PAPO TÁTICO: Palmeiras foi presa fácil para um Boca Juniors organizado e aguerrido; entenda

Não faltou luta ao Palmeiras na noite desta quarta-feira (31). É preciso deixar isso bem claro antes de qualquer coisa. Por outro lado, apenas ter disposição, correr atrás de todas as bolas e entrar firme nas divididas não é suficiente. O futebol (principalmente aquele disputado em alto nível) pede bem mais das suas equipes já há algum tempo. E a grande verdade, amigos do TORCEDORES.COM, é que os comandados de Luiz Felipe Scolari acabaram se transformando em presas fáceis para o Boca Juniors. O time de Guillermo Schelotto foi organizado, aguerrido e não se abalou em nenhum momento com a pressão do adversário e da torcida do Palmeiras no Allianz Parque. Os xeneizes agora vão fazer aquela que pode ser a maior final de toda a história da Copa Libertadores da América contra o River Plate, seu grande e histórico rival.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Conmebol Libertadores

A derrota por 2 a 0 no jogo disputado na Bombonera obrigava Felipão a mandar o Palmeiras para o ataque logo cedo. E assim foi feito. O comandante alviverde apostou na entrada de Deyverson e Lucas Lima no seu 4-2-3-1 para garantir presença ofensiva entre os zagueiros adversários e também o toque de bola qualificado no meio-campo da equipe brasileira. Só que o Boca Juniors é um daqueles times que podem não ser brilhantes, mas dificilmente se abalam. Guillermo Schelotto manteve o seu usual 4-3-3 com Villa e Pavón abertos e explorando a subida dos laterais Mayke e Diogo Barbosa enquanto o Palmeiras forçava as ligações diretas e as bolas longas para Dudu no lado direito. Os nervos em frangalhos ficaram evidentes depois da anulação do gol de Bruno Henrique pelo VAR e da falha defensiva que resultou no gol de Ábila.

Palmeiras forçando a ligação direta para Deyverson e os lançamentos para Dudu e o Boca Juniors se fechando no seu 4-3-3 e saindo para o ataque com inteligência. A força mental dos xeneizes e a desorganização dos alviverdes acabou fazendo a diferença na primeira etapa.

Felipão fez o óbvio e mandou Moisés para o jogo no lugar de Bruno Henrique. O Palmeiras seguiu lutando apesar das poucas ideias mostradas em campo. Tanto que os dois gols da virada (e um dos momentos em que o Boca Juniors realmente sentiu a pressão) aconteceram na base do “abafa”, com Luan completando cruzamento e Gustavo Gómez convertendo pênalti sofrido por Dudu. Do outro lado, Guillermo Schelotto sacou Ábila para a entrada de Benedetto, atacante mais móvel e habilidoso que o camisa 17, justamente para aproveitar o cansaço de Felipe Melo e os espaços na marcação do escrete alviverde. No lance do gol de empate, o jogador do Boca recebe com calma na frente da área e não recebe o combate de nenhum jogador. Benedetto tem tempo para ajeitar o corpo e chutar forte no canto direito de Weverton.

Benedetto recebe na frente da área, tem tempo para ajeitar o corpo, escolher o canto e marcar o gol da classificação do Boca Juniors. Tudo isso sem ser incomodado pelos defensores e volantes do Palmeiras, que apenas observam o argentino. Foto: Reprodução / FOX Sports Brasil.

A partir daí o Palmeiras literalmente se desmanchou e partiu de maneira completamente desordenada para o ataque. Já o Boca Juniors se mantinha firme no seu 4-3-3 e apenas administrava a vantagem. Felipão (que já tinha mandado Borja para o jogo no lugar de Willian) ainda tentou uma última cartada com Gustavo Scarpa na vaga de Felipe Melo (completamente desgastado pelas perseguições individuais) e deixando Lucas Lima como primeiro volante à frente da zaga. Ao mesmo tempo, Guillermo Schelotto lançava mão do experiente Fernando Gago para fechar os espaços no meio-campo xeneize e segurar a bola até o apito final. Se no futebol jogado por aqui o estilo do Palmeiras tem sido suficiente, a impressão que ficou é que o time de Luiz Felipe Scolari poderia ter trabalhado mais a bola diante de um rival cascudo e organizado.

Guillermo Schelotto mexeu nas peças, mas não alterou o esquema tático e nem a postura da sua equipe após o segundo gol. Felipão tentou a virada com Borja e Gustavo Scarpa, mas faltou organização, controle dos nervos e uma boa dose de criatividade ao Palmeiras para seguir na Libertadores.

O Boca Juniors conquistou a sua 16ª classificação em 19 duelos em mata-matas contra equipes brasileiras na Libertadores da América. Como dissemos anteriormente, o time de Guillermo Schelotto está longe de ser brilhante e está ainda mais distante de ser o melhor da história do clube argentino. Mas a força mental e a garra desses jogadores é algo fora de série. Os xeneizes gastaram o tempo combinando a marcação sob pressão no detentor da bola com uma postura mais ofensiva diante de um Palmeiras que via o sonho do bicampeonato da Libertadores ruir mais uma vez. Ainda resta o Campeonato Brasileiro para fechar o ano com um título de expressão. A grande pergunta é como o grupo vai lidar com essa eliminação ocorrida em falhas que poderiam ser evitadas. Principalmente no jogo disputado na Argentina. A conferir.

O Boca Juniors vai atrás daquele que pode ser seu sétimo título de Copa Libertadores da América e igualar a marca do Independiente. Este que escreve vê o River Plate com mais qualidade e elenco, mas como subestimar a força mental de uma equipe que parece ressurgir das cinzas a todo instante? Ainda mais depois de quase ter sido eliminada na fase de grupos?

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