PAPO TÁTICO: Seleção Brasileira teve organização e uma senhora força mental contra o México; entenda

A Seleção Brasileira sofreu horrores nos primeiros vinte minutos de jogo em Samara. Vi muita gente nas redes sociais reclamando deste ou daquele jogador e pedindo uma postura mais ofensiva dos comandados de Tite. Pedido mais do que natural dada a nossa preferência por um futebol mais ofensivo. Vocês já devem ter ouvido a expressão “saber sofrer”. Este que vos escreve prefere falar em adjetivos como firmeza, organização e disciplina tática. Mas o grande trunfo do escrete canarinho foi a força mental diante de um México extremamente organizado e que marcava a saída de bola sobre pressão. Força mental para segurar o ímpeto ofensivo, as provocações dos adversários e o começo ruim em Samara. Destaque para as belas atuações de Neymar, Willian (talvez sua melhor partida na Copa do Mundo), Casemiro, Thiago Silva e Miranda. O Brasil pode não jogar aquele futebol da preferência do torcedor. Mas os resultados mostram que Tite e sua equipe estão no caminho certo.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

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A postura agressiva do time comandado por Juan Carlos Osório surpreendeu muita gente. O veterano Rafa Márquez entrou no time titular jogando como volante à frente da zaga num 4-3-3 bem organizado e com marcação sob pressão em cima da linha defensiva brasileira. Guardado e Herrera encostavam em Paulinho e Philippe Coutinho, Vela e Lozano fechavam a passagem de Fagner e Filipe Luís nas laterais e Chicharito Hernández ficava de olho em Casemiro e ainda forçava o erro dos zagueiros Thiago Silva e Miranda na saída de bola. A Seleção Brasileira demorou para se encontrar em campo e achar o melhor caminho para chegar no ataque sem desguarnecer seu sistema defensivo. E sempre que o México recuperava a bola, o time asteca abusava da velocidade nas transições e das viradas de jogo com os “pontas” Vela e Lozano entrando em diagonal.

O 4-3-3 de Juan Carlos Osorio fechou as principais saídas de bola da Seleção Brasileira e ainda levou perigo pelos lados com Lozano e Vela forçando em cima de Fagner e Filipe Luís. Faltava preencher melhor o meio-campo e mais objetividade nos passes por parte dos comandados de Tite. Foto: Reprodução / TV Globo.

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Tite percebeu os problemas da Seleção Brasileira e fez uma alteração muito simples no seu 4-1-4-1 costumeiro. Pediu ao volante Paulinho que se alinhasse a Casemiro na proteção da zaga, trouxe Willian para ajudar Fagner na marcação pela direita (o camisa 22 sofreu com as investidas mexicanas no início do primeiro tempo) e deslocou Philippe Coutinho para o lado esquerdo do meio-campo (onde a pressão do adversário não era tão grande). Além disso, com Neymar e Gabriel Jesus mais soltos, a produção ofensiva da Seleção Brasileira melhorou bastante a partir da primeira metade do primeiro tempo. Embora o México controlasse mais as ações dentro de campo e estivesse mais equilibrado, o escrete canarinho perdeu algumas boas chances de abrir o placar em Samara. Tite já sabia qual era o caminho para a vitória e a vaga nas quartas de final.

Tite começou a virar o jogo quando alinhou Paulinho junto com Casemiro, posicionou Philippe Coutinho no lado esquerdo e trouxe Willian para ajudar Fagner na marcação pelo lado direito. O 4-4-2 praticamente acabou com o ímpeto ofensivo do time do México. foto: Reprodução / TV Globo.

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Na medida em que o calor ia minando as forças do time mexicano, o futebol brasileiro ia aparecendo. Neymar e Willian aproveitaram a indefinição da zaga adversária e começaram a aparecer no espaço entre zagueiros e volantes. Aos cinco minutos do segundo tempo, o nosso camisa dez (que se mostrava preocupado apenas em jogar futebol para a graça de todos os deuses e entidades) fez fila na frente da área, serviu Willian de calcanhar e este cruzou para o mesmo Neymar completar para o gol vazio. O gol acabou com o ímpeto mexicano e os jogadores pareciam estar sem forças para reagir. Isso sem falar nas grandes atuações de Casemiro, Thiago Silva e Miranda. Vale a pena destacar a abnegação impressionante de Gabriel Jesus, que mesmo sem jogar bem no ataque, foi muito útil atuando na ponta-esquerda para ajudar na marcação.

Gabriel Jesus fechou o lado esquerdo do meio-campo brasileiro nos minutos finais e ajudou a Seleção a garantir a vitória por dois a zero em cima dos mexicanos. Abnegação e bom posicionamento tático foram algumas marcas do camisa nove nessa partida. Foto: Reprodução / TV Globo.

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A formação deu tão certo que Tite mandou Firmino para o jogo no lugar de Philippe Coutinho. E foi do camisa 20 o segundo gol da vitória brasileira depois de bela roubada de bola de Fernandinho (que havia substituído um extenuado Paulinho minutos antes) e boa jogada de Neymar pelo lado esquerdo. A Seleção Brasileira teve força para suportar a pressão e uma certa dose de catimba dos mexicanos e está classificada para as quartas de final da Copa do Mundo. Mesmo sem jogar bem (ou pelo menos algo perto daquilo que o torcedor exige do escrete canarinho), o time vem mostrando uma força mental muito grande e impressiona pela solidez e pela segurança defensiva. Casemiro é um desfalque muito sério até pelas últimas atuações do camisa cinco, mas a tendência é que Fernandinho mantenha a concentração e o bom nível do titular.

Se a Seleção Brasileira mantiver as boas atuações, se Neymar continuar pensando apenas em jogar bola (e não valorizar tanto alguns lances) e se a dupla de zaga seguir com as grandes exibições na frente do gol defendido por Alisson (que trabalhou pouquíssimo nas últimas partidas), o tão sonhado hexa pode ficar ainda mais próximo de um grupo que tem talento, mas que mostra agora uma concentração absurda. E controlar os nervos é o caminho mais curto para se vencer a Copa do Mundo.