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PAPO TÁTICO: Palmeiras prova mais uma vez que é sim candidato ao título brasileiro

Não foi somente o fim de um tabu que já durava 16 anos. Não se trata apenas dos três pontos de vantagem na liderança. E também não foi só por colocar o rival na crise. O Palmeiras de Luiz Felipe Scolari mostrou mais uma vez que é sim candidato ao título do Brasileirão 2018 ao vencer o São Paulo por dois a zero em pleno Morumbi jogando um futebol extremamente eficiente. O Verdão pode não ter o estilo de jogo preferido da maioria dos torcedores. É do gosto de cada um. Mas a maneira como os comandados de Felipão chegam ao gol é digna de nota. Não apenas pela intensidade imprimida durante as partidas, mas pelo fato de terem comprado integralmente as estratégias do treinador pentacampeão do mundo. São três pontos de vantagem para o segundo colocado. Será que o DECA vem mesmo em 2018?

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Cesar Greco / Ag. Palmeiras / Divulgação

É bom que se diga que o São Paulo quase não ameaçou a meta de Weverton no primeiro tempo. O time de Diego Aguirre entrou em campo armado no 4-2-3-1 de sempre, mas com algumas mexidas importantes: Bruno Peres jogou como meia, Rodrigo Caio entrou improvisado na lateral e Joao Rojas foi jogar pela esquerda. Do outro lado, Felipão também repetia o desenho tático, mas via seus jogadores brigarem muito mais por cada bola dentro de campo. Deyverson levava Bruno Alves e Anderson Martins à loucura com muita movimentação. Assim como Lucas Lima, Dudu e Hyoran. E o melhor de tudo: o Verdão foi eficiente na hora certa. Tanto que os dois gols do Palmeiras saíram em falhas gritantes do sistema defensivo do Tricolor Paulista, um dos pontos fortes da equipe de Diego Aguirre até bem pouco tempo atrás.

As duas equipes entraram em campo armadas no 4-2-3-1, mas era o Palmeiras quem colocava mais intensidade nas ações ofensivas. Já o São Paulo até conseguiu equilibrar as coisas, mas levou dois gols num espaço de quatro minutos em dois vacilos defensivos gritantes.

Rodrigo Caio e Nenê deixaram o jogo no intervalo para as entradas de Éverton e Carneiro. A ideia (pelo menos numa primeira impressão) era tentar diminuir o placar na base do “abafa”. Só que o São Paulo seguia ser criar nada. Já Felipão respondeu com as entradas de Bruno Henrique e Willian Bigode nos lugares de Lucas Lima e Hyoran e reorganizou o Palmeiras num eficiente 4-3-3 que prendia os laterais adversários no ataque e ainda aproveitava bem os espaços deixados pelo adversário. Willian e Deyverson perderam boas oportunidades de marcar o terceiro e transformar a vitória na casa do adversário em goleada. Mesmo com Tréllez e Rojas obrigando Weverton a trabalhar no final da partida, a impressão que ficou é que esse foi um dos triunfos mais tranquilos do Palmeias nessas últimas rodadas do Brasileirão.

A saída de Nenê ainda no intervalo deixou o São Paulo sem criatividade alguma no seu meio-campo. Tanto que o time só chegava ao ataque na base dos cruzamentos. Já o Palmeiras se rearrumou num 4-3-3 e teve mais chances de aumentar o placar do que seu adversário no Morumbi.

Se Felipão tem o grupo na mão e sabe muito bem como usar o elenco qualificado que tem à disposição, Diego Aguirre parece ter errado a mão na partida deste sábado (6). Este que escreve ainda está tentando compreender o que levou o técnico do Tricolor Paulista a sacar Nenê no intervalo e apostar num 4-4-2 que não deu nem um pouco certo. Ainda mais contra um Palmeiras extremamente organizado e arrumado dentro de campo. Isso sem falar na improvisação de Rodrigo Caio na lateral-direita quando Reinaldo seguiu completamente exposto do outro lado. Certo é que o São Paulo está em queda e o Verdão está em alta. E vencer um clássico contra um rival que também briga pelo título do Brasileirão dá uma boa dose de confiança para Luiz Felipe Scolari e sua equipe nessa reta final de temporada. Incluindo a Libertadores.

Uma coisa é certa: será muito difícil tirar esse título do Palmeiras. Ainda mais com a equipe sobrando dentro de campo e com opções variadas em todos os setores no banco de reservas. E isso sem falar num treinador que “cheira” a títulos e conhece muito bem os bastidores do clube. O Verdão cresceu na hora certa. E vai dar muito trabalho.

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