PAPO TÁTICO: Corinthians aposta no modelo de jogo reativo de Jair Ventura

A escolha por Jair Ventura não foi por acaso. A diretoria do Corinthians aposta em mais um nome da nova geração e com modelo de jogo reativo que privilegia a força defensiva, ponto que tem sido o grande problema da equipe após a saída do técnico Fábio Carille. A grande missão do novo treinador é recuperar o prestígio conquistado à frente do Botafogo e que ficou um pouco manchado após o trabalho ruim realizado à frente do Santos nesses primeiros meses de 2018. Contra Jair Ventura pesa o pouquíssimo tempo para treinar até o clássico contra o Palmeiras neste domingo (9) e o jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil contra o Flamengo nesta quarta-feira (12). Mesmo sem ter como se cobrar muito do novo treinador do Timão (pelo menos num primeiro momento), a tendência é que a estratégia de jogo mais reativa e de velocidade nos contra-ataques dê liga com aquilo que o Corinthians jogou nos últimos anos.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ivan Storti / Santos FC

Jair Ventura ganhou notoriedade comandando o Botafogo a partir do Brasileirão de 2016. A classificação para a Copa Libertadores da América do ano seguinte e a bela campanha na competição nasceu a partir do 4-3-1-2/4-4-2 utilizado pelo treinador num elenco que era colocado por muitos como “candidato ao rebaixamento” na temporada anterior. Com uma boa estratégia tática, bom relacionamento com os jogadores e um ótimo aproveitamento do material humano que tinha à disposição, o Glorioso foi eliminando campeões históricos da Libertadores como o Colo-Colo do Chile, o Olimpia do Paraguai, o Estudiantes de la Plata da Argentina e o Nacional do Uruguai. Tanto que o Botafogo só parou no Grêmio depois de duas partidas duríssimas. Nomes como Bruno Silva, João Paulo, Rodrigo Lindoso, Camilo, Roger e Rodrigo Pimpão foram fundamentais no esquema tático proposto por Jair Ventura, fã confesso do estilo de Diego Simeone no Atlético de Madrid.

O Botafogo de Jair Ventura se caracterizou por forte marcação, linhas compactadas e muita intensidade nas transições. O modelo de jogo mais reativo levou o Glorioso às quartas de final da Libertadores contra os prognósticos de muita gente. Foto: Reprodução / Fox Sports Brasil.

O estilo de jogo de linhas compactadas, intensidade na marcação e jogo reativo acabou encontrando certa resistência no Santos, clube mais acostumado a um estilo mais ofensivo e de toque de bola. Mesmo sendo prejudicado pela falta de um nome que atuasse como organizador de jogadas no meio-campo do Peixe (Bryan Ruyz e Carlos Sánchez só chegariam ao clube depois da sua saída), Jair Ventura tentou dar um pouco do seu toque ao time optando por algo próximo de um 4-3-3/4-1-4-1 com Gabigol, Eduardo Sasha e Rodrygo se revezando no comando do ataque. A campanha ruim no Paulistão e principalmente no Campeonato Brasileiro acabaram ajudando a minar seu trabalho no Alvinegro Praiano. Mesmo assim, Jair Ventura errou a mão diversas vezes ao apostar numa postura mais ofensiva sem a devida intensidade nas transições. Faltava ao Peixe justamente a dinâmica e entrega vista dentro de campo com o Botafogo em 2017.

Jair Ventura teve dificuldades para implementar seu estilo no Santos. As características dos jogadores não se encaixavam com seu modelo de jogo mais reativo e o time pecava demais nas transições. Faltava intensidade e compactação. Foto: Reprodução / Premiere FC.

A intenção da diretoria do Corinthians é que Jair Ventura consiga fazer com que o elenco do Corinthians renda mais dentro de campo, coisa que Osmar Loss não conseguiu fazer no tempo em que comandou o time principal. Também fica claro que o trabalho realizado à frente do Botafogo deverá servir de modelo para o novo treinador. Diante disso, é possível pensar no Timão armado no mesmo 4-3-1-2 com as variações para um 4-2-3-1 e para um 4-4-2 quando a equipe é atacada. Nesse ponto, o garoto Mateus Vital pode ganhar mais chances entre os titulares, já que o atleta tem capacidade de jogar como “ponta-armador” pelo lado do campo abrindo o corredor para as descidas de Fagner pela direita e auxiliando Jadson na armação das jogadas. Pelos tempos juntos no Botafogo, a tendência é que Jair Ventura não utilize o esquema com Romero como “falso nove” e que Roger ganhe mais espaço. A ideia aqui é ter um time móvel, aguerrido e mais intenso nas transições.

É possível pensar num Corinthians com Mateus Vital e Gabriel ganhando mais chances num 4-2-3-1/4-3-1-2 em sintonia com o modelo de jogo preferido de Jair Ventura. Intensidade, compactação e velocidade serão os “mantras” do Timão com seu novo treinador. Feito no Share My Tactics.

Nomes como Ángelo Araos, Emerson Sheik e até mesmo o veterano Danilo podem ganhar oportunidades com Jair Ventura, já que o treinador gosta de mesclar experiência com juventude. Já o garoto Pedrinho (titular com Osmar Loss) pode perder espaço já que o estilo que a ser adotado pede intensidade e força física, pontos em que o camisa 38 ainda precisa de mais tempo para adquirir apesar da qualidade que tem com a bola nos pés. Mais atrás, Léo Santos e Henrique devem formar a dupla de zaga com Fagner e Danilo Avelar seguindo como titulares. A grande mudança que deve ocorrer no Corinthians nem deve ser nas peças e nos nomes que vêm entrando em campo. A postura do time como um todo deve ser bastante modificada por conta do estilo de jogo de Jair Ventura, bem mais próximo de Fábio Carille e daquilo que os jogadores estavam acostumados há pelo menos três temporadas. Também é certo que o novo treinador vai precisar de tempo para se adaptar.

A aposta da diretoria do Corinthians em Jair Ventura não foi feita por acaso. Um nome da nova geração de técnicos, com estilo bem próximo ao adotado no time há alguns anos, com passagens por dois grandes clubes e experiência em competições internacionais. Certo é que o novo treinador do Timão terá uma grande chance de se firmar de vez no cenário nacional se for bem num clube como o Corinthians.

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