Títulos brasileiros “por fax” do Palmeiras tiveram vitórias sobre o Corinthians

O Palmeiras virou motivo de polêmica mais uma vez ao ser campeão brasileiro no último domingo (25) por comemorar a décima conquistada na história. Apesar de confirmada oficialmente pela CBF, a conquista do deca causou reações de rivais do time alviverde, que não reconhecem os títulos conquistados antes de 1971, quando o antigo Torneio Roberto Gomes Pedrosa passou a se chamar Campeonato Nacional de Clubes. Poucos, no entanto, buscam conhecer a história daquelas competições.

Allan Simon
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalha com esportes desde 2011 e já passou por veículos como R7 (Rede Record), Abril.com, UOL Esporte e Torcedores nas funções de redator, repórter, editor e apresentador de vídeos. Experiências de coberturas em duas Copas, duas Olimpíadas, dois Pans. Atualmente, produz o Blog do Allan Simon, é colunista de Mídia Esportiva do Torcedores e colaborador do UOL.

Crédito: Reprodução/Site oficial do Palmeiras

Entre os quatro títulos nacionais reconhecidos em 2010 pela CBF como títulos do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras possui duas edições da Taça Brasil (1960 e 1967), e outras do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 e 1969). Um fator questionado atualmente é o Verdão ter sido campeão brasileiro duas vezes no mesmo ano. A temporada seguinte, 1968, também tem dois campeões: Santos e Botafogo.

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Nas conquistas do Robertão, o Palmeiras fez campanhas históricas que incluíram vitórias diretas e indiretas sobre seu maior rival, o Corinthians. Em 1967, Torneio Roberto Gomes Pedrosa deixava para trás a fase como Torneio Rio-São Paulo e passava a ganhar um caráter nacional. 15 equipes disputaram a competição, divididos em dois grupos, mas com todos se enfrentando em turno único. Os dois melhores de cada chave se classificavam para a fase final, que era disputada em quadrangular em pontos corridos.

Corinthians e Palmeiras foram os melhores times de suas chaves. A campanha alvinegra era até melhor. O Timão terminou a primeira fase com 22 pontos, contra 19 do Verdão. Convém lembrar que, na época, a vitória valia 2 pontos. O time corintiano fez nove vitórias, quatro empates e apenas uma derrota na primeira fase. Justamente para o Palmeiras, ainda na segunda rodada, no dia 9 de março de 1967. Os gols alviverdes foram marcados por Servílio e César Maluco, enquanto Flávio Minuano balançou as redes para o time do Parque São Jorge. Aquele Corinthians 1 x 2 Palmeiras era uma prévia do que viria na fase decisiva.

Disputada por Palmeiras, Corinthians, Internacional e Grêmio, a fase final da competição tinha dois turnos. Corinthians e Palmeiras se enfrentaram na segunda e na quinta rodada. No primeiro duelo, empate em 2 a 2. No segundo, vitória alviverde por 1 a 0. O Palmeiras se sagrou campeão na última jornada da competição, batendo o Grêmiopor 2 a 1. O Corinthians, que tinha chance matemática de título se vencesse o Colorado e contasse com derrota alviverde, acabou derrotado pelo Inter por 3 a 0 e ficou em terceiro lugar.

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Dois anos depois, os caminhos de Palmeiras e Corinthians voltaram a se cruzar no Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Disputado agora por 17 clubes, o troféu tinha a mesma fórmula de disputa, mas a fase final agora era definida em turno único. O Verdão começou muito mal a competição. Foram três derrotas seguidas, um empate e outra derrota nas primeiras cinco rodadas. A primeira vitória veio apenas contra o Santa Cruz, fora de casa, por 3 a 2, na sexta partida. A partir dali, o time alviverde deslanchou.

Perdeu apenas mais dois jogos no campeonato, diante de Fluminense e São Paulo, mas conseguiu uma arrancada rumo à liderança de seu grupo. Foram cinco vitórias nos últimos cinco jogos da primeira fase. Uma delas foi contra o Corinthians, em uma partida de placar magro, 1 a 0, mas com show de Ademir da Guia, como reportou na época o jornal Folha de S.Paulo.

Classificado para o quadrangular final, o Palmeiras tinha pela frente como rivais o Corinthians, dono mais uma vez da melhor campanha na primeira fase, o Cruzeiro e o Botafogo. Na estreia, empate em 0 a 0 com o maior rival. Depois, nova igualdade, desta vez contra o time mineiro, em 1 a 1, fora de casa. O Verdão foi para a última rodada com apenas dois pontos conquistados. O Corinthians, que venceu o Botafogo por 1 a 0 na segunda partida, somava três pontos.

A situação na última rodada era clara: o Palmeiras teria que vencer o Botafogo no Morumbi para somar mais dois pontos e chegar a quatro. O Cruzeiro, que também empatou seus dois jogos, tinha que ganhar do Corinthians para chegar também a esses quatro pontos. Nesse caso, Raposa e Verdão definiriam no saldo de gols. Quem ganhasse pelo placar mais elástico seria o campeão.

O Corinthians, no entanto, só dependia dele mesmo. Era vencer o Cruzeiro no Mineirão e soltar o grito de campeão. O time estava em uma fila de títulos que durava desde 1954, e nem a conquista do Rio-São Paulo de 1966, dividida com outros quatro clubes, valeu para encerrar esse jejum. Mas o que parecia simples se tornou o fim do sonho com a derrota por 2 a 1.

O Palmeiras venceu o Botafogo por 3 a 1 no Morumbi. Segundo relato da Folha de S.Paulo do dia seguinte, o jogo disputado na capital paulista terminou antes do duelo do Mineirão. Torcedores, jogadores e dirigentes palmeirenses ficaram ouvindo pelo rádio o desenrolar da história no Cruzeiro 2 x 1 Corinthians. Eles seguraram até o fim o grito de “campeão”. Quando ficaram sabendo do encerramento da partida em Minas Gerais, finalmente houve festa. Do Morumbi, a comemoração palmeirense se moveu até o Palestra Itália, onde os jogadores foram recebidos como heróis.

Nos gritos da torcida do Palmeiras, segundo a Folha, o fato de o título ter sido definido no saldo de gols contra o Cruzeiro foi menos importante do que a perda da chance corintiana da conquista do troféu nacional. “Um, dois, três, o Corinthians é freguês”, cantavam os palmeirenses, que também adaptaram a música ao jejum corintiano. “Um, dois, três, já vai pra dezesseis”, gritaram os torcedores alviverdes, lembrando que o tabu sem títulos do time rival completaria 16 anos em 1970, ano seguinte. Na verdade, chegaria a 23 anos até a saída da fila na final do Paulistão de 1977, contra a Ponte Preta.

Veja os duelos Palmeiras x Corinthians nos Brasileiros entre 1960 e 1969:

Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967

Corinthians 1 x 2 Palmeiras
Corinthians 2 x 2 Palmeiras
Palmeiras 1 x 0 Corinthians

Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969

Palmeiras 1 x 0 Corinthians
Corinthians 0 x 0 Palmeiras

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