso e vertical que tem no toque de bola e na categoria do seu meio-campo a chave para as vitórias. A Croácia tenta seu primeiro título mundial. E promete dar muito trabalho.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: RFS RU / Fotos Públicas

É bem verdade que a equipe croata não começou bem o jogo. Zlatko Dalic apostou num 4-1-4-1 que dava liberdade a Modric e Rakitic no meio-campo e acelerava pelos lados com Rebic e Perisic, mas viu sua estratégia ser bastante prejudicada com o gol de Trippier logo aos cinco minutos de partida. A Inglaterra (que seguia jogando no 5-3-2 preferido de Gareth Southgate) aproveitava a oportunidade para tomar conta do jogo e explorar os espaços deixados pela Croácia quando esta tentava se lançar ao ataque. E com espaços (como já dizia o grande e lendário Johan Cruyff) qualquer um joga. O English Team ainda poderia ter feito o segundo gol ainda na primeira etapa, mas Harry Kane (justo ele) desperdiçou chance cristalina de aumentar o placar embaixo da trave de Subasic. Apesar de não ser muito agressiva, a Inglaterra controlava o jogo com muita intensidade para roubar a bola do adversário (ou tentar um passe mais longo) e bastante solidez defensiva.

A Croácia entrou em campo armada no usual 4-1-4-1, mas o gol logo aos cinco minutos desorganizou a equipe. Com as linhas muito recuadas, o time de Zlatko Dalic viu a Inglaterra crescer, aproveitar os espaços e perder chances incríveis de ampliar ainda na primeira etapa. Foto: Reprodução / Sportv.

A Croácia voltou para o jogo quando começou a forçar o jogo pelos lados do campo com as duplas Rebic-Vrsalyko (na direita) e Perisic-Strinic (na esquerda) empurrando a linha de cinco inglesa para trás e gerando espaços para a chegada dos jogadores de meio-campo. Ao mesmo tempo, Mandzukic seguia muito bem no comando de ataque segurando a bola e os zagueiros para dar sequência às jogadas de ataque. O panorama já havia mudado no final da primeira etapa com Modric e Rakitic mais ligados e participativos dentro de campo e com todo o time croata colocando mais intensidade nas transições e forçando mais o erro na saída de bola de uma Inglaterra que parecia satisfeita com o placar mínimo. O castigo veio com belo cruzamento de Vrsalyko da direita que achou Perisic dentro da área. Walker (o lateral que foi para a zaga para dar mais mobilidade e qualidade na linha defensiva) exitou e o camisa número 4 da Croácia não perdoou e deu um leve toque à direita de Pickford.

Croácia com linhas adiantadas, laterais abrindo o campo e meio-campistas dando opção de passe. A partir do momento em que o time se reorganizou em campo, o panorama da partida mudou. Mesmo assim, os gols de Perisic e Madzukic só saíram em cochilos da zaga inglesa. Foto: Reprodução / Sportv.

Muita gente pensou que a Croácia não suportaria mais uma prorrogação (a terceira seguida na Copa do Mundo). Só que o time seguiu lutando e se recusando a desistir. Taticamente, os comandados de Zlatko Dalic seguiam com a estratégia de ocupar o campo inglês e forçar o erro na saída de bola. E além do já conhecido talento da equipe, dois componentes entraram em campo: a força mental e a experiência dos atletas croatas. Aos poucos foram adiantando as linhas e rodando a bola, mas sem ameaçar tanto a meta adversária por conta do cansaço de todos em campo. Difícil não notar que a Inglaterra sentia demais o gol de empate e que a Croácia estava com a força mental na estratosfera apesar da maratona nessa Copa do Mundo. O gol de Mandzukic no segundo tempo extra foi a pá de cal nas pretensões de um adversário com os nervos em frangalhos por conta da virada e entregue aos próprios erros dentro de campo. Melhor para a talentosa e perseverante Croácia.

A Inglaterra mantinha seu 5-3-2, mas via a Croácia ocupar os espaços entre as suas linhas. Com Modric e Rakitic bastante participativos, os comandados de Gareth Southgate sucumbiram na prorrogação e deixaram escapar a vaga na decisão da Copa do Mundo. Foto: Reprodução / Sportv.

Impossível não notar que a segunda finalista da Copa do Mundo sobrou fisicamente na prorrogação. Mesmo com as câimbras de Madzukic após o gol da virada. Além disso, a estratégia de Zlatko Dalic foi a mais acertada (embora tenha sido bastante arriscada). Segurou todas as quatro substituições para a prorrogação e contou com o excelente preparo físico de toda a sua seleção. Foram 22 finalizações a gol, o dobro dos ingleses, que só acertaram o gol de Subasic uma única vez. Justo no gol de Trippier, aos cinco minutos da primeira etapa. Mas cabe aqui também reconhecer os méritos dos comandados e das estratégias de Gareth Southgate. Ninguém chega numa semifinal de Copa do Mundo por mera obra do acaso, meu amigo. A Inglaterra mostrou um grupo forte e unido, com boas propostas de jogo e que chegou mais longe do que muitos esperavam. O grupo é jovem e pode fazer ainda mais bonito nos próximos anos com mais experiência e rodagem.

A Croácia chega na decisão do Mundial como a seleção que se recusa a desistir e acreditando que pode superar qualquer dificuldade. Essa força mental aliada ao talento dos seus jogadores tornam o escrete do Leste Europeu um adversário que merece toda a atenção da equipe de Mbappé, Griezmann e Didier Deschamps na decisão de domingo, em Moscou. Será a revanche da histórica semifinal da Copa do Mundo de 1998, quando a melhor geração da história da Croácia (até a atual) parou na França de Zidane e Thuram. Vinte anos depois, as duas seleções se reencontram na decisão. Quer roteiro mais emocionante do que esse, meu amigo?

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