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PAPO TÁTICO: Alguns pitacos e observações sobre o Chelsea de Maurizio Sarri

Este que escreve entende perfeitamente que a temporada europeia ainda está no começo e que os principais times do continente ainda não contam com seus principais jogadores por conta das partidas da Copa do Mundo da Rússia. Por outro lado, já é possível notar algumas mudanças interessantes no estilo de jogo de algumas equipes. O Chelsea de Maurizio Sarri é um bom exemplo. Antes comandada por outro italiano (o intempestivo e polêmico Antonio Conti), a equipe londrina tem novo técnico, novos jogadores e uma nova maneira de se comportar em campo. No lugar de um certo pragmatismo, uma proposta de imposição de jogo e de troca de passes bem ao gosto de Maurizio Sarri. E a vitória sobre o Arsenal neste sábado (18) mostrou que algumas das novas ideias trazidas pelo treinador já começaram a ser compreendidas pelos jogadores. Já são duas vitórias em duas rodadas na Premier League 2018/19.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Chelsea Football Club

Se o Chelsea adotava uma postura mais cautelosa com Antonio Conti (que utilizava um 5-4-1 que privilegiava a velocidade nas transições) nas duas últimas temporadas, o time comandado por Maurizio Sarri joga de maneira bem diferente. A começar pelo encaixe do ítalo-brasileiro Jorginho na frente da linha de quatro defensores. Difícil não ver no futebol do camisa 5 um pouco do estilo de Pirlo (que jogava da mesma maneira no Milan de Carlo Ancelotti). Mais à frente, Kanté tem mais liberdade para pisar na área e fazer infiltrações. O Chelsea joga no campo adversário com passes curtos e muita velocidade do trio ofensivo. Willian e Pedro jogam pelos lados e cortam para dentro para abrir o corredor para os laterais espanhóis Azpilicueta e Marcos Alonso subirem ao ataque. É um estilo de jogo que salta aos olhos quando os movimentos são bem coordenados e as jogadas saem do jeito que o técnico Maurizio Sarri determina.

Jorginho inicia a construção das jogadas, Kanté vira meia, Pedro e Willian abrem o corredor para os laterais e Morata abre espaços. O Chelsea de Maurizio Sarri aposta na troca de passes e na velocidade para chegar ao gol. Os primeiros minutos contra o Arsenal foram de uma eficiência ímpar.

Só que o primeiro tempo do jogo em Stamford Bridge mostrou um Chelsea que ainda está em fase de adaptação. Repito: fato totalmente natural quando lembramos que estamos apenas na segunda rodada da Premier League. Principalmente pelo estilo de jogo implementado por Maurizio Sarri. Se Pedro e Morata marcaram duas vezes para os Blues, o sistema defensivo demorou para se encontrar diante de um Arsenal que encontrou muitos espaços e imprimiu bastante intensidade armado no 4-2-3-1 de Unai Emery. Não seria exagero nenhum dizer que os Gunners poderiam até ter virado o jogo se Aubameyang, Iwobi, Özil e Mkhitaryan tivessem aproveitado as chances que tiveram (algumas delas quase na linha da pequena área). Do outro lado, se Jorginho era a garantia de qualidade no passe, o camisa 5 não colocava a intensidade necessária na marcação e acabava sobrecarregando Kanté e Barkley no meio-campo.

Maurizio Sarri reorganizou a sua equipe no intervalo e os Blues voltaram para a segunda etapa muito mais ligados e concentrados. Além disso, as mexidas do treinador italiano deixaram Unai Emery sem saber muito o que fazer, já que Kovacic deu outra dinâmica ao meio-campo e Hazard reestreou mostrando a qualidade de sempre. E o Chelsea seguiu jogando com bola no chão e sincronia de movimentos. Se Kanté avançava, Pedro recuava para esperar a sobra e cobrir os espaços. Se Hazard centralizava, Kovacic dava opção de passe e Marcos Alonso apoiava por dentro. Foi numa dessas descidas que o lateral-esquerdo marcou o gol da vitória do Chelsea numa partida cheia de alternativas de ambos os lados. Mas Maurizio Sarri acabou sendo mais feliz no final. Principalmente por ter utilizado o banco de reservas de maneira mais eficiente do que Unai Emery.

As entradas de Hazard e Kovacic na segunda etapa devolveram ao Chelsea a intensidade e concentração perdidas no final da primeira etapa. O 4-1-4-1 de Sarri levou grande vantagem sobre o 4-2-3-1 sem muita inspiração do Arsenal de Unai Emery em quase todos os aspectos.

Uma coisa é certa. O Chelsea só recuperou seu jogo porque todo o time entendeu que precisava se movimentar e dar opções para Jorginho, volante de ótima visão de jogo e excelente qualidade no passe. O camisa 5 pode não ter o vigor físico e a polivalência de Kanté (que é outro que está se adaptando a uma nova função), mas sabe muito bem como armar e pensar cada movimento dentro de campo. É o volante que joga como “um 10”, um construtor de jogadas. Só que para que o 4-1-4-1 de Maurizio Sarri funcionar da maneira mais eficiente possível, todo o time precisa se comprometer na marcação do adversário desde o ataque para que o meio não fique sobrecarregado. Tanto que os melhores momentos do Arsenal na partida aconteceram justamente quando o time forçou as tramas ofensivas em cima de Jorginho. Mais uma questão a ser resolvida pelo treinador italiano. Mesmo estando no início da temporada.

Certo é que o Chelsa de Maurizio Sarri já mostrou sua força. Principalmente depois que Hazard e Giroud entraram em campo. Ao mesmo tempo, Unai Emery ainda vai precisar de tempo e reforços para dar mais força e qualidade ao Arsenal. Principalmente quando o alemão Özil parece jogar uma partida nos anos 1970. Se os Blues precisam encontrar a dose certa de intensidade para permitir que Jorginho crie e pense sem estourar seus jogadores, os Gunners precisam aprender e tirar lições das derrotas se quiserem brigar na parte de cima da tabela da Premier League.

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