Guga relembra trajetória até topo do mundo e se emociona ao falar da mãe: “ela só queria que o filho dela ficasse bem”

Tricampeão de Roland Garros, Guga relembrou a trajetória até se tornar o número 1 do mundo no ranking ATP, e se emocionou ao falar sobre a reação de sua mãe nos momentos difíceis, em entrevista ao programa “Conversa com Bial”.

Gabriela Maruyama
Jornalista, assessora de imprensa e pós-graduada em Jornalismo Esportivo e Multimídias. Amante dos esportes desde sempre e apaixonada por futebol inglês. Contato: gamaruyama@gmail.com

Crédito: Reprodução / TV Globo

Durante bate-papo com Pedro Bial, o catarinense recordou a derrota para o norte-americano Andre Agassi no início do ATP Finals de 2000, e que adiou o sonho do brasileiro de alcançar o topo. “Fiquei três meses tentando (ser o melhor do mundo). Eu saí da primeira partida de Lisboa contra o Agassi desolado, derrotado, o fisioterapeuta me atendeu e eu jogado no chão falando que tinha acabado“, disse ele.

Guga, que na época era o número 2 no ranking mundial, atrás apenas do russo Marat Safin, se emocionou ao contar a reação de sua mãe após o tropeço contra Agassi. “É sempre legal alguns exemplos que nos dão sustentação em um sonho improvável. A minha mãe pegou no meu braço, me abraçou, foi para a cama comigo e ficamos lá por horas, e ela sem falar uma palavra, só me abraçando, mas nem aí se eu ia ser o número 1 ou 500 do mundo. Ela só queria que o filho dela ficasse bem. Eu acordei e pensei: ‘poxa, está maravilhoso ser número 2 do mundo também. Vou tentar de novo na próxima partida’. Ganhei uma, ganhei duas… Foi mais do que merecido“, continuou.

Além disso, o ex-tenista revelou conselho que recebeu de Andre depois de levar a melhor sobre o rival na final do ATP Finals, por 3 sets a 0, e finalmente conquistar o posto de número 1 do mundo. “Tinha me tornado número um naquele instante. Ele (Agassi) me abraçou, olhou no meu olho e disse: ‘cara, aproveita porque passa rápido’. E esse saboreio pelas atividades, pela rotina, atender a imprensa, patrocinador… é isso que a gente sempre buscou, é um grande sonho. Comigo aconteceu ao chegar a ser o número 1“, completou.

QUANDO GUGA SE TORNOU O NÚMERO DO MUNDO

QUANDO GUGA SE TORNOU O NÚMERO 1 DO MUNDO Até domingo (19), acontece em Londres a edição 2017 da ATP Finals, torneio que reúne os oito melhores colocados no ranking da Associação de Tenistas Profissionais. Há 17 anos, Guga venceu a competição (numa trajetória repleta de grandes emoções) e se tornou o número 1 do mundo. Na época, ano 2000, Guga era o segundo colocado no ranking – atrás do russo Marat Safin. Logo no início do torneio, Guga enfrentou Andre Agassi e o norte-americano levou a melhor. Ao final, o brasileiro sentiu dores no quadril, passou a adotar uma cinta nos jogos seguintes, para conter o desconforto, e levantou a suspeita de que não aguentaria seguir na competição até o final. Mas, como sempre, Guga surpreendeu a todos. Mais solto em quadra, venceu o sueco Magnus Norman por 2 sets a 0. Na sequência, ganhou do russo Yevgeny Kafelnikov, também por 2 a 0 e garantiu sua classificação para a semifinal. Seu próximo adversário foi o norte-americano Pete Sampras, de quem já havia perdido nas duas vezes que o havia enfrentado e a quem considera até hoje um ídolo. Numa partida dramática, Guga venceu Sampras de virada, por 2 sets a 1, com parciais de 6/7(5), 6/3 e 6/4, e garantiu a sua tão sonhada vaga para a final. Em entrevistas, o brasileiro contou que apesar de suas condições físicas e de perder o primeiro set, ele não teve dúvidas de que venceria aquela partida. Na final, Guga reencontrou Agassi, que havia vencido Marat Safin, na época o número 1 do mundo, por 2 sets a 0. O embate entre os dois tenistas, no dia 3 de dezembro de 2000, foi bastante aguardado. Apesar do favoritismo, Agassi perdeu para Guga por 3 sets a 0, parciais de 6/4, 6/4 e 6/4. Confiante desde a vitória contra Sampras, o brasileiro fez uma partida de altíssimo nível e se tornou o número 1. “Ele jogou muito naquele dia, arriscou muito em quase todas as jogadas e chegou quase à perfeição. Eu não pude fazer muita coisa além de dar os parabéns a ele”, relembrou Agassi em entrevista ao Globo Esporte, em 2015. “Eles eram os dois ícones da minha geração, então nada mais justo e merecido me tornar número 1 do mundo ganhando de dois protagonistas. A partida contra o Agassi foi, certeza absoluta, a melhor partida de tênis que eu fiz. No nível extraordinário, praticamente perfeito, os pequenos deslizes em horas oportunas, mas quando precisava jogar bem eu era além do preciso, era clínico. Algo bastante admirável ainda hoje”, relembrou Guga em entrevista ao Globo Esporte, em 2015. Uma conquista que ocorreu há 17 anos, mas que está para sempre marcada na memória do Guga e de muitos brasileiros. Imagens: Sport TV e arquivo pessoal

Posted by Guga Kuerten on Thursday, November 16, 2017

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