Opinião: Osasco Audax está se reconstruindo no vôlei

O tradicional clube da grande São Paulo, está se reconstruindo novamente. Após 9 anos da saída de seu principal patrocinador, a equipe osasquense se vê no mesmo cenário: a saída do seu principal patrocinador, a busca por novos apoiadores e a luta para manter o time competitivo como sua exigente torcida espera.

Tauany Rodrigues
Apaixonada por vôlei, futebol americano e futebol, mas amante de todos os esportes.

Crédito: Reprodução Youtube

E essa missão não será fácil. Em 2009, quando a então patrocinadora Finasa anunciou a retirada de todo o investimento no time feminino, pegou todos de surpresa: jogadoras, comissão técnica e torcida. Algumas jogadoras seguiram seu caminho para outros times, devido a incerteza da continuidade do projeto, caso de Paula Pequeno, ídolo da torcida. O torcedor mais novo pode não se lembrar, mas na ocasião, a equipe paulista chegou a disputar o campeonato paulista sem a certeza de um patrocínio, apenas sob o apoio de um grupo de empresários em conjunto com a Prefeitura de Osasco.

Mas já na superliga de 2009/2010, Osasco apresentava seu novo patrocinador: A gigante multinacional suíça Nestlé, sob o nome de Sollys, uma das suas linhas de produtos. Esta seria a segunda vez que a Nestlé patrocinaria uma equipe de voleibol, já que entre 1993 e 1999, a empresa havia patrocinado a equipe que começou em Sorocaba sob o nome de Leite Moça e que em 1996 se mudou para Jundiaí e passou a se chamar Leites Nestlé. O time, sob o patrocínio da Nestlé, seria campeão Mundial de Clubes, em 1994 e tricampeão da Superliga, entre 1994 e 1997.

Já na temporada 2009/2010, sob o nome de Sollys/Osasco, a equipe da grande São Paulo conquista sua primeira Superliga da parceria com a Nestlé, vencendo o seu maior rival na final, disputada no ginásio do Ibirapuera.

Durante esses 9 anos de parceria entre Nestlé e Osasco, muitos títulos foram conquistados. Além da Superliga 2009/2010, a parceria conquistou também a Superliga 2011/2012, o tetracampeonato Sul-Americano de Clubes, o hexacampeonato Paulista e a maior conquista da parceria: o Campeonato Mundial de Clubes, disputado na temporada 2012/2013, se tornando o terceiro time brasileiro a ser campeão mundial de clubes, o segundo sob o patrocínio da Nestlé.

Apesar da parceria ser considerada de sucesso, ao fim da temporada 2017/2018, a empresa suíça anunciou o fim da sua parceria com a equipe osasquense, alegando que concentraria seus esforços á um programa destinado a jovens. Mesmo com o fim da parceria entre Osasco e Nestlé, o time paulista não chegaria ao seu fim.

Entre o anúncio da saída da Nestlé da equipe e o anúncio de novos patrocinadores, foram mais de 30 dias de agonia para o torcedor e de incertezas no cenário do vôlei nacional. Caso o time não conseguisse novos patrocinadores, seria uma perda gigantesca não só para o torcedor, mas para o voleibol nacional, já que o esporte convive com a falta de grandes investimentos no dia a dia das equipes. Mas no dia 29 de Maio, a prefeitura em conjunto com o Audax, clube de futebol também sediado na cidade de Osasco, anuncia a continuidade do time, com apoio de patrocinadores locais além do Audax. A partir desse dia, começaria a correria para a montagem do elenco para a temporada 2018/2019.

Enquanto o técnico da equipe, Luizomar de Moura, vivia toda essa incerteza, os outros clubes foram se movimentando e se reforçando. A equipe osasquense em contrapartida, ia perdendo atletas, caso de Bia, que se transferiu para o rival Sesc/Rio e as atletas Fabíola e Tássia, que foram para o SESI/Bauru. Mas a maior perda da equipe, foi da oposta Tandara, melhor jogadora da equipe, que se transferiu para o vôlei chinês.

Após o anúncio dos novos apoiadores, começou uma corrida contra o tempo para a formação do elenco. Atletas fundamentais como Camila Brait e Mari Paraíba anunciaram que permaneceriam na equipe. Mas o time ainda precisava de mais reforços. Pouco a pouco, as peças foram chegando no time, e algumas permanecendo, além de Brait e Mari, a experiente levantadora campeã olímpica Carol Albuquerque também permanece na equipe. E não será a única campeã olímpica da equipe, a central Walewska e a ponteira Paula Pequeno também fazem parte da equipe.

Aos poucos, Luizomar foi reconstruindo o time. Além das citadas acima, ainda conta com a volta de uma jogadora adorada pela torcida, e de passagem vitoriosa por Osasco, a norte – americana Destinee Hooker. O time vai adicionando peças e se reforçando. Se tornando o melhor time possível, dadas as circunstâncias e acontecimentos.

Osasco vai, mais uma vez, ter de ressurgir das cinzas. Se será campeão, só o tempo vai dizer. Mas será um time competitivo, com jogadoras identificadas com o projeto e com a torcida. Fato é que, no cenário atual da economia brasileira, ter conseguido novos investidores para o projeto já é motivo de alegria, para torcedores e para toda a comunidade do vôlei, que não vai ver mais um time fechar as portas e enfraquecer o voleibol brasileiro, como aconteceu com tantos outros times.

LEIA MAIS:

SELEÇÃO BRASILEIRA FEMININA DE VÔLEI DISPUTARÁ O MONTREUX VOLLEY MASTERS EM BUSCA DO BICAMPEONATO