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Técnicos que treinaram os quatro grandes clubes de São Paulo

Ídolo das torcidas de Corinthians e Palmeiras, Osvaldo Brandão foi um dos sete técnicos que treinaram os quatro grandes times de São Paulo.

Alex Silva
Colaborador do Torcedores

Crédito: (Michael Regan/Getty Images)

Poucos técnicos brasileiros fizeram tanto sucesso em sua profissão a ponto de treinar equipes rivais nos seus estados e serem respeitado por ambas as torcidas. Em São Paulo, além de Brandão, somente seis estiveram à frente dos elencos de São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos. Por ordem alfabética, são eles: Aymoré Moreira, Carlos Alberto Silva, Emerson Leão, Nelsinho Baptista, Osvaldo Brandão, Oswaldo de Oliveira e Rubens Minelli.

Aymoré Moreira – Orgulho profissional que poucos técnicos têm

Poucos técnicos no mundo podem sentir o mesmo orgulho profissional que Aymoré Moreira. Fluminense da cidade Miracema, Aymoré foi bem sucedido no futebol. O treinador, irmão de Zezé Moreira e Ayrton Moreira que também eram técnicos, foi campeão do mundo com a seleção brasileira em 1962, no Chile, e treinou o Quarteto de Ferro do Futebol Paulista.

Palmeiras – Nos clubes paulistas, Aymoré teve maior êxito na equipe do Palmeiras. Como goleiro do antigo Palestra Itália, conquistou o Campeonato Paulista de 1934. Já como treinador, foram duas passagens, que somadas dão um total de 193 jogos à frente do Verdão. O título mais importante conquistado por ele no time alviverde foi a Taça Roberto Gomes Pedrosa de 1967. O torneio, também chamado de Robertão, anos mais tarde foi reconhecido pela CBF como título de Campeão Brasileiro.

Corinthians – No Corinthians também foram duas passagens como treinador entre os anos de 1968 e 1971. Foram 55 partidas disputadas e um título conquistado, o Torneio do Povo do ano de 1971. Aquela competição reunia os times que possuíam as maiores torcidas do estado e foi disputado entre 1971 e 1973.

No primeiro ano, o timão comandado por Aymoré Moreira venceu. Participaram Flamengo, Atlético Mineiro, Internacional e o próprio Corinthians. O título em questão não era reconhecido pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Por isso, mesmo com aquele título, o Corinthians ainda seguia na fila sem conquistar campeonatos – espera que terminaria em 1977.

São Paulo – Assim como nos rivais, no tricolor foram duas passagens como treinador. Contudo, elas foram bem mais discretas. No total foram 63 jogos à frente do São Paulo, que renderam 28 vitórias, mas nenhum título ao clube.

Curiosamente, Aymoré treinava o Tricolor Paulista quando foi convidado a assumir a seleção brasileira – que seria campeã do mundo em 1962.

Santos – Aymoré treinou o Santos no ano de 1952, mas teve uma temporada com pouco destaque.

É importante ressaltar ainda que, além dos considerados quatro grandes de São Paulo, o treinador também teve passagens pela Portuguesa.

Carlos Alberto Silva

Falecido no ano passado, Carlos Alberto Silva teve façanhas importantes como técnico de futebol. Além de treinar as quatro maiores equipes de São Paulo, ele conquistou o Campeonato Brasileiro de 1978 pelo Guarani, a medalha de ouro no Pan de Indianápolis, em 1987, e a prata com a seleção olímpica do Brasil em 1988, em Seul. Além disso, venceu por duas vezes o Campeonato Português com o Porto nos anos de 1992 e 1993.

Na capital paulista o seu primeiro time foi no São Paulo, com duas passagens entre 1980-1981 e 1989-1990. Posteriormente, treinou o Palmeiras em 1984, o Corinthians em 1991 e o Santos em 2000.

Pelo Quarteto de Ferro, conquistou títulos somente no Tricolor Paulista. Nas duas vezes em que treinou o São Paulo, garantiu o Campeonato Paulista. O primeiro foi em 1980 e o segundo em 1989.

Emerson Leão

Conhecido por seu estilo autoritário e, muitas vezes, chamado para apagar incêndio, o comentarista do Esporte Interativo também já treinou Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras. No Verdão, Leão foi considerado um dos melhores goleiros da história do time e chegou até a ser convocado para a seleção brasileira.

Palmeiras – Leão teve duas passagens como treinador do Palmeiras – e em ambas não conquistou nenhum título. A última vez que treinou o time alviverde foi entre 2005 e 2006. Foram 34 jogos com 16 vitórias, 12 empates e 16 derrotas.

São Paulo – A passagem de Emerson Leão como técnico do São Paulo aconteceu entre os anos de 2004 e 2005.

Ele assumiu o São Paulo em 2004, após a saída de Cuca, e classificou o time para a Libertadores do ano seguinte. Em 2005, conquistou o Campeonato Paulista e montou a base da equipe que ganharia a Libertadores e o Mundial daquele ano.

Na sua passagem pelo clube, Leão foi contestado por dar poucas oportunidades para Falcão, jogador de futsal brasileiro que tentou uma carreira no campo, mas, com poucas oportunidades no São Paulo, retornou ao seu esporte de origem.

Pelo tricolor, foram 52 jogos, com 29 vitórias, 10 empates e 13 derrotas naquela passagem.

Entre 2011 e 212, ele voltou a treinar o São Paulo. O técnico foi contratado para cobrar de maneira mais enérgica o elenco, considerado sonolento pela torcida. Porém, não alcançou nenhuma conquista em seu retorno.

Corinthians – Leão chegou no Timão em 2006 para apagar incêndios. Na oportunidade em que assumiu o time, o Corinthians era o último colocado do Brasileirão, com risco eminente de rebaixamento.

Mas o treinador conseguiu levantar a equipe, que terminou aquele campeonato em nono lugar. No ano seguinte, entrou em acordo com o clube e deixou o time no Campeonato Paulista, devido à campanha fraca na competição.

Santos – Como técnico do Peixe, Leão conquistou seu maior título comandando uma equipe. Em  2002, ele assumiu os Meninos da Vila que, liderados por Robinho e Diego, conquistaram o Campeonato Brasileiro em uma final histórica contra o Corinthians.

Um pouco antes, em 1998, Leão já havia conquistado a Copa Conmebol no comando do Santos. Em 2008, voltou a treinar o Peixe, mas dessa vez sem resultados expressivos.

Nelsinho Baptista

Pai de Eduardo Baptista, Nelsinho Baptista rodou bastante como treinador de futebol. O ex-treinador do Sport, é considerado ídolo no Japão, onde conquistou o Campeonato Japonês (J-League) três vezes e a Copa da Liga Japonesa duas vezes.

Corinthians – O Timão foi o clube em que Nelsinho teve passagens mais marcantes como treinador. Foram quatro pelo Corinthians, duas marcadas por extremos e muito distintas uma da outra.

No ano de 1990, Nelsinho comandou o Corinthians no seu primeiro título nacional. A final daquele Campeonato Brasileiro teve um sabor especial, já que o time alvinegro de Neto, Tupãzinho e cia. era considerado azarão contra um São Paulo, comandada por Raí e treinada por Telê Santana, e ainda assim ficou com o título.

Mas se a primeira passagem foi o paraíso, a segunda foi o inferno. Nelsinho Bapstista era o técnico do time no Brasileiro de 2007, ano em que o Corinthians conheceu seu primeiro e único rebaixamento na história do futebol.

São Paulo – Pelo Tricolor Paulista também foram duas passagens. A primeira, em 1998, foi coroada com o título do Campeonato Paulista daquele ano. Já a segunda passagem aconteceu entre 2001 e 2002, dessa vez sem conquistas.

Santos – Foram apenas dois meses de trabalho no Santos, entre setembro e novembro de 2005, sem resultados positivos. Nesse mesmo período, sofreu uma sonora goleada contra o Corinthians por 7 a 1, jogo lembrado até hoje. Logo após a derrota, foi goleado novamente pelo Internacional por 4 a 0 e, assim, foi demitido do Peixe.

Palmeiras – Nelsinho treinou o Palmeiras entre as temporadas de 1991 e 1992, sem conquistar resultados expressivos pelo Verdão.

Osvaldo Brandão – Poucos técnicos serão idolatrados por dois rivais como ele

Osvaldo Brandão talvez seja uma das poucas pessoas, senão a única, a ser lembrada com carinho pelas torcidas de Corinthians e Palmeiras. O técnico, considerado por muitos um dos melhores brasileiros da história, conquistou títulos importantes pelas duas equipes e ainda levantou o caneco pelo São Paulo.

Corinthians – Pode-se dizer que Osvaldo Brandão iniciou e encerrou a fila de 23 anos do Corinthians por um título oficial. Brandão havia deixado os campos e era gerente de um cinema quando foi convidado, em 1954, pelo presidente corintiano Alfredo Trindade para treinar a equipe.

A aposta deu certo e Brandão conquistou o IV Centenário (equivalente ao Campeonato Paulista daquela época), justamente contra o Palmeiras, seu último clube até aquele momento.

Depois daquele campeonato, o Timão passou 23 anos sem conquistar um título. Nesse meio tempo, Brandão ainda treinou o clube na década de 1960, sem conseguir tirar o time da fila.

O consagrado técnico conseguiu alcançar o objetivo no ano de 1977. Era ele o comandante da equipe que venceu a Ponte Preta na final do Paulista daquele ano e que tirou a equipe da fila com um gol marcado por Basílio.

Devido àquele título, até hoje Osvaldo Brandão tem um lugar especial no coração dos corintianos.

Palmeiras – Apesar de participar de momentos marcantes no Corinthians, foi no Palmeiras que Brandão alcançou suas maiores conquistas como técnico. Foram cinco passagens pelo Alviverde de Palestra Itália, clube no qual fez sua estreia como treinador em 1945.

Pelo Palmeiras, conquistou os Paulistas de 1947, 1959, 1972 e 1974. Porém, as maiores vitórias foram os três Campeonatos Brasileiros dos nove conquistados pelo Verdão.

O primeiro foi em 1960, na então Taça Brasil. Mais tarde, o time viria ainda a ser chamado de Academia, por representar a seleção brasileira em um amistoso contra o Uruguai.

Brandão também fez parte da Segunda Academia. Aquele time, que encantou o mundo do futebol com Ademir da Guia, Leivinha, Dudu, Cesar Maluco, Leão, entre outros, conquistou os Campeonatos Brasileiros de 1972 e 1973.

Osvaldo Brandão pode ser considerado o maior técnico da história do Palmeiras, pois foi o que mais comandou o time. Foram, no total, 580 jogos, 335 vitórias, 151 empates e 94 derrotas. Com sete títulos conquistados, Brandão também foi o treinador que mais levantou taças pelo Alviverde.

São Paulo – No São Paulo, Osvaldo Brandão também deixou sua marca vencedora. Ele treinou o tricolor em duas oportunidades; uma em 1963 e outra em 1971, ano em que conquistou o Campeonato Paulista, seu único título pela equipe.

Santos – Se no trio da capital Brandão conquistou títulos em todos os times, no Santos a sua passagem não foi tão gloriosa. Ele treinou o Peixe entre os anos de 1948 e 1950 sem levantar caneco algum.

Oswaldo de Oliveira

Dos técnicos citados nesse texto, Oswaldo de Oliveira é o que tem o trabalho mais recente pelos times paulistas – e é o único que está em atividade no momento como treinador.

Corinthians – Foi no Timão que Oswaldo de Oliveira começou sua carreira como técnico. Ele era auxiliar de Vanderlei Luxemburgo no Santos e, em 1999, recebeu a oportunidade do Corinthians para iniciar sua carreira como treinador.

O início não poderia ter sido melhor. Oswaldo foi campeão Paulista e Brasileiro com o Timão e, já no ano seguinte, comandou o time em uma conquista considerada histórica para a torcida corintiana, o famoso mundial de 2000.

O time, que tinha Marcelinho Carioca, Vampeta, Dida, Edílson, entre outros jogadores, bateu o Vasco na final daquele campeonato e conquistou o primeiro Mundial organizado pela FIFA.

Oswaldo deixou o Corinthians no mesmo ano para depois assumir a equipe carioca. Voltou ao Timão em 2016, ano em que o Corinthians fez várias trocas de técnicos após a saída de Tite, mas não conseguiu fazer a equipe engrenar e foi demitido no fim da temporada.

São Paulo – Depois de uma trajetória vitoriosa no Corinthians e no Vasco, Oswaldo foi contratado pelo São Paulo em 2002. Ele comandou uma equipe estrelada do Tricolor do Morumbi com Kaká, ainda uma jovem revelação, Ricardinho e Rogério Ceni.

Com o mesmo time, Oswaldo conquistou o Supercampeonato Paulista de 2002, batendo o Ituano na final do torneio. Logo depois, classificou a equipe em primeiro lugar na primeira fase do Brasileiro daquele ano. No entanto, foi eliminado nas quartas de final para o Santos de Robinho.

Santos – Foram duas passagens de Oswaldo de Oliveira no comando do Santos – e em nenhuma delas o treinador conquistou títulos. A primeira aconteceu em 2005, logo depois de Vanderlei Luxemburgo deixar o time para assumir o Real Madrid.

Naquela oportunidade, Oswaldo treinou o clube da Vila por três meses e, logo no começo de março, foi demitido com apenas 16 partidas à frente do clube e nove vitórias conquistadas.

Na segunda passagem, em 2014, o técnico teve um melhor aproveitamento. Levou a equipe para a final do Campeonato Paulista daquele ano, mas foi derrotado pelo Ituano nos pênaltis. Oswaldo foi eleito o melhor técnico daquela edição do campeonato, que ficou marcada pela goleada aplicada contra o Corinthians por 5 a 1 na primeira fase.

Contudo, na sequência do mesmo ano, a campanha do Santos no Campeonato Brasileiro não foi satisfatória e o treinador foi mandado embora em setembro.

Palmeiras – Oswaldo ficou sem trabalhar até o final de 2014 e, no começo de 2015, foi anunciado pelo Palmeiras, que tinha Paulo Nobre como presidente e Alexandre Mattos como diretor de futebol. O alviverde iniciava aquela temporada com várias contratações, entre elas o meia-atacante Dudu, jogador que foi disputado por Corinthians e São Paulo.

Oswaldo começou bem o trabalho e levou seu time até a final do Campeonato Paulista daquele ano contra o Santos. O Verdão venceu o jogo de ida por 1 a 0, mas desperdiçou oportunidades de matar o confronto.

Na partida de volta, perdeu por 2 a 1 e, nos pênaltis, o Santos conquistou o título na Vila Belmiro. Pela segunda vez consecutiva, Oswaldo ficava com o vice-campeonato no Paulistão.

Logo em seguida, o time começou mal no Campeonato Brasileiro e Oswaldo de Oliveira foi demitido.

Rubens Minelli

Minelli foi um dos grandes técnicos brasileiros da década de 70, ao lado de Osvaldo Brandão. Ele conquistou um feito inédito na época ao vencer por três vezes consecutivas o Campeonato Brasileiro, em 1975 e 1976 pelo Internacional, e em 1977 pelo São Paulo. Somente Muricy Ramalho conseguiu conquistar três Brasileiros consecutivos (2006-2008), mas os todos pelo tricolor da capital paulista.

Palmeiras – O Verdão foi o primeiro entre os grandes times de São Paulo a ter Minelli como técnico em 1969. Antes, o treinador já havia comandado o América de Rio Preto, Botafogo-SP, Francana e Guarani.

Minelli fez um bom trabalho na equipe alviverde, que logo depois foi dado sequência por Osvaldo Brandão para formar a Segunda Academia Palmeirense.

No ano em que chegou ao Palmeiras, o treinador conquistou a Taça Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, daquele ano. Além do campeonato, fez o time levantar também o caneco do Troféu Ramón de Carranza, em excursão feita pela Europa naquela época.

Rubens Minelli comandou o Verdão em mais duas passagens. A segunda aconteceu entre 1982 e 1983, enquanto a terceira ocorreu entre 1987 e 1988, ambas sem a conquista de títulos.

São Paulo – O tricolor foi o segundo time da capital paulista a ser dirigido pelo técnico. Minelli ficou no São Paulo entre 1977 e 1979. E foi lá que alcançou um feito inédito para um treinador na época.

Em seu primeiro ano de clube, conquistou mais uma vez o caneco nacional para a equipe do São Paulo. O time contou com Valdir Peres no gol, Darío Pereyra, Serginho Chulapa, entre outros craques e conquistou o título diante do Atlético Mineiro, em pleno Mineirão, em uma disputa de pênaltis.

Com esse feito, Minelli tornou-se o primeiro treinador a vencer três Campeonatos Brasileiros seguidos.

Rubens deixou o São Paulo em 1979.

Corinthians – A passagem pelo Timão foi curta e aconteceu em 1986. O treinador assumiu o time no início daquele ano e fez uma campanha fraca no primeiro turno do Paulista, ocupando na quinta colocação.

No segundo veio a reação e o clube conseguiu garantir vaga para as semifinais daquele ano. Porém, o time foi eliminado pelo Palmeiras e, assim, Minelli foi demitido do Timão.

Santos – O Peixe foi a última equipe de Rubens Minelli entre os grandes do estado. Sua passagem por lá aconteceu em 1992 e, por sinal, teve uma duração curtíssima de apenas seis jogos – com duas vitórias, dois empates e duas derrotas.

Rubens foi contratado pelo time da Vila em janeiro daquele ano e no início de fevereiro já não era mais treinador do Santos.

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