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PAPO TÁTICO: Terceiro lugar na Copa do Mundo coroa o salto de qualidade da talentosa Geração Belga

Muito se falou sobre a talentosa geração belga de Hazard, Lukaku, Kevin De Bruyne, Mertens e Courtois. Muitos exaltaram a qualidade dos jogadores e outros fizeram piada com o desempenho obtido nos últimos anos muito por conta dos resultados obtidos na Copa de 2014 e na Eurocopa de 2016. A base foi mantida, os jogadores ganharam mais experiência e a Bélgica terminou sua participação no Mundial da Rússia com um honroso terceiro lugar. Não era o que o escrete comandado por Roberto Martínez desejava, mas o time que venceu a igualmente talentosa Inglaterra de Gareth Southgate entrou para a história por ter feito a melhor campanha do país em Copas do Mundo. Se o posto seria diminuído e ridicularizado aqui por essas bandas, o salto de qualidade da Bélgica nos últimos anos recebeu um senhor prêmio com a vitória por dois a zero e o bom futebol apresentado nos últimos jogos. O céu é o limite para a talentosa geração belga.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Getty Images

A disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo da Rússia teve mais um duelo das famosas linhas de cinco defensores. Só que a Bélgica tinha mais volume de jogo com Lukaku e De Bruyne se revezando pelo lado direito e por dentro e com Hazard puxando os contra-ataques e fazendo a sua melhor partida no Mundial. Do outro lado, Gareth Southgate mantinha o seu 5-3-2 mas viu sua equipe perder intensidade nas infiltrações e velocidade no meio-campo com Loftus-Cheek e Delph jogando por dentro. Por outro lado, mesmo com a Bélgica superior (e abrindo o placar logo no começo da partida com Meunier), o English Team não o mesmo ritmo das últimas partidas por conta da decepção pela derrota para a Croácia nas semifinais. Não parece, mas um resultado pode abalar e muito a força mental de uma equipe. Esse é o principal motivo pelo qual os comandados de Roberto Martínez sobraram na primeira etapa mesmo com a saída de Chadli por lesão. A Inglaterra resistia pouco.

Roberto Martínez armou a Bélgica no seu usual 5-2-3 com De Bruyne e Lukaku se revezando à direita e por dentro para confundir o miolo de zaga inglês. Ao mesmo tempo, as mudanças de Garteh Southgate deixaram a Inglaterra sem velocidade e força nas transições. O escrete belga não teve dificuldades na primeira etapa.

O segundo tempo trouxe uma Inglaterra mais ligada na partida. As entradas de Lingard, Rashford e Dele Alli melhoraram o desempenho do 5-3-2 inglês, embora as únicas jogadas de perigo do time de Gareth Southgate fossem os cruzamentos para a área buscando Harry Kane. Do outro lado, a Bélgica se fechava com Meunier, Alderweireld, Kompany, Vermaelen e Vertonghen na frente da área e Witsel e Tielemans fechando os espaços no meio-campo. Roberto Martínez viu que precisava de velocidade nos contra-ataques e mandou Mertens para o jogo no lugar de Lukaku. O camisa 14 permaneceu mais pela esquerda, De Bruyne seguiu mais centralizado e Hazard aproveitou os espaços às costas de Trippier e Phil Jones para marcar o gol da vitória da sua equipe. Se a Bélgica teve volume de jogo no primeiro tempo, ela soube se defender bem e aproveitar as chances que teve nos quarenta e cinco minutos finais. Mais uma prova de amadurecimento da geração belga.

Lingard, Rashford e Dele Alli entraram no jogo e deixaram a Inglaterra mais intensa no segundo tempo, embora o time tenha abusado das bolas levantadas para a área. A Bélgica se fechou na defesa, aproveitou os espaços e matou o jogo com Hazard coroando sua bela atuação na partida.

Havia muita esperança em torno da Inglaterra de Harry Kane, Sterling, Dele Alli e Pickford. Mas a sensação que fica é a mesma que ficou quando a Bélgica foi eliminada nas quartas de final da Copa de 2014: o time precisa de mais experiência. Fazia muito tempo que o English Team não chegava tão longe num Mundial e é justamente por isso que o trabalho de Gareth Southgate deve ser exaltado. Como dissemos anteriormente, você pode não gostar do estilo mais pragmático e estudado dos ingleses, mas o time mostrou um futebol eficiente e tem tudo para crescer ainda mais nas próximas temporadas. Ainda mais podendo aproveitar os atletas campeões mundiais Sub-17 e Sub-20. Você pode argumentar que a Inglaterra sofreu contra equipes mais arrumadas (Colômbia, Croácia e Bélgica), mas não pode negar que a equipe deu um senhor salto de qualidade nas últimas temporadas. Este que escreve esperava mais destaques individuais, mas a solidez e o trabalho coletivo foram notáveis.

A talentosa geração belga termina a Copa do Mundo deixando um legado muito interessante para os próximos anos. Primeiro pelo grande trabalho de Roberto Martínez à frente da equipe. Se a Bélgica teve muitos destaques individuais (Hazard, De Bruyne, Lukaku, Courtois e Meunier só para citar alguns), o time foi quase perfeito no trabalho coletivo. Muita intensidade, muito volume de jogo e variações táticas ousadas nos momentos certos (o 4-3-3 da vitória sobre o Brasil é um exemplo). E o melhor de tudo: experiência para os próximos anos. Não será surpresa para ninguém se essa geração conquistar títulos internacionais importantes para o país. Ela já chegou mais longe do que qualquer outra em Copas do Mundo. E quem disse que eles não podem chegar ainda mais longe? Em tempo: o que Hazard jogou nesse Mundial não foi brincadeira. Está na briga pelo título de melhor jogador da competição junto com o croata Modric e o francês Mbappé. Merece vaga na seleção da Copa.

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