PAPO TÁTICO: Demissão de Marcos Paquetá é a prova de que a diretoria do Botafogo não tem a menor ideia do que está fazendo

Sempre ouvi que o futebol é um esporte com tantas variantes que é praticamente impossível se apontar um único caminho para o sucesso de uma equipe. Certo é que elementos como um bom planejamento, um elenco de qualidade e uma boa dose de sorte são fundamentais. Só que o grande problema é que o Botafogo mostrou que está perdido nessa temporada. A demissão de Marcos Paquetá depois de apenas cinco jogo à frente da equipe escancarou o fato de que a diretoria alvinegra não tem a menor ideia do que anda fazendo e do que quer para o clube. É bem verdade que o time sofre com lesões de jogadores importantes (como os goleiros Jefferson e Gatito Fernández) e que a sorte que apareceu no Campeonato Carioca voltou a se esconder. Só que uma demissão de treinador significa (quase sempre) o fracasso de um planejamento e de uma ideia para um time de futebol. O Botafogo terá que repensar as suas estratégias para esse final de temporada antes que seja tarde demais.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Vítor Silva / SS Press / Botafogo

Foram cinco partidas. Quatro derrotas e apenas uma vitória. E ainda assim sem convencer ninguém. Marcos Paquetá chegou no final do mês de junho para substituir Alberto Valentim e teve tempo para trabalhar e implementar as suas ideias. Só que, tirando a boa atuação na derrota para o Corinthians, o time do Botafogo não apresentou nada de interessante e nada que pudesse fazer com que o time fizesse frente aos seus adversários no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana. A derrota para o Nacional do Paraguai nesta quarta-feira (1) mostrou um time sem brilho, preguiçoso e muito abaixo daquilo que jogou na decisão do Campeonato Carioca. Contra Marcos Paquetá também pesou o fato de ter que mexer no time por conta das lesões e desfalques pelos mais diversos motivos. Mas isso não o isenta de boa parcela de culpa na péssima fase do Botafogo depois da Copa do Mundo. Faltava intensidade, objetividade nas tramas ofensivas e concentração nos momentos decisivos.

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O time do Botafogo que perdeu para o Nacional do Paraguai foi o retrato do momento do clube. Confuso, sem ideias e sem potencial para crescer. O jogo só melhorava quando os próprios jogadores buscavam ser mais participativos, mas sem grandes melhoras na atuação coletiva.

Tudo isso pesou na derrota para o Nacional no Paraguai. Assim como a indefinição de Marcos Paquetá com relação ao desenho tático e ao estilo de jogo que iria adotar no Botafogo. Contra o Corinthians vimos uma equipe ofensiva, com boas jogadas pelos lados do campo e que só parou na atuação soberba de Cássio debaixo das traves. Contra Flamengo, Internacional, Chapecoense (mesmo vencendo a partida), no entanto, o que se viu foi a insegurança do ex-treinador alvinegro na hora de escalar, de definir o padrão de jogo e de fazer as mudanças necessárias. E isso sem falar nas suas estrategias. O 4-2-3-1 utilizado na derrota para o Nacional do Paraguai era estático, sem variações de jogadas definidas (tanto que o gol do Botafogo saiu numa das únicas vezes em que Kieza se movimentou no setor ofensivo) e bastante frouxo na marcação em todos os setores. Some-se os péssimos números do time. Foram apenas dois gols marcados e nove sofridos em cinco partidas.

Kieza abre pela direita, puxa a marcação do Nacional e abre espaços para as chegadas de Rodrigo Pimpão, Leo Valencia, Luiz Fernando e Luís Ricardo por dentro. Um dos raros momentos de boa dinâmica no ataque do Botafogo comandado por Marcos Paquetá. Foto: Reprodução / Sportv.

Só que o futebol também depende daquilo que acontece fora de campo. E depois da demissão de Marcos Paquetá, este que escreve agora se pergunta se a diretoria do Botafogo conhecia o trabalho do seu ex-treinador ou se considerava a escolha uma aposta num nome mais experiente e com bastante experiência no exterior. E qualquer que seja a resposta para esse questionamento mostra que os dirigentes alvinegros não fazem ideia do que querem. Se eles conheciam o trabalho de Paquetá e apostaram nele, teriam que ter seguido por um pouco mais de tempo e blindado o treinador das críticas que vinham de ~conselheiros~ e torcedores. Se não conheciam e fizeram a aposta “às cegas”, mostraram um completo despreparo na hora de fazer o planejamento do clube. E isso pesa muito mais do que qualquer resultado ruim. O Botafogo vai mal no Brasileirão, foi eliminado da Copa do Brasil pela Aparecidense e começou a segunda fase da Copa Sul-Americana com o pé esquerdo.

O grande problema não está em demitir Marcos Paquetá. Está em não se saber o que quer. Qual será o estilo do novo treinador? Vão apostar num nome mais novo e mais estudioso? Ou vão apostar em alguém mais cascudo, disciplinador e com capacidade de tirar mais de um elenco claramente limitado e mal montado? Seja como for, o Botafogo reinicia seu ~planejamento~ mais uma vez. E o tal planejamento que começou com Felipe Conceição e teve bons momentos com Alberto Valentim terminou de maneira melancólica e precoce com Marcos Paquetá. Cinco jogos, quatro derrotas e a eterna pressão por resultados sem cobrança a jogadores que rendem muito menos do que se espera e sem qualquer perspectiva para o futuro. A verdade, amigos, é que só os deuses do futebol sabem o que vai acontecer com o Botafogo.

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