PAPO TÁTICO: Alberto Valentim já sabe que vai ter muito trabalho para acertar o Vasco; entenda

A derrota do Vasco para o Atlético-PR nesta quarta-feira (29), na Arena da Baixada, não chega a ser um resultado absurdo diante das circunstâncias que envolvem os dois times no Campeonato Brasileiro. A questão, no entanto, é outra. Logo na sua estreia do escrete cruzmaltino, Alberto Valentim já percebeu que vai ter muito trabalho pela frente embora a equipe já tenha mostrado uma certa evolução desde os tempos de Jorginho. Para este que vos escreve, a tarefa mais urgente é encontrar o equilíbrio necessário em todos os setores e fortalecer o sistema ofensivo sem que a defesa (já conhecida pela sua fragilidade) fique sobrecarregada ou ainda mais exposta. Certo é que o Vasco não pode entrar em campo sem um jogador com capacidade para ditar o ritmo do meio-campo e dar o toque de criatividade no setor. Seja ele Wagner, Thiago Galhardo ou qualquer que seja o nome escolhido pelo treinador.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Carlos Greório Jr. / vasco.com.br

Alberto Valentim fez poucas mudanças no time que enfrentou o Atlético-PR. Wagner (poupado) e Maxi López (suspenso) deram lugar a Vinicius Araujo e Andrés Ríos respectivamente. Com isso, o Vasco manteve o 4-1-4-1 utilizado por Valdir Bigode na vitória sobre a Chapecoense. O único (e mais grave) problema estava na criação das jogadas. Yago Pikachu centralizava e abria o corredor para as descidas de Lenon, mas não conseguia dar sequência a nenhum lance. Tanto que as principais chances saíram em falhas da defesa do Atlético-PR. Do outro lado, o técnico Tiago Nunes mantinha o seu usual 4-2-3-1 com Raphael Veiga por dentro (logo atrás de Pablo, que jogava muito bem como “falso nove”) e Lucho González organizando a saída de bola. Só que os erros constantes de passe deixaram o jogo bastante modorrento nos primeiros quarenta e cinco minutos. Mesmo com o Furacão aproveitando o fato de jogar em casa e deixando espaços para o Vasco.

Alberto Valentim manteve o 4-1-4-1 utilizado por Valdir Bigode no Vasco, mas viu sua equipe sofrer bastante para criar as jogadas de ataque. As melhores chances surgiram em falhas defensivas do Atlético-PR que jogou no 4-2-3-1 usual de Tiago Nunes.

Difícil cobrar qualquer coisa de Alberto Valentim logo na sua primeira partida no comando do Trem Bala da Colina, mas a grande verdade é que o treinador escalou mal o Vasco e demorou muito para mexer no time. A impressão, em alguns momentos, era a de que o treinador se daria por satisfeito com um empate fora de casa. O argentino Desábato vinha muito mal, Vinicius Araújo perdia chances cristalinas e Yago Pikachu não tinha com quem jogar. E querer que Andrey e Raul pensem o jogo é Valentim só resolveu agir quando Raphael Veiga abriu o placar no meio da segunda etapa e ainda assim mais bagunçou do que melhorou a sua equipe. Faltou também a frieza necessária para aproveitar os espaços do Furacão, que administrou a vantagem apesar de também cometer seus vacilos defensivos. Mesmo assim, Pablo, Zé Ivaldo, o já citado Raphael Veiga, Wellington e Jonathan tiveram atuações sólidas e ajudaram a garantir o resultado na Arena da Baixada.

O técnico Alberto Valentim só mexeu no time depois do gol de Raphael Veiga e ainda assim suas substituições pouco acrescentaram. Faltava criatividade ao escrete cruzmaltino e mais frieza na hora de concluir a gol.

Alberto Valentim já sabe que vai ter muito trabalho para acertar a equipe do Vasco. Wagner e Maxi López fizeram muita falta, mas a atuação e a disposição tática da equipe no jogo contra o Atlético-PR mostraram que o buraco é bem mais embaixo. É possível pensar no Trem Bala da Colina jogando num 4-2-3-1 com Wagner, Yago Pikachu e Thiago Galhardo Logo atrás de Maxi López. Assim como é possível pensar numa variação para o 4-1-4-1 com Andrey chegando como elemento surpresa no ataque e Desábato (ou Raul) à frente da zaga. O trabalho de Alberto Valentim ainda está no começo e o fato do Vasco ter apenas o Campeonato Brasileiro pode até facilitar a vida do treinador, já que ele terá mais tempo para preparar a equipe e implementar as suas ideias. A questão está justamente nesse ponto. O elenco cruzmaltino foi montado ao longo da temporada, fato que dificulta qualquer tipo de entrosamento. E ainda existem as lesões. Complicado pra qualquer técnico.

Este que escreve não vê o time do Vasco com elenco inferior aos dos clubes que lutam contra o rebaixamento e acredita que os jogadores que lá estão podem render muito mais do que vêm rendendo dentro de campo. E a grande tarefa de Alberto Valentim é fazer com que isso vire realidade. Não será fácil. Ainda mais com a fase do time no Campeonato Brasileiro e as cobranças que aparecem de todos os lados. O novo treinador, apesar da qualidade, vai ter que se superar para ter sucesso.

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