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PAPO TÁTICO: Palmeiras supera o nervosismo, encontra seu jogo e levanta seu décimo título brasileiro

Falando francamente, alguém ainda ousa questionar o título do Palmeiras? São 22 jogos de invencibilidade, melhor visitante do Campeonato Brasileiro, dono do melhor ataque da competição (61 gols) e da melhor defesa (24 sofridos), time que mais venceu e que menos perdeu. É pouco? Não, não é. O feito do Verdão merece aplausos. O décimo Campeonato Brasileiro veio com uma vitória sobre o Vasco dentro de São Januário dentro do melhor estilo Felipão: bola longa, estilo pragmático quando necessário e um Dudu em estado de graça. Foi o camisa 7 quem iniciou a jogada que resultou no gol de Deyverson já no segundo tempo da partida. O Palmeiras leva o título com sobras e garante o final feliz de um ano que se mostrava muito mais complicado do que parecia.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: César Greco / Ag. Palmeiras / Divulgação

Luiz Felipe Scolari sabia que seu Palmeiras enfrentaria um Vasco disposto a tudo para se manter na Primeira Divisão. Até mesmo ajudar o rival Flamengo. Tanto que as melhores chances do primeiro tempo foram do Trem Bala da Colina. Thiago Galhardo e Yago Pikachu forçavam o jogo em cima de Felipe Melo e Diogo Barbosa e o volante Andrey desperdiçou boa oportunidade na entrada da área. O Verdão sofria por conta da atuação fraca de Lucas Lima, que não conseguia dar sequência às jogadas e praticamente sumiu no 4-2-3-1 bem postado e compacto de Alberto Valentim. As melhores chances do Palmeiras surgiram dos pés de Bruno Henrique e Dudu. O primeiro circulou por todo o campo e foi peça importante no ataque. E o segundo levou Luiz Gustavo à loucura com as suas arrancadas pela esquerda.

O Vasco teve as melhores chances do primeiro tempo com Thiago Galhardo e Yago Pikachu forçando o jogo em cima de Diogo Barbosa e Felipe Melo. O nervosismo falava mais alto e o Palmeiras encontrava dificuldades para chegar ao gol defendido por Fernando Miguel.

Enquanto o time do Vasco sentia o cansaço no segundo tempo, o Palmeiras teve tempo para recolocar os nervos no lugar e aproveitar os espaços que a equipe da Colina Histórica deixava no meio-campo. Embora estivesse melhor na partida, o Verdão só chegou ao gol depois das entradas de Deyverson e Gustavo Scarpa nos lugares de Borja e Lucas Lima respectivamente. Dudu (que passou a jogar mais centralizado) achou Willian Bigode no meio da defesa vascaína e este só escorou para o camisa 16 marcar o gol do título. Enquanto Felipão fechava o seu Palmeiras num 4-1-4-1 com a entrada de Jean, o Vasco não encontrava forças para reagir e via Yago Pikachu levar um cartão vermelho de maneira infantil nos minutos finais. Vitória justa e título mais justo ainda do melhor time desse Campeonato Brasileiro.

Deyverson e Gustavo Scarpa entraram no jogo e o Palmeiras aproveitou a queda de rendimento do Vasco para marcar o gol do título. Destaque para Dudu, o melhor jogador do time, e Bruno Henrique, talvez o atleta mais importante do esquema tático de Luiz Felipe Scolari.

Quis o destino que Luiz Felipe Scolari calasse a boca de muita gente. Os mais cornetas falavam que o técnico estava ultrapassado, lembraram do 7 a 1 em 2014 e do seu tempo afastado do futebol brasileiro. Felipão viu o elenco que tinha à disposição, encontrou a melhor formação para o time titular, rodou bastante os jogadores (fato que fez com que nenhum deles ficasse de “beicinho” no banco de reservas) e só não foi mais longe na Libertadores da América por conta de falhas individuais dos seus atletas. Mesmo assim, o saldo é extremamente positivo. E como se isso não fosse suficiente, Felipão encontrou em Dudu o seu principal nome, deu moral para Borja e Deyverson e ainda teve em Bruno Henrique (melhor volante do Brasileirão 2018 na opinião deste que escreve) o motorzinho do seu meio-campo. Não é pouca coisa.

Só sei que o título está em ótimas mãos. Primeiro pela campanha consistente e inquestionável. Segundo pelo trabalho de Luiz Felipe Scolari à frente do Palmeiras. E por último (mas não menos importante) pela entrega de todos os jogadores na competição. O futebol praticado pelo Palmeiras pode não ser o mais bonito. Mas é, sem dúvida, o mais eficiente do país.

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