Fisiculturista e coach Marcelo Santana responde à pergunta: todos podem ser atletas?

Na semana do Dia do fisiculturista, o atleta e coach Marcelo Santana fala sobre os desafios do esporte e responde à pergunta se o fisiculturismo é um esporte exclusivo de poucos iluminados ou inclusivo, onde todos podem alcançar resultados

Fabiano de Abreu
Colaborador do Torcedores

Crédito: Marcelo Santana - Foto: MF Press Global

O Dia do Fisiculturista é comemorado anualmente em 30 de Outubro, no Brasil. A data tem o objetivo de homenagear o atleta que se dedica ao esporte, e que como um artista, se dedica a esculpir o seu corpo através da musculação e dieta, em um misto de simetria, beleza e força.

O apelo midiático para um corpo definido, para o fitness e a musculação tem sido intenso nos últimos anos, em especial com o surgimento do Instagram, onde todos os dias vemos pessoas ostentando um físico impecável, e atraindo milhões de seguidores, como fonte de inspiração para sair do sedentarismo e conquistar o chamado “corpo ideal”, com músculos evidentes e percentual de gordura baixo.
O fisiculturista e preparador físico Marcelo Santana vê como algo positivo o crescente interesse de pessoas comuns pela musculação e o fisiculturismo: “o mundo fitness com todo esse crescimento, exposição e atletas em destaque, trouxe muitos adeptos e simpatizantes ao esporte. Isso é muito positivo. No entanto, é preciso entender a diferença entre ser um praticante de musculação e ser um atleta, um fisiculturista. Uma coisa sempre deixo claro, conversando com outros atletas e alunos, que ser atleta não é subir no palco, é viver o estilo de vida, quase como uma religião, abrir mão de muitas coisas”.
“Muitas pessoas, no entanto, acabam por confundir as coisas e se entregam ao esporte sem estarem preparadas. Uma coisa que aprendi com meu treinador é que pra ter uma evolução é preciso preparação, financeira, psicológica e estrutural. Infelizmente acontecem muitas irresponsabilidades de pessoas que, a qualquer custo, buscam um shape, um corpo, ou subir no palco, e esquecem que a saúde e a paz vem em primeiro lugar”.
Para Marcelo Santana, com a preparação adequada todos podem ser atletas. Contudo, o coach acredita que nem todos estão dispostos a fazer as escolhas e renúncias necessárias para ser um atleta profissional, e que alguns na busca por resultados estéticos rápidos acabam por prejudicar-se: “quando nao pulamos etapas as coisas se tornam mais claras. Na minha primeira preparação eu entrei em conflito, porque eu não tinha ideia do nível de entrega necessário de um atleta para chegar num corpo, para estar no nível de competição, pra chegar ao top 3, o quanto isso exige também de esposa, família, amigos, das coisas que temos que abrir mão. Quando a gente passa por isso, com toda a responsabilidade, é uma carga muito grande. Aos poucos, ao longo dos anos, aqueles que realmente vieram para ficar no esporte conseguem assimilar e encarar tudo isso de uma forma prazeirosa e produtiva. Já os aventureiros não duram e trazem para si problemas de saude e desequilíbrios, tanto hormonais como psicológicos”, alerta.
Apesar de todos os desafios e renúncias, Marcelo afirma que aos que verdadeiramente amam o esporte, o fisiculturismo tem sua recompensa: “o fisiculturismo é prazeroso e gratificante para os que pretendem ingressar, mas antes de envolver-se é preciso responsabilidade, amadurecimento e organização para que seja uma preparação feita com sucesso sem comprometer a saúde. Caso contrário, faça o seu melhor sendo um praticante de musculação, e alcance um shape definido, harmonioso, mas sem a cobrança pesada que viria do lado atleta”, conclui.