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PAPO TÁTICO: PSG ainda precisa mostrar consistência em competições de maior nível; entenda

Já faz algum tempo (salvo em algumas temporadas específicas) que o Paris Saint-Germain sobra na França. O time da capital francesa, no entanto, ainda precisa mostrar mais consistência e mais poderio ofensivos em competições de nível mais alto. Caso da Liga dos Campeões da UEFA, grande obsessão do clube. O empate contra o Napoli de Carlo Ancelotti até trouxe uma equipe mais ligada na marcação e na criação de espaços na defesa adversária, mas que ainda perde muito nos minutos finais. O resultado no San Paolo deixou o PSG mais próximo dos líderes do seu grupo, mas ainda fora da zona de classificação para as oitavas de final. E o técnico Thomas Tuchel segue quebrando a cabeça para encaixar Cavani, Mbappé e Neymar na mesma equipe sem que ela fique sobrecarregada na marcação.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

Muita gente se surpreendeu quando a escalação do PSG foi divulgada. O time francês não teria o conhecido trio MCN começando logo de início. Thomas Tuchel optou pela manutenção do esquema com três zagueiros (num 3-4-2-1 mais nítido), Meunier e Bernat como alas, Neymar e Di María abertos e Mbappé jogando como referência de movimentação no ataque. A ideia inicial era negar espaços ao Napoli e brecar uma das principais características do escrete italiano: o esquema híbrido. O time de Carlo Ancelotti se defende num 4-4-2 e ataca num 3-4-3 móvel e dinâmico com muita movimentação de Insigne, Fábian Ruiz, Callejón e Mertens e ainda tem bastante qualidade na saída de bola com Hamsik e Allan organizando e criando. O problema, no entanto, não estava na formação do PSG, mas na execução dos seus movimentos.

Thomas Tuchel apostou num 3-4-2-1 que tinha Neymar como “ponta-armador” pela esquerda e Mbappé como referência móvel na frente. O time fez bom primeiro tempo diante do Napoli e mostrou intensidade nos movimentos e boa marcação. Foto: Reprodução / Esporte Interativo.

É bom que se diga que o Paris Saint-Germain fez um belo primeiro tempo no San Paolo. Marcou em cima, negou espaços e levou muito perigo com Neymar ainda armador saindo da esquerda para o meio e vindo buscar o jogo mais atrás com o suporte de Verratti e Draxler na criação. Mas o ponto forte da equipe estava no setor ofensivo, com Mbappé se movimentando muito e abrindo espaços para as chegadas dos alas que cortavam para dentro para chegar no ataque. Claro que o time francês até poderia ter caprichado mais no último passe quando estava melhor na partida. Mas a movimentação do camisa 7 no lance do gol marcado por Bernat ainda na primeira etapa é a prova de que Thomas Tuchel pode estar no caminho certo para encaixar tantos talentos de um escrete milionário e sedento por títulos de expressão.

Mbappé abre espaços e os alas Bernat e Meunier avançam para o ataque e pisam na área do Napoli. O gol do PSG saiu de jogadas como essa da imagem acima. Movimentação e mobilidade eram os trunfos do time de Thomas Tuchel. Foto: Reprodução / Esporte Interativo.

Mas uma Liga dos Campeões sempre pede o máximo dos times que sonham em conquistá-la. E não foi diferente com o PSG. Claro que o Napoli melhorou depois do intervalo. E isso apenas com as mexidas táticas de Carlo Ancelotti. O treinador percebeu que Bernat tinha pouca ajuda de Di María e Neymar na recomposição defensiva e organizou sua equipe de modo a explorar o lado esquerdo da defesa e o espaço entre as linhas do escrete parisiense (já que Verratti e Draxler também diminuíram a intensidade na marcação). O erro de Thiago Silva no lance do pênalti sofrido por Callejón (e bem convertido por Insigne) nasceram desse processo iniciado na segunda etapa e dessa queda de produção do PSG. E Neymar seguia muito bem vigiado pela defesa do Napoli em todos os pedaços do campo. O empate acabou sendo o resultado justo.

O Napoli melhorou no segundo tempo após as mexidas táticas de Carlo Ancelotti (que viu a falta de marcação no lado esquerdo da defesa do PSG) e na própria queda de rendimento do time francês. Buffon acabaria se transformando no principal nome da partida. Foto: Reprodução / Esporte Interativo.

Difícil não chegar à conclusão de que o Paris Saint-Germain ainda segue devendo em competições de nível mais alto. Por mais que a diretoria traga jogadores do quilate de Neymar, Cavani, Di María, Mbappé e Buffon (o melhor em campo na opinião deste que escreve), o time ainda precisa de mais consistência em partidas desse porte. E vamos combinar que o Campeonato Francês também não ajuda o PSG que ainda está muito abaixo do Manchester City, do Barcelona e do Bayern de Munique, equipes que disputam ligas onde o futebol é jogado de maneira muito mais intensa e o nível exige muito mais do que o torneio disputado no país da Torre Eiffel. E ainda há a questão do encaixe correto dos jogadores. Como ter Mbappé, Cavani e Neymar em campo sem que o time perca força na marcação? Problema para Tuchel resolver.

Difícil dizer se o PSG terá futebol para se classificar para as oitavas de final da Liga dos Campeões. Mesmo com as estrelas, o time segue abaixo do Liverpool e de um Napoli cada vez mais aguerrido, intenso e que parece ter compreendido bem o que é disputar uma competição desse porte. Uma eliminação ainda na fase de grupos pode ter efeitos devastadores na comissão técnica. A conferir.

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