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PAPO TÁTICO: Inglaterra aproveita conservadorismo da Colômbia, sobrevive aos pênaltis e vai às quartas de final da Copa do Mundo

Caro leitor do TORCEDORES.COM, esqueça por um breve momento a arbitragem desastrosa do norte-americano Mark Geiger e também a manchete estúpida do tablóide The Sun. Por tudo que aconteceu no Spartak Stadium, a partida não pode ser reduzida a apenas esses dois fatores é passar por cima de detalhes importantes da classificação da Inglaterra para as quartas de final da Copa do Mundo. Por maior que seja a revolta com o homem do apito seja grande (assim como a torcida para os colombianos), a grande verdade é que a impressão que ficou depois da partida é que os comandados de José Pékerman poderiam ter feito muito mais do que somente anular o meio-campo do English Team. Mesmo com o desfalque considerável de James Rodríguez. O time de Gareth Southgate acabou sendo mais consistente nos momentos decisivos e se garantiu na fase seguinte do Mundial da Rússia. 

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Getty Images

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Sem poder contar com a sua principal estrela, o técnico José Pékerman armou a Colômbia num 4-3-1-2 com Wilma Barrios, Lerma e Carlos Sánchez protegendo a defesa, Quintero mais solto (na ponta do losango) e se juntando a Falcao García e Cuadrado no ataque. A estratégia era clara: travar o talentoso meio-campo da Inglaterra utilizando marcações por encaixes individuais (semelhante ao Palmeiras de Cuca no Brasileirão de 2016). Laterais batiam com os alas ingleses, os volantes se encarregavam dos meias de criação e Quintero ficava em cima de Henderson. O plano deu certo no primeiro tempo, mas também travou a Colômbia e deu campo ao adversário. A equipe sul-americana controlava os espaços sem conseguir reagir na mesma intensidade com que marcava o English Team. E o que se viu no primeiro tempo foi um jogo chato e quase sem emoções.

José Pékerman anulou o meio-campo inglês com marcações por encaixe no 3-1-4-2 de Garteh Southgate. A estratégia funcionou no primeiro tempo, mas também travou a Colômbia e amarrou demais o jogo.

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A estratégia de Pékerman era mais do que legítima (ainda mais com o seríssimo desfalque de James Rodríguez). O grande problema era que a Colômbia sempre estava desorganizada para atacar quando roubava a bola e apelava para ligações diretas. A postura mais reativa acabou pagando seu preço aos onze minutos da segunda etapa, quando Carlos Sánchez cometeu pênalti ridículo em Harry Kane. O camisa nove cobrou bem e marcou seu sexto gol na Copa do Mundo. A Inglaterra, que estava melhor em campo, acabou relaxando com a vantagem e deu o campo que a Colômbia precisava para chegar no ataque (de maneira um tanto aleatória, mas igualmente legítima). Pékerman trocou Carlos Sánchez, Lerma e Quintero por Muriel, Bacca e Uribe e viu sua equipe conseguir o gol de empate nos acréscimos com o zagueiro Yerry Mina acertando bela cabeçada em cobrança de escanteio da direita.

O gol de Harry Kane obrigou a Colômbia a partir para o ataque num modo um tanto aleatório com as mexidas de Pékerman. A Inglaterra levaria o gol no fim depois de ter sentado em cima da vantagem.

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Gareth Southgate tentou dar mais força ao ataque com a entrada de Vardy no ataque, mas viu a Inglaterra ameaçar uma única vez em belo chute de Danny Rose. A Colômbia controlava mais o jogo depois das mexidas de Pékerman na prorrogação, mas falhava ao tentar transformar esse domínio das ações no campo em gols. A decisão por pênaltis, no entanto, acabou premiando a equipe que teve mais controle dos nervos nos momentos decisivos. Repetimos: pênalti não é loteria; é força mental, competência e treinamento. O bom goleiro Pickford acabaria se transformando no herói da noite ao defender as cobranças de Uribe e Bacca (e também salvando Henderson do inferno após este parar no goleiro Ospina). A imagem de James Rodríguez chorando sozinho no banco de reservas resume todo o sentimento colombiano após o jogo em Moscou.

A Inglaterra pouco ameaçou a Colômbia na prorrogação. O time de Pékerman seguiu forçando pelos lados e controlando o jogo no meio, mas o gol da vitória não veio. A decisão por pênaltis classificaria a Inglaterra para as quartas de final e consagraria o bom goleiro Pickford, que defendeu as cobranças de Uribe e Bacca.

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Impossível não ficar totalmente pistola com a arbitragem horrorosa de Mark Geigel. Além de ignorar e inverter faltas, o norte-americano permitiu que os jogadores ingleses fizessem o que bem entendessem dentro de campo. Não coibiu simulações de agressões e de faltas dentro da área colombiana e revoltou meio mundo parar o jogo num momento em que Falcao García aproveitava lateral mal cobrado por Ashley Young e passa para Bacca mandar para as redes alegando que duas bolas estavam em campo. Lance, no mínimo, esquisito. Mark Geigel teve o VAR à sua disposição durante todos os cento e vinte minutos. Ou os árbitros de vídeo simplesmente não passavam nada ao norte-americano ou este ignorava qualquer orientação que vinha de lá. Certo é que ele foi um dos grandes responsáveis pelo baixo nível técnico da partida.

Em tempo: eu e você vimos os ingleses reclamar horrores das simulações e do comportamento do brasileiro Neymar nessa Copa do Mundo. Teve até comentarista de TV pedindo punição ao camisa dez na FIFA por conta da “reação exagerada” depois levar o pisão de Layún no jogo contra o México. Só no jogo desta terça-feira (3), pelo menos três jogadores do English Team também simularam agressões (a de Henderson beirou o ridículo) e cavarem pênaltis na área colombiana. O colunista ainda aguarda as reações e editoriais exaltados de Gary Lineker, Peter Shcmeichel e de toda a imprensa britânica. Pelo visto, só vale quando é a favor deles.