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PAPO TÁTICO: Passeio do Atlético-PR nasceu da disciplina tática e da concentração; entenda

Se a equipe não anda bem das pernas no Campeonato Brasileiro, o mesmo não se pode dizer da participação do Atlético-PR na Copa Sul-Americana. O Furacão fez jus ao seu apelido e goleou o tradicionalíssimo Peñarol por quatro a um nesta terça-feira (7), em pleno estádio Campéon del Siglo, em Montevidéu, pela segunda fase da competição. Quem esperava uma partida dura e bem disputada viu o time comandado por Tiago Nunes fazer uma partida quase perfeita em todos os aspectos, principalmente na parte tática. Segurar o escrete aurinegro na casa do adversário e suportar toda a pressão da torcida é tarefa que poucos conseguiram cumprir. Só que o Atlético-PR mostrou que mística e “peso” de camisa ajudam, mas não são fatores determinantes para fazer com que uma equipe vença ou perca as suas partida. O Furacão foi intenso, veloz, móvel e soube muito bem como usar o cenário ao seu favor no Campéon del Siglo. E se repetir as atuações seguras da Copa Sul-Americana, os comandados de Tiago Nunes têm todas as condições de se livrar da zona do rebaixamento no Brasileirão.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Conmebol Sudamericana

Precisando vencer o jogo por três gols de diferença para se classificar, era mais do que natural que o Peñarol fosse se lançar ao ataque desde o início da partida. O técnico Diego López apostou num 4-2-3-1 com Cristian “Cebola” Rodríguez jogando por dentro e encostando em Viatri mais à frente. A ideia era usar o “caldeirão” para acuar o adversário e conseguir pelo menos um gol antes dos quinze minutos. Só que o Atlético-PR entrou muito concentrado no jogo. Tiago Nunes utilizou o mesmo desenho tático do escrete uruguaio, compactou os setores e utilizou a velocidade e mobilidade do quarteto ofensivo formado por Marcelo Cirino, Raphael Veiga, Marcinho e Pablo para bagunçar a defesa do Peñarol. O gol de Léo Pereira (aos seis minutos de partida) e a defesa de cinema do goleiro Santos em cabeçada de Estoyanoff só ajudaram a desestabilizar o time de Diego López. Aos poucos, a defesa do Furacão (sempre muito bem postada) foi ganhando segurança e o meio-campo fazia a bola rodar com qualidade.

Peñarol e Atlético-PR armados no 4-2-3-1 e com propostas de jogo semelhantes, mas era o Furacão quem executava melhor as suas estratégias. destaque para a movimentação do quarteto ofensivo e para a dinâmica implementada por Pablo no comando de ataque atleticano.

O Atlético-PR voltou ainda mais organizado e intenso no segundo tempo. Com o Peñarol se lançando ao ataque para tentar o famoso “abafa”, o time de Tiago Nunes apostou nos contra-ataques e deu uma verdadeira aula de como se executa o recurso sem erros. Pablo se movimentava muito na frente e abria espaços para as subidas de Marcinho (que se transformou num verdadeiro tormento para a defesa aurinegra), Marcelo Cirino (que acabou dando lugar a Nikão) e Raphael Veiga. Com duas assistências e muita movimentação no setor ofensivo, o camisa cinco acabou sendo um dos melhores em campo. O 4-2-3-1 não mudou nem mesmo depois das substituições promovidas por Tiago Nunes. E a intensidade nos contra-golpes seguiu em nível altíssimo. Nem mesmo o (belo) gol de “Cebola” Rodríguez conseguiu recolocar o Peñarol no jogo. O Furacão simplesmente varreu qualquer chance de reação do adversário e se garantiu com méritos nas oitavas da Copa Sul-Americana.

O time do Atlético-PR manteve o esquema tático e deu verdadeiras aulas de contra-ataque enquanto o Peñarol sucumbia técnica e mentalmente diante da sua torcida. A equipe brasileira manteve o nível de intensidade e de concentração mesmo com as substituições na segunda etapa.

A grande missão de Tiago Nunes é fazer com que sua equipe siga repetindo as boas atuações também no Campeonato Brasileiro, onde o Atlético-PR segue na zona do rebaixamento com apenas quatorze pontos em dezesseis rodadas. A goleada sobre o Vitória (que causou a demissão do técnico Vagner Mancini) e o empate sem gols contra o Corinthians no Itaquerão já mostravam que o Furacão estava evoluindo e reencontrando os caminhos para o gol. Sem dúvida, é uma equipe com opções interessantes. Marcinho, Marcelo Cirino e Nikão são opções de jogo rápido pelos lados do campo, Raphael Veiga organiza as jogadas de ataque, Pablo vem jogando muito bem como centroavante móvel e Bruno Guimarães mostra muita qualidade no passe e disposição para compensar o peso da idade do sempre competente Lucho González. Tudo isso cumprindo os movimentos do 4-2-3-1 de Tiago Nunes com bastante eficiência, disciplina tática e bastante concentração para não abrir espaços para o adversário.

O Atlético-PR encontrou seu caminho e a forma de jogar que deixa seus jogadores mais confortáveis dentro de campo. Agora é seguir com o trabalho na Copa Sul-Americana e no Campeonato Brasileiro. Se o time repetir as aulas de contra-ataques e mantiver o nível de concentração durante as partidas, a tendência é que o Furacão siga varrendo mais e mais adversários pelo Brasil a fora.

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