Opinião: torcedor sofre com o monopólio da transmissão do futebol

Passando pelas principais competições nacionais até as internacionais, a dona da bola ainda é a Globo. A celeuma é antiga, porém, sempre atual. Parece um paradoxo, mas não é, já que a discussão é sempre ‘servida’ na mesa (redonda ou não) dos brasileiros.

Luca Soares
Jornalista. Jornalismo no sangue, poesia na veia e Vascão no coração
futebol

Crédito: Maddie Meyer/Getty Images

O tema, como diriam os antigos amantes do futebol, voltou à baila no último dia 19/09, quando houve, quase na mesma hora, duas partidas do Campeonato Brasileiro Sub-20, com transmissão única do grupo Globo: Fluminense × Flamengo (pelo SporTV) e Vasco x Coritiba (pelo aplicativo do Globo Esporte).

Os horários (por volta das 17h00) são discutíveis, se tratando do apertado calendário oficial e do fato da disputa não ter a devida importância de uma competição profissional. O que podemos analisar, no entanto, é a forma como as transmissões dos campeonatos têm acontecido. Com raras exceções, o domínio da tevê dos irmãos Marinho – parceiros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) há mais de 30 anos – é total.

Falta de opção

De olho em uma fatia desse mercado milionário, outros veículos tentaram, sem sucesso, diminuir o ‘bocado da leoa platinada’. Band, SBT, Rede TV, Fox Sports e Esporte Interativo fizeram de tudo para transmitir alguns dos principais campeonatos, a fim de dar mais opções aos torcedores. A atitude foi boa, só esqueceram de combinar com as donas (Globo e CBF), famintas do futebol brasileiro.

Pra quem ‘tem fome’ de bom futebol, principalmente se for do time de coração, nada melhor que assistir a uma partida no melhor horário possível, e com uma variedade de escolha de canais. Infelizmente, por causa dessa parceria (Globo/CBF), não é o que ocorre. O ‘cardápio’ apresentado ao torcedor é sempre o mesmo e, digamos, nem sempre está ao ‘gosto do freguês’.

Mudança

Claro que o ideal seria juntar a fome com a vontade de comer, mas quase nunca isso é possível no badalado ‘restaurante global’. Não que a Globo, principal detentora dos direitos de transmissão do futebol brasileiro, seja a única culpada. Não, a emissora, pode-se dizer, joga com o regulamento debaixo do braço.

Talvez quem tenha mais culpa seja aquela que é a maior beneficiária dessa monopolização, ou seja, a CBF. Enquanto isso, quem sofre é o torcedor, que sente falta de um ‘menu’ mais variado.

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