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PAPO TÁTICO: Fortaleza de Rogério Ceni já esgotou a sua cota de vacilos na Série B; entenda

Já são quatro jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro da Série B (duas derrotas e dois empates). O Fortaleza que pintava com grande surpresa da competição em 2018 já começa a ver os concorrentes ao título muito mais próximos do que há algumas rodadas atrás. E os comandados de Rogério Ceni poderiam ter acabado com essa sequência negativa diante do bom e cascudo time do Avaí nesta terça-feira (24) na Arena Castelão. Só que os erros nas conclusões a gol voltaram a aparecer e o Leão do Pici acabou ficando no empate com o Leão da Ressacada em um a um numa partida em que poderia ter vencido sem muitos sustos. Valeu pelas boas atuações de Marcinho, Dodô, Nenê Bonilha, Tinga e Marcelo Boeck na partida. Do outro lado, fica a certeza de que a proposta de Geninho (de aliar juventude e experiência numa proposta mais pragmática de jogo) vem dando certo no escrete catarinense. O pontinho fora de casa garantiu o Avaí no G4 da Série B do Brasileirão. E olha que ainda nem chegamos na metade da competição.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Leonardo Moreira / Fortaleza EC

O jogo começou com o Fortaleza pressionando seu adversário no 4-2-3-1 de Rogério Ceni e abusando da movimentação no setor ofensivo. Marcinho (que seria o grande nome do Leão do Pici na partida) foi derrubado por Judson dentro da área e Dodô abriu o placar em cobrança segura. E o que se viu na primeira etapa foi a equipe nordestina forçando o jogo pelas laterais, onde os alas Guga e Capa deixavam muito espaço às suas costas e sobrecarregavam Airton e Betão na cobertura do 3-4-1-2 de Geninho. Ao mesmo tempo, o Avaí só ameaçava em bolas longas para a velocidade de Rômulo ou nos cruzamentos para Beltrán tentar fazer o pivô para quem aparecesse (o camisa 25 ainda deixou o campo reclamando de penalidade não marcada pelo árbitro Vinicius Furlan). Muito pouco diante de um time que jogava com espaço e sem ser muito incomodado. O grande problema do Fortaleza eram as conclusões a gol. Faltava capricho e calma nos últimos passes e nos momentos mais decisivos. Apesar de tudo, a vitória parcial dos comandados de Rogério Ceni era justa.

O Fortaleza de Rogério Ceni apostou na movimentação intensa do seu quarteto ofensivo para abrir o placar logo no início da partida na Arena Castelão. O Avaí demorou para encaixar a marcação do 3-4-1-2 de Geninho e viu seu adversário ter mais posse de bola e criar mais chances de gol.

Com o segundo tempo vieram as mudanças. Geninho deu mais velocidade ao Avaí com a entrada de Luanzinho no lugar de Beltrán e chegou a ameaçar o gol de Marcelo Boeck com um bom chute de Capa. O comandante do Leão da Ressacada ainda foi mais ousado ao sacar o volante Pedro Castro para a entrada do atacante Getúlio, desfazendo o 3-4-1-2 e apostando numa espécie de 3-4-3 que abriu sua equipe, mas matou as subidas dos laterais do Fortaleza. Do outro lado, Rogério Ceni via Marcinho, Dodô e Roger Carvalho pararem nas defesas cinematográficas do goleiro Aranha e nos próprios erros em tomadas de decisão. O castigo veio aos trinta e três minutos, quando o lateral Adalberto derrubou Getúlio dentro da área. O ala Guga (uma das principais válvulas de escape do time catarinense no jogo) bateu bem e igualou o placar para desgosto dos torcedores presentes no Castelão. O Fortaleza ainda tentou se lançar ao ataque, mas não teve organização suficiente para marcar o gol da vitória.

Geninho fez substituições, deixou o Avaí mais ofensivo e viu o goleiro Aranha salvar o time com três grandes defesas. O Fortaleza não soube aproveitar os espaços e as chances que teve e foi castigado no final da partida com um gol nascido de um pênalti de Adalberto em Getúlio.

Difícil jogar toda a culpa pelos maus resultados (e também do empate com o Avaí) apenas nas costas do técnico Rogério Ceni. A estratégia proposta pelo treinador é interessante e valoriza muito a posse de bola e a movimentação intensa do quarteto ofensivo. Tanto que o Fortaleza poderia ter vencido a partida desta terça-feira sem muitos problemas e recuperado a gordura na liderança da Série B. O grande “porém” de tudo o que falamos está nas conclusões a gol. Getterson não consegue reter a bola na frente. Marcinho tem muita habilidade e velocidade com a redondinha nos pés, mas acaba pecando pelo individualismo em alguns momentos. Dodô tem qualidade para armar o jogo, mas às vezes some do jogo. Além disso (tirando Douglas Coutinho), Rogério Ceni não tem muitas opções confiáveis para mudar o panorama de uma partida quando precisa. E ter um bom banco de reservas é vital para uma competição como a Série B. Ainda mais com a competição chegando na metade.

A grande verdade é que o Fortaleza parece ter esgotado a sua cota de vacilos. E com os adversários bem próximos, a liderança pode ficar seriamente ameaçada (se já não está) nas próximas rodadas. O Avaí de Geninho entendeu como parar o bom time de Rogério Ceni e como disputar uma competição que exige tanto da parte física e da força mental dos seus jogadores. Falta isso ao Leão do Pici. Um pouco mais de concentração e menos afobação nos momentos decisivos. Afinal, o sonho do retorno à elite do futebol brasileiro nunca esteve tão próximo.

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