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Thiago Pereira alerta sobre o poder de votos dos atletas no COB: “Isso vai ser responsabilidade nossa”

Durante o evento de abertura da Liga NESCAU Jovem Pan, o ex-nadador Thiago Pereira conversou com o Torcedores e relatou o momento que está vivendo um ano após sua parada nas piscinas. Aposentou a touca, mas a agitação com projetos, engajamento esportivo e filho têm ocupado muito de seu tempo.

Juvenal Dias
Jornalista formado pela Universidade P. Mackenzie/SP desde 2013. Atuo na área esportiva desde 2010, quando ingressei no Diário Lance! Lá permaneci por seis anos e tive oportunidade de fazer parte da cobertura dos Jogos Olímpicos Rio-2016. Desde 2017 sou colaborador do Surto Olímpico. Já fui também do Bola Parada. Estou no Torcedores desde meio de 2018.

Crédito: Instagram. Thiago Pereira continua lutando para levar alegria ao Brasil, agora de outras formas, fora das piscinas

Thiago Pereira é da nova geração de ídolos do esporte. Sua carreira foi repleta de conquistas, a medalha de prata em Londres-2012 foi a mais representativa. Ficou conhecido como Mister Pan. Escolheu parar de competir, mas não abandonou o esporte. Pensa nos próximos talentos que podem surgir na natação. Planeja projetos ambiciosos para um futuro não distante. Continua lutando por direitos de outros atletas. E ainda vai ser pai pela primeira vez. Uma pessoa que mostra preocupação em melhorar o país através do esporte. Confira o que ele conversou durante a cerimônia:

Torcedores: Tem algo na sua carreira faltou ou que você teria feito diferente?

Thiago Pereira: Eu faria tudo igual, sabe por quê? Hoje é muito fácil eu com 32 anos falar que eu tomaria uma decisão com 18. Cada ano é um aprendizado. Eu faria tudo de novo, sem tirar nem pôr. O que eu fiz, fez chegar onde estou agora. Tem muito atleta que para e fala: “eu deveria ter feito assim…”, só que quando você tem 17, 18 anos, você tem mentalidade de 17, 18 anos. Não dá para pensar no que eu faria. Talvez eu fizesse algo diferente se fosse hoje por todo aprendizado que eu tive, mas lá atrás, faria tudo de novo.

Torcedores: Além de você ter criado o Troféu Thiago Pereira para jovens talentos, quais são seus próximos projetos?

Thiago Pereira: Tem o Thiago Pereira Swim Camp, tem um projeto do meu livro para o ano que vem, palestras. Tem bastante coisa engatilhada que eu não falei a partir do ano que vem. Minha vida está meio louca. O pessoal pergunta: “agora que você parou está tranquilo”? Nada! Agora está tudo acelerado, as coisas têm que andar… Faz um ano apenas que eu parei, este primeiro ano tudo é mais difícil. Estou estruturando o Troféu e o Camp.

Torcedores: Como vai arranjar espaço na agenda para cuidar do bebê que está a caminho?

Thiago Pereira: Ah… Vamos ver. Eu nunca sofro por antecipação. Quando ele chegar, nós damos um jeito. Sempre dá. Na hora do aperto, sempre achamos uma maneira, sempre tem uma saída.

Torcedores: E a expectativa de ser pai?

Thiago Pereira: Sensacional. Estou feliz ‘pra’ caramba. Ele vem no início de fevereiro. Meninão, Luca. Estamos empolgados. Daqui a pouco vamos fazer o enxoval, reforma do quarto.

Torcedores: Vai ser nadador?

Thiago Pereira: Ele vai ser o que ele quiser. Se ele for nadador, vou apoiar. Uma coisa que minha mãe fez muito bem era apoiar o que eu queria. Ela fala: “Os pais são pais. Os pais não são técnicos”. Então, quando o filho chega em casa é apoiar independentemente de qualquer coisa. O técnico já está na borda da piscina brigando. Imagina: cobrança do técnico, cobrança do clube, você chega em casa querendo relaxa e está seu pai e sua mãe: “E aí”? Assim não vai mesmo. Vou apoiar o que ele quiser. Óbvio que vou tentar puxar para o esporte, mas se ele não quiser, deixar livre para escolher.

Torcedores: Como você vê o momento do esporte nacional?

Thiago Pereira: Sei que vivemos nestes dois últimos anos um momento delicado, não só no esporte, mas no país inteiro. Meus amigos esportistas reclamam: “não tem patrocínio”. E eu falo: “Pô, olha o país. São 13 milhões de desempregados”. Você vai a uma empresa atrás de patrocínio e o pessoal sai correndo. Não é birra do esporte, é educação, é tudo. Também temos que entender um pouco esse momento. Sempre pensar positivo. Eu acredito que as crises vêm e vão e é um aprendizado para todos ali. Realmente não tem sido fácil.

Por outro lado, temos vivido uma mudança que vai ser bem legal para o futuro. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) já começou essa mudança, conseguimos trocar seu estatuto para ter uma governança mais transparente. Hoje, um terço dos votos é dos atletas. Isso vai ser uma responsabilidade nossa. Antigamente, a comissão de atletas não tinha essa questão. Antes, só sugeríamos ideias. Agora, com essa responsabilidade, tem cobranças. Mas o Comitê aderiu. As confederações têm que aderir. É um momento de transição. Gostaríamos que fosse rápido, mas leva um tempo.

Olhar para trás, lá em 2004, e ver agora, acho que o esporte vai ter muito a ganhar com essa mudança. Tenho certeza que essa dificuldade que todos estão passando, no futuro, vai ser muito melhor para a molecada que está subindo.

Torcedores: Estamos em época eleitoral. Há muitos atletas seguindo este caminho. Qual sua opinião? Você pensa em uma eventual candidatura?

Thiago Pereira: Quando deu problema na CBDA (Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos), alguém me ligou pedindo para ir e eu falei: “vocês estão loucos”. No COB também falaram para eu tentar a candidatura este ano. Uma coisa que eu falo na minha vida: eu nunca digo nunca para nada, porque não sabemos o dia de amanhã. Mas hoje não é meu perfil. A situação em que me encontro, com os atletas tendo poder de voto e podendo dialogar com as confederações, posso ajudar muito mais realmente do que ocupando um cargo. O que estamos movimentando é algo que vai durar anos. Essas mudanças são mais prioritárias do que qualquer outra coisa.

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