PAPO TÁTICO: Transferência de Cristiano Ronaldo para a Juventus pode ser o início de uma nova era no futebol mundial

A transferência de Cristiano Ronaldo para a Juventus conseguiu ofuscar uma semifinal de Copa do Mundo. A fome de gols, de títulos e de se superar a cada jogo fizeram com que o melhor jogador do planeta a acabar com um casamento de nove anos com o Real Madrid, clube onde conquistou tudo o que disputou. CR7 se destacou jogando no futebol inglês, no futebol espanhol e agora tem o desafio de recolocar o futebol italiano no topo do mundo novamente além de acabar com jejum da Juventus de títulos da Liga dos Campeões da UEFA (a última conquista aconteceu na edição de 1995/96). Cristiano Ronaldo sempre quis o topo. Ser o melhor. Vencer sempre. E se prepara para isso com um foco impressionante. E essa vontade de vencer e de se superar é o que faz com que CR7 ganhe tanta atenção do mundo todo. É o fim de uma era. Mas também pode significar o início de uma outra ainda mais duradoura. Melhor para la “Vecchia Signora” e seus torcedores apaixonados.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Juventus

Alex Ferguson foi um dos primeiros a detectar em Cristiano Ronaldo essa vontade de ser o melhor e de se superar sempre. Trouxe o português de 18 anos do Sporting de Lisboa para Old Trafford em 2003 e começou a lapidar a sua joia aos poucos. Logo percebeu que o jovem se encaixava como uma luva como “winger” (o meia aberto do 4-4-2) e o orientou com relação ao seu posicionamento em campo. O ápice de Cristiano Ronaldo no Manchester United aconteceu em 2008, quando conquistou a sua primeira Liga dos Campeões e a sua primeira Bola de Ouro. Na final contra o Chelsea, Alex Ferguson deixou o veterano Ryan Giggs no banco de reservas e apostou na entrada de Hargreaves no lado direito para compensar a explosão de Cristiano Ronaldo entrando em diagonal na área adversária. O gol no tempo normal e o alívio com a vitória nos pênaltis (depois de ter desperdiçado a sua) ajudaram a consolidar o português como um dos grandes do futebol já naquele tempo.

O técnico Alex Ferguson aproveitou a explosão de Cristiano Ronaldo para encaixá-lo no lado esquerdo do seu 4-4-2 usual no Manchester United. Na decisão da Liga dos Campeões de 2007/08, CR7 contou com o suporte de Hargreaves pela direita para se juntar a Tévez e Rooney no ataque.

O acerto com o Real Madrid aconteceu em 2009, mas a sua primeira Champions com os merengues só viria cinco anos mais tarde. Depois de jogar aberto pela esquerda com José Mourinho e Manuel Pellegrini, o italiano Carlo Ancelotti resolveu apostar na face goleadora do português. Jogando mais próximo da área adversária, Cristiano Ronaldo foi batendo recordes atrás de recordes. A formação do segundo tempo da final histórica contra o Atlético de Madrid já trazia um pouco dessa mudança no seu estilo de jogo. Bale recuava pela direita e Di María abria pelo outro lado para transformar o 4-3-3 num 4-4-2 nos momentos defensivos e liberar CR7 de todas as obrigações defensivas para fazer aquilo que mais sabia: gols. O maior finalizador que muitos torcedores já viram em campo chegava ao seu auge numa final definida apenas nos minutos finais e no tempo extra. Cristiano Ronaldo também ficaria com a artilharia da Champions, com 17 gols em 11 partidas.

Carlo Ancelotti armou um 4-3-3 no Real Madrid para encaixar CR7, Gareth Bale e Benzema no time titular. A formação do segundo tempo da final da UCL de 2013/14 entrou para a história por conta da ousadia do italiano e por posicionar Cristiano Ronaldo mais próximo da área.

Depois de ver o rival Barcelona conquistar a Liga dos Campeões de 2014/15, Cristiano Ronaldo e o Real Madrid recuperaram o título na temporada seguinte já com Zinedine Zidane no comando do clube merengue. Mas foram as duas últimas edições da UCL que entraram para história. Primeiro pelo fato do Real Madrid ter conquistado o título com o mesmo time nas duas finais. E depois por Cristiano Ronaldo ter consolidado ainda mais o seu faro de artilheiro. Foi artilheiro da edição de 2016/17 com 12 gols em 12 partidas e repetiu o feito em 2017/18 com 15 gols em 13 partidas. E para encaixar todos os talentos que tinha à disposição, Zidane resgatou um 4-3-1-2 que tinha Casemiro como pilar defensivo, Modric, Toni Kroos e Isco armando o jogo, Marcelo voando pela esquerda e o francês Benzema voltando para deixar Cristiano Ronaldo mais próximo da área para decidir. Três Ligas dos Campeões em quatro temporadas não é pra qualquer um.

Zidade resgatou o 4-3-1-2 para dar liga ao Real Madrid nas duas últimas temporadas e conseguiu o feito de repetir o time em duas decisões de Champions League. Modric e Toni Kroos armam, Isco dá dinâmica, Benzema recompõe e Cristiano Ronaldo fica ainda mais próximo da área para definir.

Por isso que a chegada de Cristiano Ronaldo na Juventus é histórica. Será que o português seguirá no topo do mundo e vai recolocar a equipe italiana na crista da onda? Impossível não imaginar como o técnico Massimiliano Allegri vá escalar a equipe de Turim. E a inspiração para encaixar CR7 num time inspirado no 4-2-3-1 da França de Didier Deschamps. O volante Matuidi pode seguir no lado esquerdo com Douglas Costa do outro lado para acelerar e encostar no ataque. Mais atrás, Dybala pode subir muito de produção com Cristiano Ronaldo no comando do ataque. Bentancur e Pjanic armariam o jogo e protegeriam a defesa se alinhando com os “pontas” num 4-4-2 bem simples e eficiente. E isso sem falar nas opções que Massimiliano Allegri teria à disposição no banco de reservas. Mandzukic, Cuadrado, Higuaín (caso permaneça na Juventus), Khedira e o recém-chegado Cancelo podem formar um time bem forte para a próxima temporada.

Massimiliano Allegri pode se inspirar na França de Didier Deschamps para encaixar Cristiano Ronaldo no comando do ataque à frente de Douglas Costa, Dybala e Matuidi. Seja qual for o esquema tático escolhido pelo treinador, certo é que a Juventus vem muito forte para a próxima temporada.

É óbvio que Cristiano Ronaldo pode encontrar uma Juventus bem diferente desta que imaginamos anteriormente. Certo é que o novo camisa sete da “Vecchia Signora” segue com sede de títulos. E a sua transferência para o futebol italiano pode dar início a uma nova era no futebol mundial. Se Espanha e Inglaterra se revezaram como o centro mais importante da modalidade, muitos enxergam na chegada de CR7 na “Vecchia Signora” a oportunidade da Itália reviver os bons tempos iniciados nos anos 1980 com a própria Juventus de Giovanni Trapattoni e o histórico Milan de Arrigo Sacchi. A última vez em que um clube italiano levantou um título da Liga dos Campeões foi na temporada de 2009/10 com a Internazionale de Milão comandada por José Mourinho. De lá pra cá, só a equipe bianconeri conseguiu chegar na decisão e esbarrou no Barcelona de Messi e no Real Madrid de… Sim, ele mesmo. Cristiano Ronaldo.

CR7 marcou incríveis 451 gols em 438 jogos pelo escrete merengue. É o maior artilheiro da equipe espanhola e já figura no seleto hall dos maiores jogadores de todos os tempos. Já é o maior expoente da sua geração de longe. Talvez o maior gênio da grande área depois de Romário. E se conseguir colocar a Juventus no topo do mundo (principalmente se conquistar a Liga dos Campeões), Cristiano Ronaldo terá conquistado o coração de uma das mais fanáticas e apaixonadas torcidas do mundo. Você duvida? Eu não.

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