Serviços de streaming ganham força nas transmissões de eventos esportivos

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Andrey Oliveira
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação ESPN

No mesmo momento em que as grandes emissoras de TV reforçam o poderio na cobertura jornalística das principais competições esportivas do mundo, um movimento, de certa forma, contrário, também começa a ganhar grandes proporções: trata-se dos serviços de streaming, cada vez mais presentes e cada vez maiores no ramo esportivo em todo o globo.

Com tendência de se tornar tão dominante quanto a TV nas transmissões esportivas nos próximos anos, as plataformas de streaming começam a mostrar números impressionantes: nos últimos dias, por exemplo, a ESPN anunciou que a plataforma digital da emissora, o ESPN+, superou um milhão de assinaturas somente nos Estados Unidos, em menos de cinco meses depois do lançamento. No Brasil, a emissora desfruta de grandes resultados também com o Watch ESPN, site e aplicativo semelhante ao ESPN+ dos Estados Unidos. Grande concorrente da ESPN, a Fox Sports aproveitou a onda e anunciou, na manhã da última sexta-feira (21), que lançará, em 2019, um serviço de streaming no México e em países da América Central – o Fox Sports Premium.

Na Europa, quem ganha mais força a cada temporada é a DAZN, uma espécie de “Netflix do esporte” que conquista cada vez mais espaço entre os espectadores esportivos no velho continente. O site, que já transmitia o campeonato inglês e alemão, adquiriu, no começo da atual temporada, os direitos da Série A, a primeira divisão do campeonato italiano e, recentemente, foi anunciada como a responsável pelas transmissões online da Copa do Mundo de 2022 e da Eurocopa de 2020 para a Alemanha, Suíça e Áustria – além de ser a escolhida também para as transmissões da Liga das Nações nestes mesmos países. Além de alguns dos principais campeonatos de futebol do mundo, a DAZN também transmite para a Europa competições de outros esportes, como a NBA.

 

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Recentemente, a Turner, dona dos canais Esporte Interativo, surpreendeu o mercado ao anunciar o fim dos canais de TV, migrando toda a operação para o serviço online. Além de transmissões pelo aplicativo EI plus, a aposta também gira em torno das chamadas “lives” em redes sociais como o Facebook. Antecipando-se à tendência global – e, sejamos francos, por contenção de custos -, a Turner acredita que a estratégia é válida, uma vez que a internet tem abraçado conteúdos de nicho, o que força a televisão a ficar apenas com os produtos populares. Em entrevista para o portal Máquina do Esporte, do jornalista Erich Beting, o head da Turner no Brasil, Fábio Medeiros, garantiu que o Esporte Interativo continuará forte com a mudança: “o canal não está nem perto de acabar. Nós apenas fizemos uma mudança drástica na forma de como levamos o conteúdo para as pessoas”, declarou Fábio.

Outro fato que reforça ainda mais o crescimento do streaming é o interesse das grandes entidades em aprimorar e amplificar o serviço. A CBF tem como praxe nos últimos anos a transmissão online de partidas do futebol feminino e de categorias de base, e em 2018 começou o teste em jogos profissionais de grandes competições, como a Copa do Brasil – nas primeiras fases, a CBF fez a transmissão de alguns jogos que não foram televisionados pelo site da instituição e também em sua página oficial no Facebook. A UEFA também vem demonstrando grande interesse nos serviços de streaming, e planeja, já para as próximas temporadas, desenvolver uma plataforma própria e que servirá, principalmente, para aumentar a visibilidade em competições das categorias de base, do futebol feminino e também do futsal: “vamos criar nosso próprio OTT (streaming) para complementar a TV paga. Ele ainda não está pronto, mas estamos construindo nossa própria plataforma de streaming para ir além da TV paga”, declara o diretor de marketing da entidade, Guy-Laurent Epstein.