PAPO TÁTICO: França une pragmatismo, bom jogo coletivo e eficiência para conquistar a sua segunda Copa do Mundo

Difícil não começar essa análise com aquela frase bem batida. Mas ela resume bem o que aconteceu nesse domingo (15) no Estádio Lujniki, em Moscou. A França mereceu vencer a Copa do Mundo. Não só por ter suportado a pressão da Croácia durante boa parte da decisão, mas pelo conjunto da obra. O time de Didier Deschamps, Mbappé, Griezmann, Pogba, Umtiti, Kanté e Giroud foram eficientes, pragmáticos quando necessário (exagerando um pouco em alguns momentos) e foram letais nos contra-ataques durante todo o Mundial da Rússia. Se a França cria pouco nos noventa minutos, ela também dá poucas chances ao adversário. A Croácia até que tentou, mas o cansaço das três prorrogações seguidas acabou falando mais alto diante de uma seleção que soube explorar as suas deficiências e as situações que a partida proporcionou. A diferença dos jogos contra Dinamarca, Rússia e Inglaterra é que os comandados de Zlatko Dalic conseguiram se superar. Dessa vez deu França na cabeça. Pela segunda vez em vinte anos. Não é pouca coisa.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Getty Images

Já havíamos adiantado que franceses e croatas não fariam grandes mudanças nos times que entrariam em campo neste domingo (15). Só não havia como entrar na cabeça de Didier Deschamps e Zlatko Dalic para saber o que acada um deles planejavam para a decisão da Copa do Mundo. Certo é que a França encontrou muitas dificuldades para acionar Mbappé no lado direito do seu 4-2-3-1 “torto”. A Croácia adiantou as linhas do seu 4-1-4-1, marcou e ocupou o campo de ataque. O gol contra de Mandzukic nasceu de uma falta cavada por Griezmann logo aos dezoito minutos de partida. Só que a bola parada falou mais alto novamente e Perisic empatou a partida em belo chute após se livrar de Kanté. A Croácia viu a França recuar suas linhas novamente e poderia até ter segurado o placar até o intervalo se não fosse o toque de braço de Perisic na bola dentro da área confirmado pelo VAR. Os franceses estavam na frente apesar do maior volume de jogo dos croatas. Só que a Copa do Mundo premia a eficiência. E não a quantidade de chances criadas.

A França começou o jogo um pouco mais contida no 4-2-3-1 “torto” de Didier Deschamps. A Croácia tinha mais volume de jogo jogando no 4-1-4-1 de Zlatko Dalic, mas sofria com a bola aérea francesa. O time que melhor aproveitou as chances que teve saiu vencedor na Copa do Mundo.

A França voltou do intervalo mais organizada e mais atenta aos espaços deixados pelo time da Croácia. Tanto que o escrete comandado por Didier Deschamps fez o terceiro com Pogba (após jogada de Mbappé pela direita) e o quarto com o jovem camisa dez (que se tornou o primeiro jogador Sub-20 a balançar as redes numa final de Copa do Mundo depois de Pelé, em 1958). Os sinais de desgaste físico e mental da Croácia ficaram evidentes depois que a França abriu três gols de vantagem. Mas quiseram os deuses do velho e rude esporte bretão que o goleiro Lloris protagonizasse uma das maiores lambanças da Copa do Mundo ao perder uma bola fácil para Mandzukic anotar o segundo gol croata. Mas o time de Zlatko Dalic já estava no limite das suas capacidades. Foram 61% de posse de bola e 83%¨de acerto nos passes contra apenas 74% dos franceses. A única diferença é que esse Mundial premia a eficiência e a precisão. Quem souber aproveitar as suas chances durante os noventa (ou 120) minutos tem mais chance de vencer. A obviedade que poucos enxergam.

Perisic virou lateral-esquerdo, Pjaca entrou pela direita e Kramaric foi se juntar a Mandzukic no comando de ataque. A França se fechou num 4-4-2 e só esperou o adversário abrir o meio-campo para explorar os espaços, construir a goleada e conquistar a sua segunda Copa do Mundo.

A grande verdade é que a França teve uma campanha digna de campeã. Talvez tirando o empate no “jogo de compadres” com a Dinamarca na última rodada da fase de grupos, o time de Didier Deschamps foi cirúrgico e letal nas demais partidas. Principalmente contra Argentina, Uruguai (ambas campeãs mundiais e com camisas pesadíssimas) e a Bélgica, a grande sensação da Copa do Mundo na opinião deste que vos escreve. Mesmo assim, como já falamos anteriormente, a competição premia eficiência. Nem sempre o que joga o futebol mais vistoso ou o preferido da torcida vão vencer e levantar a taça. Mas não há como fechar os olhos para o Mundial espetacular que a Croácia fez. Modric e Rakitic foram monstruosos no meio-campo. Mandzukic foi um gigante no ataque. Perisic foi importantíssimo nos momentos mais complicados, Subasitic entrou para a história das Copas com quatro pênaltis defendidos na competição e Vida se transformou numa verdadeira fortaleza na zaga. Não era o dia da Croácia. Paciência. É do jogo. É do esporte.

O vice-campeonato na Eurocopa 2016 pode até ter deixado Didier Deschamps mais cuidadoso com o sistema defensivo da equipe. Só que esse foi o grande trunfo de Mbappé, Griezmann e companhia nessa Copa do Mundo. Se o time não tinha lá tanta mobilidade para chegar no ataque, a França seguia organizada quando perdia a bola e garantia a solidez do seu sistema defensivo para aumentar o nível de intensidade durante as partidas do Mundial da Rússia. Grande Copa de Kanté, Pogba, Griezmann e Mbappé. Grande Copa da Croácia, sempre talentosa e fortíssima tática e mentalmente. E grande trabalho de Didier Deschamps. Mesmo questionado, seguiu firme nas suas convicções, cumpriu sua missão e se junta a Zagallo e Beckenbauer como os únicos campeões mundiais como jogador e treinador. A Copa do Mundo está em boas mãos.

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