Roger Federer: para a multidão, ver um jogo do maestro não tem preço

Roger Federer é considerado por muitos o melhor tenista de todos os tempos. Ele está há vinte anos no circuito profissional de tênis, e foi quem sustentou mais tempo na posição número um do ranking da ATP. Não é o tenista que acumula a maior premiação em dinheiro do circuito profissional. Mas os fãs em Londres confirmam que ele tem o maior valor de mercado.

Paula Rühling
Jornalista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso, apaixonada por esportes. Ex atleta de natação e típica jogadora de tênis de final de semana. Objetivo de vida: nunca deixar de contar boas histórias.

Crédito: Divulgação / ATP World Tour

Sábado, 17 de novembro de 2018. Às 15h, a partida entre Alexander Zverev e Roger Federer pelas semifinais do ATP Finals começava a ser anunciada pelo telão. A introdução era um show à parte na arena de Londres. Um vídeo de dois minutos mostrava as conquistas no ano dos oito participantes da competição. Títulos que o fizeram estar entre os melhores da temporada.

Contudo, a maioria naquele lugar queria saber apenas de um competidor. Quando Zverev entrou, a plateia aplaudiu. Mas nada comparado a introdução de Federer. Só não se ouvia mais palmas porque as mãos estavam ocupadas com os celulares, na tentativa de conseguir a melhor foto do suíço.

A arquitetura predominantemente azul da arena, e as luzes com as cores da ATP não foram suficientes para ofuscar a torcida colorada. Os presentes em Londres sacudiam incontáveis bandeiras suíças a favor do maestro. Também balançavam cartazes e faixas com os dizeres “Allez Roger” (Vamos Roger, em português). Um deles era o hong-konguês Alan Ho, que garantiu dois assentos na primeira fileira, desembolsando para cada ingresso 145,50 libras esterlinas, cerca de 700 reais. “Estou aqui só para ver Federer. Eu sempre o vejo”.

Já há alguns anos, Alan Ho viaja para vários países afim de acompanhar o tenista. Só em 2018, ele foi à Inglaterra duas vezes. Primeiro para assistir Federer em Wimbledon, e depois no Finals. Também voou à Cincinnati, Xangai, e, mais recentemente, viu jogos do suíço no Masters 1000 de Paris.

Roger Federer não se consagrou campeão nestes eventos, mas nada que diminuísse a vontade de vê-lo jogar. Depois da derrota para Zverev, que se tornaria o campeão do torneio, Alan Ho já planeja a sua jornada de 2019 atrás do maestro.

Alan Ho e esposa na semifinal do ATP Finals. Crédito: Paula Rühling.

Amor por Federer e respeito pelos demais atletas

Uma fileira atrás de Alan Ho estavam o casal de brasileiros Alexsandro Zuanazzi e Carolina Saldadelli, acompanhados da amiga Rosimeire Pereira da Silva. No sábado, eles tiveram a oportunidade de ver o terceiro jogo oficial de Roger Federer ao vivo durante o torneio. Além disso, haviam presenciado alguns treinos do jogador.

“A gente não sabe quanto tempo ele ainda joga, então, é uma oportunidade única a gente estar aqui”, declarou Carolina. Enquanto este era seu o primeiro evento da ATP, Rosimeire havia ido a outros dois em 2018, também no intuito de ver o maestro. Tanto no US Open quanto no Aberto de Miami as expectativas foram frustradas, mas compensadas por cada minuto dentro da Arena de Londres.

Na semifinal, Roger Federer perdeu o primeiro set  7-5 para Alexander Zverev, e o segundo foi para um polêmico tie-break. O Suíço vencia por 4-3 quando, durante a troca de bolas, um boleiro soltou uma bolinha, e isso tirou a atenção do alemão. Seguindo a regra, o juiz voltou o ponto, e no segundo saque, Zverev conseguiu um ace. Sascha venceu o tie-break por 7-5. A torcida ficou sentida, e uma boa parte dela reagiu de forma passional, porém desrespeitosa.

Veja como foi:

Os brasileiros não acompanharam as vaias durante o jogo, muito menos na hora da entrevista. “Não digo que tenha definido a derrota dele o ocorrido da bolinha, mas a gente fica até sentido por ter sido dessa forma. Mas acredito que a regra do jogo está ali, e mesmo eu sendo fã do Federer, regras são regras”, afirmou Carolina.

Inclusive, Alexander Zverev tem conquistado um espaço no coração destes fãs do suíço. Eles veem o alemão como o futuro número 1. Mas enquanto puderem acompanhar Federer em quadra, assim farão. Impressionados pelo evento, afirmam tentar ir ao máximo de competições a partir de agora.

Alexsandro Zuanazzi e Carolina Saldadelli e Rosimeire Pereira da Silva. Crédito: Paula Rühling.

Quanto custa ver Roger Federer em ação?

O maestro suíço levou a arena de Londres a lotação quase máxima neste sábado. Os ingressos pelo site oficial variavam entre 400 a 750 reais. Em sites secundários chegaram a 3.000 reais. Um preço camarada se comparado com as entradas vendidas por estes mesmo sites durante os Grand Slams, e que aumentam ou diminuem conforme a procura. E Roger Federer é o principal motivo das buscas por um ticket.

No Austrália Open de 2017, Federer fez final com Rafael Nadal. Os ingressos que custavam entre  1.100 a 2.200 reais se comprados em primeira mão, não eram mais encontrados por menos de 5600 reais quando que o confronto foi confirmado, de acordo com o New York Times. Horas antes, pagava-se no mínimo 7000 reais no site de revendas Viagogo.

Em 2018, ninguém menos que Novak Djokovic disputou a final de Wimbledon. O suíço foi eliminado por quem seria o futuro adversário do sérvio, Kevin Anderson. Na sequência da eliminação, houve uma desvalorização de 63% dos ingressos para a final. Passaram de cerca de 20 mil reais, para 7.500 reais. E Rafael Nadal ainda estava na disputa.

No US Open, a eliminação de Federer foi ainda mais precoce. Perdeu na terceira rodada para o australiano John Millman, , na época 52º do ranking. Imediatamente, o mercado secundário de ingressos, StubHub, reduziu seus preços para a sessão masculina de quartas-de-final em 75%. Nela, Millman enfrentaria Djokovic. Por twitter, o repórter Darren Rovell, da ESPN, informou que os preços dos ingressos para o nível superior caíram de 1.080 reais, para apenas 250 reais.

Por que tão valioso?

“Ele tem uma técnica de jogo indescritível e incomparável. A gente sabe que ele não vai ficar nas quadras por muito tempo, e esse foi um dos motivos que me fez viajar até Londres para vê-lo”, declarou a brasileira Carolina Saldadelli. Roger Federer está com 37 anos, e joga há 20 como profissional. Há um tempo ele vem sendo perguntado sobre aposentadoria, mas não se sabe quando irá parar. Por isso, os inúmeros fãs querem aproveitar qualquer jogo em que ele esteja.

Aliás, em 2018, Roger Federer foi eleito pela 16ª vez o atleta preferido dos fãs no ATP World Tour Awards. Um recorde de muitos que o tenista suíço detém. Ele se manteve por 310 semanas em primeiro lugar no ranking da ATP, sendo 237 semanas consecutivas. Tornou-se o número um do mundo mais antigo na história aos 36 anos de idade. É apenas um dos quatro jogadores a terminar cinco ou mais temporadas como número um (2004-07, 2009). Ele conquistou o maior número de Grand Slams entre os tenistas, sendo 20 ao total. E com seis títulos do Finals, é também quem mais venceu esta competição.

A admiração por Federer não é apenas como jogador. O suíço também foi nomeado uma das 100 pessoas mais influentes de 2018 pela revista Time. Ainda em 2011, no estudo do Reputation Institute sobre as personalidades mais respeitadas, admiradas e confiáveis do mundo, ele ficou em segundo lugar. Terminou atrás de Nelson Mandela e à frente de Bill Gates, Steve Jobs e Oprah Winfrey. Criou a Fundação Roger Federer em 2003, investindo mais de 50 milhões de dólares em apoio a iniciativas comunitárias para aumentar a qualidade da educação na África Austral e Suíça.

Pelo tempo em que está no circuito da ATP, pelo jogo excepcional que apresenta, e pela pessoa que é fora das quadras, o mérito e a importância de Roger Federer são altíssimos. Ele foi nomeado pela Forbes a maior marca global de atletas em 2016 e 2017. O valor de 36 milhões de dólares, cerca de 148 milhões de reais, excedeu os valores da marca LeBron James, Cristiano Ronaldo e Tiger Woods.

Prêmio em dinheiro de Roger Federer

Após as 1180 vitórias que ele conquistou na carreira, o suíço acumula uma premiação no valor de 119.484.916 dólares. Isto é, aproximadamente 450 milhões de reais. Novak Djokovic, porém, apesar de menos tempo no circuito, arrecadou um montante maior, equivalente a 460 milhões de reais.

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