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Opinião: existe lógica na final única da Libertadores?

Recentemente, a Conmebol anunciou que a partir de 2019 a decisão da principal competição de clubes da América será disputada em uma única partida, novidade que tem gerado muitas opiniões diferentes dentre jornalistas e torcedores de futebol. A questão que permanece em pauta é: existe lógica para tal decisão?

Thiago de Paula
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Pexels

O futebol sul-americano perdeu prestígio comparado ao futebol europeu. As finais da UEFA Champions League e da UEFA Europa League são decididas em uma única partida e não há quem conteste isso, afinal, é a tradição e tem muito mais emoção.

Também é possível comparar com o Super Bowl, da NFL, evento esportivo realizado todos os anos com a maior audiência do mundo. Esses fatores são pontos para defender a final única nos torneios continentais das Américas e tentar aumentar o prestígio do futebol sul-americano no resto do planeta. Mas parece que muita coisa não foi levada em consideração.

Comparar a realidade sócio-econômica da América do Sul com a da Europa ou dos Estados Unidos não justifica a decisão da Conmebol. A locomoção dos torcedores é um ponto a ser discutido.

Na América do Sul não há transporte ferroviário para agilizar a viagem das torcidas ou torná-las acessíveis para todas as classes. No próprio território brasileiro já não existe esse tipo de locomoção entre um estado e outro. Se um torcedor do São Paulo decide viajar da capital paulista para o Rio Grande do Sul para assistir uma partida contra o Internacional, deverá ir de transporte rodoviário, o que demoraria mais e não é barato. Ou ele pode ir de avião, chegando mais depressa, mas optando por uma viagem mais cara.

Já na Europa, além de o transporte ser rápido e de boa qualidade, ele também é acessível às mais variadas classes, facilitando a viagem de um cidadão da Inglaterra rumo à Ucrânia para assistir a final da Liga dos Campeões.

Outro fator a ser destacado, que mostra não haver lógica nessa decisão, é o valor absurdo dos ingressos. A realidade de algumas equipes brasileiras é cobrar R$60 reais no ticket mais barato. Mas se um pai decide levar sua esposa e seus três filhos a um estádio de futebol, com certeza o bolso dele vai doer depois de um tempo.

Um ingresso para a final única da Libertadores não será alcançável para todos os públicos. Sem mencionar os gastos com hospedagem, transporte, alimentação, etc. É, parece que o dinheiro é um dos principais motivos para essa decisão da Conmebol.

Tornar a final da Libertadores um evento único é uma coisa boa, no ponto de vista da emoção, da adrenalina e até mesmo do turismo. Contudo, há um outro problema muito peculiar.

Assim como a final da Liga dos Campeões, a decisão da Libertadores também seria no fim de semana, correto? Errado! Pelo menos a primeira final única, que vai acontecer em Santiago, no Chile, será em uma quarta-feira, dificultando a viagem de quem queira assistir a partida in loco. Muitos torcedores não poderão por causa do trabalho, da faculdade, da escola e de outros motivos.

Os argumentos contra essa decisão da Conmebol não acabam. Há quem diga que a atual situação política de alguns países sul-americanos não daria a oportunidade dos cidadãos de viajarem para ver uma final com o seu clube. Há também quem defenda as torcidas, já que uma final única teria vários torcedores, não apenas aqueles dos times que estariam no jogo.

O novo formato da final beneficiará o país que vai recebê-la, com turismo, geração de renda, vendas, infraestrutura e muito mais. Assim como se tornará mais conhecido, seguindo em busca de melhorar a capacidade dos estádios para receber o tão esperado jogo – um fato.

O título dessa matéria questiona se existe lógica em uma final única. Do lado econômico, de audiência e de credibilidade, sim. Mas pensando nas nações sul-americanas, muitos lugares não têm condições de propiciar uma viagem desse nível e não têm estrutura para transportar os torcedores por um preço justo e de boa qualidade.

Agora, ao analisar o lado futebolístico presente na América do Sul, essa decisão, mais uma vez, não tem lógica alguma. É apenas mais um meio de conseguir dinheiro com o futebol e todos os seus torcedores.

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