Relembre a violenta final do Mundial de 1969 entre Milan-ITA e Estudiantes-ARG

Vamos relembrar um dos jogos mais lamentáveis da história do Mundial Interclubes: a segunda partida da final de 1969 entre Estudiantes e Milan. O jogo aconteceu no dia 22 de junho de 1969, no estádio La Bombonera, em Buenos Aires e o público era de 45 mil pessoas. O juiz era o chileno Domingo Massaro.

Robson Teixeira
Colaborador do Torcedores

Crédito: YouTube

O time do Estudiantes era bom e tinha o craque Juan Ramón Verón – pai de Juan Sebastián Verón – como referência ofensiva. O grande problema daquela equipe era que eles usavam muito mais a violência do que a técnica para ganhar suas partidas. A proposta do treinador Osvaldo Zubeldía era basicamente intimidar o adversário.

O Milan, por sua vez, tinha um time forte e contava com estrelas como o meia ítalo-brasileiro Angelo Sormani, o atacante italiano Gianni Rivera e o centroavante franco-argentino Combín. O treinador era Nereo Rocco. Na partida de ida, o Milan venceu por 3 a 0, com dois gols de Sormani e um de Combín.

No jogo da volta, o Estudiantes precisava vencer por três gols de diferença para forçar o terceiro confronto. A tática foi usar o est´dio do Boca Jrs. (La Bombonera) como casa devido à pressão que os torcedores iriam fazer no time adversário. Quando os italianos estavam nos túneis do estádio, os torcedores argentinos cuspiram. Além disso, jogaram café quente nos jogadores do Milan. Isso causou queimaduras em alguns deles.

O principal alvo dos jogadores do Estudiantes era o atacante Combín. Os argentinos estavam revoltados devido ao fato dele ter se naturalizado francês para supostamente fugir do serviço militar argentino. A nação argentina via o atleta como traidor da pátria.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

Na hora do aquecimento do Milan, o goleiro do Estudiantes, Poletti, gritou para Combín que iria quebrar as pernas dele e o chamou de porco traidor. Quando a bola rolou, os primeiros 20 minutos foram de pancadaria e deslealdade dos argentinos. O ponta-esquerda Pierino Prati, do Milan, sofreu uma concussão ao tomar um golpe do zagueiro Aguirre Suárez e cair no chão inconsciente. O goleiro Poletti aproveitou e lhe deu um chute nas costas. O juiz estava com medo e não fez nada para coibir a violência argentina.

LEIA MAIS: Milan: Relembre a equipe campeã da Liga dos Campeões da temporada 2006/07

Mais de 880 jornalistas de 22 países cobrirão River Plate x Boca Juniors

Aos 30 minutos, o Milan respondeu toda àquela violência com um gol. O lateral-direito Manera, do Estudiantes, teve o seu passe interceptado por Combín. O centroavante do Milan tocou para o meia Rivera, que enganou a linha de impedimento e saiu na cara do gol. Ele driblou o goleiro Poletti e entrou com bola e tudo, 1 a 0. O arqueiro do Estudiantes ficou furioso e chutou a bola violentamente nas costas de Pierino Prati, que já não aguentava mais apanhar. O ponta-esquerda do Milan precisou ser substituído aos 38 da primeira etapa.

Aos 43, o zagueiro italiano Malatrasi não conseguiu cortar um cruzamento e o atacante argentino Conigliaro cabeceou para empatar, 1 a 1. No lance seguinte, o Estudiantes roubou a bola do Milan e conseguiu um escanteio. A bola foi jogada na área e o zagueiro Aguirre Suárez acertou um belo chute de primeira, 2 a 1. Esse gol fechou o placar da partida.

No segundo tempo, a defesa do Milan estava bem armada, pois o objetivo era manter a vantagem no placar agregado. Do outro lado, tudo o que o Estudiantes fez foi partir para a violência. O defensor Aguirre Suárez acertou uma cotovelada e uma joelhada no milanista Combín e lhe quebrou o nariz. O atacante não parava de sangrar e seu uniforme branco ficou todo vermelho. Aos 24, o juiz finalmente expulsou Aguirre Suárez após ele agredir Gianni Rivera. De forma irônica, o zagueiro saudou a torcida e foi aplaudido pelos argentinos.

Aos 40, mais uma expulsão argentina. O lateral-direito Manera deu um soco em Rivera e também foi expulso. Tudo o que o Milan queria é que aquele festival de pancadaria acabasse. Quando o juiz apitou o fim do jogo, o Milan conquistou o seu primeiro título mundial, porém, não conseguiu levantar a taça. Depois que o jogo acabou, o goleiro Poletti agrediu o volante milanista Lodetti e isso gerou ainda mais confusão. A polícia teve que conter os jogadores do Estudiantes. Infelizmente, não houve cerimônia de premiação para a entrega do troféu.