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Sampaoli finda silêncio e crítica Argentina: “se você não ganha, é considerado um perdedor”

Após 100 dias em silêncio, o técnico Jorge Sampaoli resolveu se pronunciar sobre o seu trabalho no comando da seleção argentina no Mundial da Rússia. Em exclusiva ao jornal “Marca”, o treinador rechaçou que estaria escondendo e o seu afastamento na mídia foi para uma análise pessoal para avaliar o pós-Copa.

Cido Vieira
Jornalista formado e apaixonado por futebol desde criança. No Torcedores.com desde o ano de 2017, já acumulei diversas funções no site e atualmente me dedico a cobertura do futebol nordestino. No Twitter, @cidovieira90.

Crédito: Crédito: Gabriel Rossi/Getty Images

“Foi um ano em um lugar – a seleção – de muita tempestade, exigência, obrigação, imediatismo, onde nós e o jogadores estávamos obrigamos somente a ganhar. Foi difícil tornar essa melodia harmônica, mas estávamos muito envolvidos. O fardo que esse grupo tinha era muito pesado, fomos empurrados a um caminho de obrigação onde era difícil fazer surgir o talento” – disse Sampaoli.

Para Sampaoli, o insucesso no comando da seleção hermana também pode ser atribuído às cobranças recebidas na ânsia de atingir o “simples” objetivo de ser campeão do mundo.

“Na Argentina, tem muita loucura: se você não ganha, é considerado um perdedor.”

O treinador afirmou que não incomodava com as reuniões dos jogadores, enfatizando que o objetivo era um só: fazer a equipe render, contudo, o fato disso ter sido externado não o agradou nem um pouco.

“Toda reunião era para contribuir. Foi um momento muito complexo. O problema não era ter reuniões entre jogadores, mas o fato de elas se tornarem públicas. Os jogadores da Argentina de 1986 se reuniram constantemente, mas só descobrimos isso 20 anos depois de serem campeões. Acredito filosoficamente na participação e no compromisso. No futebol e na vida.”

Principal estrela da seleção e alvo de críticas na Copa, Lionel Messi também foi mencionado na entrevista do treinador, segundo Sampaoli o comprometimento do “melhor jogador da história” – referência do comandante com o camisa 10 –  chamou atenção e prejudicou o craque no momento de derrotas.

– Foi incrível (treinar Messi), principalmente por vê-lo tão comprometido, sofrendo muito quando não se ganhava. O melhor jogador da história estava muito comprometido. Leo sofria como ninguém a impossibilidade de ser. Ter o melhor do mundo na sua equipe te obriga a uma exigência máximo. No resto, devemos estar a sua altura. No entanto, às vezes conseguimos, às vezes não. Estávamos todos os dias nessa luta. Ter Leo te obriga a não ter margem de erro na hora de ganhar – disse.

Sampaoli dirigiu a Argentina em 15 jogos, tendo conquistado sete vitórias, quatro empates e quatro derrotas, – duas delas na Copa do Mundo. No Mundial da Rússia, os hermanos tropeçaram na Islândia, empatando em 1 a 1, foram derrotados pela Croácia, mas obtiveram a classificação às oitavas ao bater a Nigéria, por 2 a 1, em duelo dramático.

Garantido no mata-mata, a Argentina acabou sucumbindo diante da França, e se despediu de forma melancólica dos solos russos.

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